ANOS DE CHUMBO
Por Carlos Eugênio Paz em 25/11/2008
O que quer o jornalista Augusto Nunes quando defende que guerrilheiros que combateram a ditadura militar de direita (e se havia uma ditadura é porque o jogo democrático já havia sido rompido por eles) são iguais e merecem o mesmo tratamento que aqueles que torturaram e assassinaram covardemente presos amarrados e sob a custódia do Estado brasileiro?
E que praticaram isso como estratégia de luta e método sistemático de manutenção do poder.
O que quer Augusto Nunes quando ataca o governo do Lula sob o ponto de vista da direita conservadora, diferenciando-se claramente dos que o criticam construtivamente e fraternalmente, mas reconhecem os imensos avanços do país, finalmente conhecendo o que é governar olhando para o povo e suas necessidades?
O que quer Augusto Nunes quando publica um artigo como este, dado no Jornal do Brasil em 19 de novembro de 2008?
Precisa dizer?
Coisas da Política
As travessuras do jovem combatente
Augusto Nunes
Ele abriu a porta do apartamento ansioso por anunciar a opção que tomara. Encontrou na poltrona da sala o irmão mais velho, esperou que interrompesse a leitura do jornal e, com voz grave, informou: "Fiz uma opção político-ideológica definitiva. Sou marxista-leninista." Desconsertou-se ao ver que a expressão do primogênito exibia a placidez de quem ouvira o caçula avisar que estava de saída para tomar algumas no bar da esquina. Sem nenhum sinal de abalo, o alvo da notícia formidável reagiu com uma interrogação distraída: "Você já leu muita coisa sobre isso?", perguntou. "Li o suficiente", mentiu naquela noite de outubro de 1968 o estudante de 19 anos que, em janeiro, trocara a cidade interiorana pelo Rio.
Até então, o plano era cursar a Faculdade Nacional de Direito, depois o Instituto Rio Branco e, se Deus ajudasse, virar embaixador em Paris. Sempre com voz distraída, o irmão quis saber se aquilo estava de pé. "Não", ofendeu-se o convertido. "O dever de um revolucionário é fazer a revolução." E então soltou a declaração decorada para matar no nascedouro aquele sorriso de Mona Lisa: "Estou disposto a qualquer sacrifício para implantar no Brasil o socialismo. Não tenho dúvidas sobre o que devo fazer na vida."
"Que bom!", retomou a leitura do jornal o irmão. "Tudo o que eu queria era ter 19 anos e nenhuma dúvida. Estou com 25 e cheio delas." Ambos em silêncio, só o caçula escutou o estrondo das interrogações soterrando o poço de certezas inaugurado na manhã daquele dia. A ironia feita de 19 palavras induziu o revolucionário de 19 anos a passar os meses seguintes flagelando-se com perguntas. As respostas o aconselharam, no fim de 1969, a recusar a adesão à luta armada, quase imposta a ovelhas desgarradas por pastores implacáveis. Quem se afastava do rebanho não tinha o direito de proclamar-se dissidente. Tanto os que renunciaram ao combate quanto os que se juntaram à resistência democrática eram, todos, desbundados.
Além da generosidade genuína, além da cólera provocada pela ditadura brutal, sufocante, liberticida, além da pressa em erradicar a tortura, além do inconformismo com um país injusto, também a vigilância ameaçadora dos jovens comandantes engrossou a procissão dos passageiros da utopia que se meteram na travessia da picada do penhasco. Quem começasse a percorrê-la teria de avançar até a chegada – ainda que não houvesse chegada.
Os desbundados de 1968 sofriam condenações morais. Na virada da década, quem tentasse desviar-se do caminho ou propor mudanças de rota estaria exposto aos castigos reservados pelo código penal da luta armada aos traidores, vacilantes ou desertores. Qualquer desses adjetivos justificava a aplicação da pena de morte. Os juízes eram jovens demais, os réus estavam longe da maturidade. Mas os componentes do tribunal agiam com a soberba dos veteranos. Os carrascos, também.
Márcio Leite de Toledo tinha 19 anos quando foi enviado a Cuba pela Aliança Libertadora Nacional para fazer um curso de guerrilha. Ao voltar em 1970, tornou-se um dos cinco integrantes da Coordenação Nacional da ALN. Com 19 anos, lá estava Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz. Em outubro, durante uma reunião clandestina, os generais garotões souberam da morte de Joaquim Câmara Ferreira, que em novembro do ano anterior substituíra o chefe supremo Carlos Marighela, assassinado numa rua de São Paulo. Márcio propôs uma pausa na guerra antes que fossem todos exterminados.
Já desconfiado de Márcio – não era a primeira vez que divergia dos companheiros – Carlos Eugênio convenceu o restante da cúpula de que o dissidente estava prestes a traí-los e entregar à polícia o muito que sabia. Montou o tribunal que aprovou a condenação à morte e ajudou a executar a sentença no fim da tarde de dia 23 de março de 1971, no centro de São Paulo. Antes de sair para o encontro com a morte, o jovem que iria morrer escreveu que "nada o impediria de continuar combatendo". Não imaginava que seria impedido por oito tiros.
O assassino quase sessentão admite que o crime foi um erro, mas não se arrepende do que fez. Na guerra, essas coisas acontecem, explica o justiceiro impiedoso. Depois do crime, ele se tornou muito respeitado pelos companheiros, que o conheciam pelo codinome: Clemente.
"Os inimigos existem"
Sobre o cabo Anselmo, na única vez em que nos vimos ele veio ao ponto com o famigerado delegado Fleury. Como já estava desconfiado e tinha tomado minhas precauções, o tiroteio foi terrível, mas escapamos todos. Estávamos no fusca da Ação Libertadora Nacional - ALN, eu, o Iuri Xavier Pereira, seu irmão Alex de Paula Xavier Pereira e a companheira Célia, que é sobrevivente, mãe de Alina, filha de Luiz Almeida Araújo (Luiz, imão de Amparo, não teve a mesma sorte, é um dos desaparecidos: foi entregue ao delegado pelo cabo Anselmo, assim como Paulo de Tarso Celestino e Eleni Guariba) e pode confirmar tudo. No tiroteio consegui acertar um tiro no delegado. Infelizmente fui incompetente, pois só acertei o nariz do torturador. Não me incomodo em nada com a pessoa do cabo, me incomodo com a ausência do Luiz, com a ausência do Paulo, com as ausências dos irmãos Iuri e Alex.
A lembrança dessa época, para mim, é lembrança de uma luta que não me arrependo de ter travado. Era uma luta armada, era dura, precisamos todos, humanistas que éramos, aviltar nossas entranhas, nosso sentimentos, nossas convicções. E fomos exterminados. Mas nossas idéias não, e faço questão de dizê-lo porque sem elas não seria possível muitas das conquistas de hoje. Estamos no caminho, não chegamos ao sonhado "carnaval da vitória", mas será que haverá necessidade de um carnaval da vitória? Será que a vida não é assim mesmo, feita de pequenas vitórias e grandes derrotas?
Acho admiráveis as pessoas que conseguem pensar até na humanidade das feras. Nada mais humano que as feras. Aliás, gostaria de ser tão compreendido por meus pares, por minha geração, que é linda, mas perdoa mais facilmente os inimigos que compreende os companheiros. Pensemos. Pensemos em quantas vezes nos surpreendemos sendo implacáveis conosco mesmos e magnânimos com os inimigos. Sim, essa categoria existe. Eles, os inimigos, existem. E nos tratam como tal, como inimigos.
Doidivanas aventureiros
Mas nós exercitamos nossas almas, nossas cabeças, a descobrir como sermos superiores a eles, entendendo seus gestos, compreendendo as situações a que estavam submetidos. Vivi o início da luta, quando caminhávamos com flores nas mãos em direção ao poder, sobrevivi (peço que parem de me culpar por isso), e vivi o meio e o fim. Vivi cercado, vivi um "tempo de guerra, um tempo sem sol" (obrigado, Guarnieri), vivi um tempo em que sair nas ruas era tiroteio na certa. Falo de 1969, 1970, 1971, 1972 e 1973. Minha mãe, também militante da ALN, viveu e foi presa em 1974. Foi torturada pelo Fleury, pela sua equipe toda e ainda foi torturada pelo Otávio Ângelo (o Tião da ALN e Molipo, que saiu no seqüestro do cônsul japonês e agora também que ser indenizado) e pelo Telmo (o Churrasquinho de Mãe da ALN, lá do Ceará). Manteve a dignidade. Mantivemos a dignidade.
E outro dia, uma pessoa (de quem não digo o nome, quem leu meus livros sabe que só acuso quem mudou de lado, como o cabo, o José da Silva Tavares e outros) mandou uma mensagem exigindo minha saída de outro grupo, o 40anosde68@yahoo.com.br porque, segundo ela, eu sou um sanguinário. O grupo rejeitou. Tenho sangue em minhas mãos? É claro que tenho. Não era pra lutar? Não era pra fazer uma guerra de guerrilhas? Dá para medir quem estava mais certo? Todos estávamos errados, pois fomos todos derrotados. Perdemos a guerra e perdemos juntos, a menos que alguém tenha chegado ao poder na época, através das armas.
E quem não tem sangue nas mãos, que louve a cada dia que restar de suas vidas, não ter de conviver com isso. Mas não se esqueçam também que o sangue que escorre de minhas mãos escorre das mãos de todos aqueles que um dia escolheram o caminho das armas para libertar um povo. E que defenderam a luta armada, mesmo sem ter dado nenhum tiro porque eu e meus companheiros que estivemos na linha de frente não o fizemos por sermos doidivanas aventureiros. Pegamos em armas e fomos para a linha de frente porque havia a grande parte de uma geração que defendia isso, que pregava isso.
Com honra e orgulho
Então, minha linda geração, é hora de saber que os sonhos que sonhamos juntos eram feitos de generosidade, de beleza, de compartilhamento, de dedicação, de criatividade, de desprendimento, de poesia, mas também de sangue. E se compreendemos e lutamos por aqueles que foram torturados, assassinados, mortos em combate (esses também existiram, é sempre bom lembrar), é bom também aceitar, digerir e respeitar os que estiveram na linha de frente e verteram sangue. E pensar que eles têm feridas, eles sofrem, e têm de conviver com seus atos. E que por esses atos somos todos responsáveis, os que pregamos a luta armada. E que faria muito bem a eles de vez em quando serem lembrados como parte do mesmo sonho e serem compreendidos e aceitos por sua geração, pois afinal de contas eles são iguais aos que morreram, apenas não morreram. Será isso um crime? Será um crime não estar nas estatísticas? Pois vale lembrar que não contamos nunca os sobreviventes.
O cabo Anselmo, independentemente se era infiltrado em 1964 ou se foi depois, é um inimigo. Ele entregou cerca de duas centenas de companheiros nossos à repressão. Companheiros que foram torturados, alguns até a morte. Estou cagando (perdoem-me a palavra chula, mas é que às vezes só assim expressamos nossos sentimentos) para a humanidade dele. Quero saber do Paulo de Tarso Celestino, do Luiz Almeida Araújo, da Eleni Guariba, do Alex, do Iuri, da Lola, da Gastone, do Luiz Afonso, do Aldo Sá Brito (poeta), do Marighella, do Toledo, do Lamarca, da Yara, da Sônia, da Ana Nacinovic e de todos os outros, nossos pares. E se não tomarmos uma posição firme, logo-logo ele será anistiado. Será anistiado antes de mim, se algum dia eu for. Mas como as coisas sempre acabam sendo mais difíceis para mim, estou acostumado. Só gostaria que me perdoassem o desabafo.
Carlos Eugênio – Clemente, com muita honra e orgulho
Valeu Zumbi O grito forte dos Palmares Que correu terras céus e mares Influenciando a Abolição Zumbi valeu Hoje a Vila é Kizomba É batuque, canto e dança Jogo e Maracatu Vem menininha pra dançar o Caxambu Vem menininha pra dançar o Caxambu Ô ô nega mina Anastácia não se deixou escravizar Valeu Valeu Zumbi
30.1.09
29.1.09
Nota do Comandante Fidel
O décimo primeiro presidente dos Estados Unidos
Na passada terça-feira, 20 de janeiro de 2009, assumiu a chefia do império Barack Obama como o Presidente número onze dos Estados Unidos, desde o triunfo da Revolução Cubana em janeiro de 1959.
Ninguém poderia duvidar da sinceridade de suas palavras quando afirma que converterá seu país em modelo de liberdade, respeito pelos direitos humanos no mundo e pela independência de outros povos. Sem que isto, é claro, ofenda quase ninguém, salvo os misantropos em qualquer canto do planeta. Já afirmou comodamente que o cárcere e as torturas na Base ilegal de Guantánamo cessariam de imediato, o qual começa a plantar dúvidas nos que rendem culto ao terror como instrumento irrenunciável da política exterior de seu país.
O rosto inteligente e nobre do primeiro presidente negro dos Estados Unidos desde sua fundação há dois séculos e um terço como república independente, tinha-se auto transformado sob a inspiração de Abraham Lincoln e Martin Luther King, até se tornar em símbolo vivente do sonho americano.
Não obstante, apesar de todas as provas suportadas, Obama não tem passado pela principal de todas. O quê fará quando o imenso poder que tomou em suas mãos seja absolutamente inútil para ultrapassar as insolúveis contradições antagônicas do sistema?
Reduzi as Reflexões tal como me propusera para o presente ano, no intuito de não interferir nem estorvar os companheiros do Partido e do Estado nas decisões constantes que devem tomar frente a dificuldades objetivas derivadas da crise econômica mundial. Eu estou bem, mas insisto, nenhum deles deve se sentir comprometido por minhas eventuais Reflexões, minha gravidade ou minha morte.
Revejo os discursos e materiais elaborados por mim ao longo de mais de meio século.
Tive o raro privilégio de observar os acontecimentos durante muito tempo. Recebo informação e medito sossegadamente sobre os acontecimentos. Espero não desfrutar de tal privilégio dentro de quatro anos, quando o primeiro período presidencial de Obama tenha concluído.
Fidel Castro Ruz
Na passada terça-feira, 20 de janeiro de 2009, assumiu a chefia do império Barack Obama como o Presidente número onze dos Estados Unidos, desde o triunfo da Revolução Cubana em janeiro de 1959.
Ninguém poderia duvidar da sinceridade de suas palavras quando afirma que converterá seu país em modelo de liberdade, respeito pelos direitos humanos no mundo e pela independência de outros povos. Sem que isto, é claro, ofenda quase ninguém, salvo os misantropos em qualquer canto do planeta. Já afirmou comodamente que o cárcere e as torturas na Base ilegal de Guantánamo cessariam de imediato, o qual começa a plantar dúvidas nos que rendem culto ao terror como instrumento irrenunciável da política exterior de seu país.
O rosto inteligente e nobre do primeiro presidente negro dos Estados Unidos desde sua fundação há dois séculos e um terço como república independente, tinha-se auto transformado sob a inspiração de Abraham Lincoln e Martin Luther King, até se tornar em símbolo vivente do sonho americano.
Não obstante, apesar de todas as provas suportadas, Obama não tem passado pela principal de todas. O quê fará quando o imenso poder que tomou em suas mãos seja absolutamente inútil para ultrapassar as insolúveis contradições antagônicas do sistema?
Reduzi as Reflexões tal como me propusera para o presente ano, no intuito de não interferir nem estorvar os companheiros do Partido e do Estado nas decisões constantes que devem tomar frente a dificuldades objetivas derivadas da crise econômica mundial. Eu estou bem, mas insisto, nenhum deles deve se sentir comprometido por minhas eventuais Reflexões, minha gravidade ou minha morte.
Revejo os discursos e materiais elaborados por mim ao longo de mais de meio século.
Tive o raro privilégio de observar os acontecimentos durante muito tempo. Recebo informação e medito sossegadamente sobre os acontecimentos. Espero não desfrutar de tal privilégio dentro de quatro anos, quando o primeiro período presidencial de Obama tenha concluído.
Fidel Castro Ruz
22.1.09
O candomblé não precisa de martires
A fé judaica consolidou-se sobre o sangue de milhares de judeus que morreram nos últimos cinco mil anos defendendo o direito de professarem sua fé.
O cristianismo surgiu sobre o martírio de Jesus de Nazaré e de todos os judeus que decidiram aderir a seita dos nazarenos.
As Igrejas Cristãs (indiferentemente da confissão) floresceram sobre o sangue de milhares de cristãos que desejavam expressar e viver sua fé de forma plena, ainda que para faze-lo fosse necessária as divisões que vieram a ocorrer no cristianismo moderno.
A sociedade ocidental que hoje se vangloria da tolerância, liberdade e democracia, precisou de muito sangue até alcançar um nível de tolerância que permitisse a convivência entre os diferentes.
Entretanto, o que vemos em solo brasileiro em relação as religiões de matriz africana, trai o ideal de tolerância, liberdade e democracia.
Vemos a cada dia o recrudescimento do fundamentalismo cristão. Vemos o retorno da intolerância religiosa e a demonização do diferente.
O Deus de Abraão, Isaque e Jacó é chamado e definido de diferentes formas por judeus, muçulmanos e cristãos. Se de fato Deus existe, será que Olodumare não é uma outra forma de se chamar e definir a divindade.
Será que o Deus invocado nas preces e cantidas por caboclos e pretos-velhos não merece respeito?
O sangue negro garantiu a liberdade dos negros e negras brasileiros, sejam eles candomblecistas, umbandistas ou cristãos (católicos, protestantes, batistas, pentecostais, neopentecostais, russelistas ,...), ir e vir, votar, estudar, ter um trabalho assalariado, casar, ... Será preciso derramar mais sangue negro para garantir a liberdade religiosa?
Candomblecistas e umbandistas não precisam de mártires, já cultuam seus heróis, ancestrais, essas, orixás, inkices e voduns.
Precisam sim, de respeito e tolerância para fazê-lo em PAZ. Precisam da ruas, encruzilhadas, rios, pedras, cachoeiras, vento, ar, ...
É mister um clamor de todos e todas que não toleram a violência, que não toleram a intolerância, que prezam pela liberdade e pelo livre-arbítrio em favor do DIREITO DOS NEGROS E NEGRAS BRASILEIROS EXPRESSAREM LIVREMENTE SUA FÉ, SEJA ESTA EM ALA, JESUS, BUDA OU EM OLODUMARE.
ASE!!!
"IGI T'OLÓRUN GBÌN KÒ SÍ ENI TI OLE FÀ A TU. ( A ÁRVORE QUE OLÓRUN PLANTA NUINGUÉM PODE ARRANCAR)"!!!
O cristianismo surgiu sobre o martírio de Jesus de Nazaré e de todos os judeus que decidiram aderir a seita dos nazarenos.
As Igrejas Cristãs (indiferentemente da confissão) floresceram sobre o sangue de milhares de cristãos que desejavam expressar e viver sua fé de forma plena, ainda que para faze-lo fosse necessária as divisões que vieram a ocorrer no cristianismo moderno.
A sociedade ocidental que hoje se vangloria da tolerância, liberdade e democracia, precisou de muito sangue até alcançar um nível de tolerância que permitisse a convivência entre os diferentes.
Entretanto, o que vemos em solo brasileiro em relação as religiões de matriz africana, trai o ideal de tolerância, liberdade e democracia.
Vemos a cada dia o recrudescimento do fundamentalismo cristão. Vemos o retorno da intolerância religiosa e a demonização do diferente.
O Deus de Abraão, Isaque e Jacó é chamado e definido de diferentes formas por judeus, muçulmanos e cristãos. Se de fato Deus existe, será que Olodumare não é uma outra forma de se chamar e definir a divindade.
Será que o Deus invocado nas preces e cantidas por caboclos e pretos-velhos não merece respeito?
O sangue negro garantiu a liberdade dos negros e negras brasileiros, sejam eles candomblecistas, umbandistas ou cristãos (católicos, protestantes, batistas, pentecostais, neopentecostais, russelistas ,...), ir e vir, votar, estudar, ter um trabalho assalariado, casar, ... Será preciso derramar mais sangue negro para garantir a liberdade religiosa?
Candomblecistas e umbandistas não precisam de mártires, já cultuam seus heróis, ancestrais, essas, orixás, inkices e voduns.
Precisam sim, de respeito e tolerância para fazê-lo em PAZ. Precisam da ruas, encruzilhadas, rios, pedras, cachoeiras, vento, ar, ...
É mister um clamor de todos e todas que não toleram a violência, que não toleram a intolerância, que prezam pela liberdade e pelo livre-arbítrio em favor do DIREITO DOS NEGROS E NEGRAS BRASILEIROS EXPRESSAREM LIVREMENTE SUA FÉ, SEJA ESTA EM ALA, JESUS, BUDA OU EM OLODUMARE.
ASE!!!
"IGI T'OLÓRUN GBÌN KÒ SÍ ENI TI OLE FÀ A TU. ( A ÁRVORE QUE OLÓRUN PLANTA NUINGUÉM PODE ARRANCAR)"!!!
21.1.09
Sim, nós podemos ...
Sim, nós podemos construir um Rio sem violência, crimes, fome, mendigos, sem-tetos, desempregados, racismo, machismo, ...
Sim, nós podemos construir uma cidade inclusiva para todos e todas que tem alguma necessidade de acessibilidade ...
Sim, nós podemos construir uma cidade que garanta educação pública, gratuita e de qualidade para todas as nossas crianças ...
Sim, nós podemos construir uma cidade onde a pluralidade étnica, pigmentar, religiosa, estética, social, seja motivo de orgulho ...
Sim, nós podemos demolir as barreiras que nos separam e tornam uns mais iguais que outros ...
Sim, nós podemos continuar a sonhar com Zumbi, Dona Zica, Carlos Prestes, dentre outros, com cidades inclusivas e solidárias, onde possamos viver plenamente nossa humanidade.
Sim, nós podemos ser comunistas no século XXI!!!
Sim, nós podemos construir uma cidade inclusiva para todos e todas que tem alguma necessidade de acessibilidade ...
Sim, nós podemos construir uma cidade que garanta educação pública, gratuita e de qualidade para todas as nossas crianças ...
Sim, nós podemos construir uma cidade onde a pluralidade étnica, pigmentar, religiosa, estética, social, seja motivo de orgulho ...
Sim, nós podemos demolir as barreiras que nos separam e tornam uns mais iguais que outros ...
Sim, nós podemos continuar a sonhar com Zumbi, Dona Zica, Carlos Prestes, dentre outros, com cidades inclusivas e solidárias, onde possamos viver plenamente nossa humanidade.
Sim, nós podemos ser comunistas no século XXI!!!
8.1.09
Do Holocausto ao Terrorismo de Estado
O povo judeu sofreu perseguições e diversas tentativas de extermínio durante vinte séculos, promovidas pelos mais diversos povos cristãos, que não conseguiram atentar para a fraternidade das religiões semitas.
A mais cruel das tentativas de extermínio do povo judeu ocorreu durante a Segunda Guerra, promovida pelos nazistas de diferentes nações européias, episódio conhecido como Holocausto.
As diversas nações no pós-guerra, horrorizados com a tentativa nazista de extermínio dos judeus, decidiram pela criação do Estado Judeu nas terras ancestrais da Palestina.
Salvo as boas intenções das diversas nações, foi negligenciado uma solução para os palestinos que habitavam aquelas terras desde a Diáspora Judaica no inicio da Era Cristã.
Na contramão do bom senso, os judeus egressos das mais diversas nações que decidiram emigrar para a Palestina para construirem uma nova Pátria, abstiveram-se do diálogo fraterno com seus irmão palestinos e fizeram da ocupação militar e do genocidio o mecanismo principal de sua intervenção.
Iniciou-se ali uma nova e sangrenta página da história mundial.
Israel ao longo de sua existência como Estado Moderno, sitiou e isolou os palestinos do resto do mundo. Enquanto desponta entre os países mais desenvolvidos do mundo, os palestinos despontam entre os mais miseráveis.
Enquanto exige de todas as nações o reconhecimento de sua existência e exige o combate a toda e qualquer manifestação anti-semita pelo mundo, segue promovendo o genocidio de um povo que habita o seu território.
Não cabe aqui uma analise dos erros e das ações fundamentalistas palestinas, o que cabe aqui é uma reflexão sobre queal seria o papel do Estado de Israel no mundo moderno. Devido a sua história os judeus deveriam ser um baluarte da defesa da igualdade e auti-determinação de todos os povos.
Se Israel não assumir seu papel de construtor de uma nova ordem mundial, pagará um alto preço. Que o Holocausto Judeu sirva sempre de lembrança da capacidade de atrocidades que os seres humanos podem fazer.
Que o Holocausto Judeu lembre Israel que somos todos humanos ...
A mais cruel das tentativas de extermínio do povo judeu ocorreu durante a Segunda Guerra, promovida pelos nazistas de diferentes nações européias, episódio conhecido como Holocausto.
As diversas nações no pós-guerra, horrorizados com a tentativa nazista de extermínio dos judeus, decidiram pela criação do Estado Judeu nas terras ancestrais da Palestina.
Salvo as boas intenções das diversas nações, foi negligenciado uma solução para os palestinos que habitavam aquelas terras desde a Diáspora Judaica no inicio da Era Cristã.
Na contramão do bom senso, os judeus egressos das mais diversas nações que decidiram emigrar para a Palestina para construirem uma nova Pátria, abstiveram-se do diálogo fraterno com seus irmão palestinos e fizeram da ocupação militar e do genocidio o mecanismo principal de sua intervenção.
Iniciou-se ali uma nova e sangrenta página da história mundial.
Israel ao longo de sua existência como Estado Moderno, sitiou e isolou os palestinos do resto do mundo. Enquanto desponta entre os países mais desenvolvidos do mundo, os palestinos despontam entre os mais miseráveis.
Enquanto exige de todas as nações o reconhecimento de sua existência e exige o combate a toda e qualquer manifestação anti-semita pelo mundo, segue promovendo o genocidio de um povo que habita o seu território.
Não cabe aqui uma analise dos erros e das ações fundamentalistas palestinas, o que cabe aqui é uma reflexão sobre queal seria o papel do Estado de Israel no mundo moderno. Devido a sua história os judeus deveriam ser um baluarte da defesa da igualdade e auti-determinação de todos os povos.
Se Israel não assumir seu papel de construtor de uma nova ordem mundial, pagará um alto preço. Que o Holocausto Judeu sirva sempre de lembrança da capacidade de atrocidades que os seres humanos podem fazer.
Que o Holocausto Judeu lembre Israel que somos todos humanos ...
5.11.08
EU TENHO UM SONHO Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
EU TENHO UM SONHO
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.
Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.
Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.
Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.
Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."
Saiba por que a eleição de Barack Obama como presidente dos EUA é histórica
Saiba por que a eleição de Barack Obama como presidente dos EUA é histórica
Segregação racial já foi regulada por lei nos Estados Unidos.
Senador negro foi eleito em 1875, mas direitos iguais vieram muito depois.
Martin Luther King, ativista pelos direitos civis, em Washington, no dia em que pronunciou seu discurso 'Eu tenho um sonho'
Barack Obama foi eleito nesta terça-feira (4) o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. A eleição do primeiro negro presidente dos EUA está sendo considerada história, por conta do passado de racismo do país.
Muito antes de Obama ter sido eleito senador dos EUA, em 2004, e presidente, em 2008, o afro-americano Blanche Kelso Bruce conquistou uma vaga no Senado da nação em 1875, representando o estado do Mississippi.
No entanto, naquela época, a eleição de Obama ao comando do país era provavelmente algo inimaginável. “Suponho que a maioria não pensaria ser possível ter um negro na presidência, considerando que os afro-americanos eram linchados e não tinham acesso à terra ou à educação”, disse ao G1 por telefone Diane Batts Morrow, professora de Estudos Afro-Americanos da Universidade da Geórgia.
Isso porque, até menos de 50 anos atrás, os afro-americanos eram segregados por lei nos Estados Unidos.
A segregação racial nos EUA começou a ser legalizada por iniciativa de alguns estados, pouco após a abolição da escravidão, que ocorreu em 1865, com o fim da Guerra Civil Americana.
Leia também: Eleições nos EUA põem em xeque passado de racismo do país
Com as 13ª e 14ª emendas à Constituição, os negros tiveram a escravidão abolida e ganharam, na teoria, a representatividade igual à de um cidadão branco. No entanto, “a partir dos anos 1880 e 1890, começaram a surgir leis que separavam brancos e negros em tudo”, explicou Morrow. No Sul do EUA, onde a escravidão era defendida, essa separação foi mais forte e os direitos civis dos negros, cada vez mais suprimidos. Cada raça passou a ter bairros, escolas, cinemas e transporte próprios. “E, mesmo antes das leis, essa separação já estava incorporada, por hábito, em muitos lugares”, completou a especialista.
Na mesma época da Abolição, nasceu a Ku Klux Klan, organização que defendia a restauração da supremacia branca no país. Em contrapartida, começam a surgir também os movimentos de direitos civis, que durante o século XX tiveram um papel importante no combate à discriminação racial.
Rosa Parks (com Luther King ao fundo), que se recusou a ceder o seu lugar no ônibus para uma pessoa branca (Foto: United States Information Agency/Creative Commons)
O ônibus de Montgomery
Mas iniciativas individuais de alguns cidadãos também foram decisivas para a igualdade racial. É o caso de Rosa Parks, uma costureira de Montgomery, Alabama, que ganhou projeção em 1955.
Naquele ano, ainda valia a separação de brancos e negros nos assentos dos ônibus do Alabama. Aos brancos estavam reservados os assentos da frente e, aos negros, os de trás. Se os assentos estivessem preenchidos e um branco entrasse no ônibus, o negro da fileira mais dianteira deveria levantar e ceder-lhe o lugar.
É o que deveria ter feito Rosa Parks, que voltava do trabalho num ônibus lotado. Mas ela se recusou a ceder o seu lugar a um branco. “Vou ter que mandar prendê-la”, respondeu o motorista do ônibus. “Então faça isso”, disse a costureira.
Na noite em que Parks foi presa, os movimentos de direito civil começaram a articular um boicote ao sistema de ônibus de Montgomery. O episódio teve tanta repercussão que, no ano seguinte, a corte do Alabama declarou inconstitucional a segregação racial nos meios de transporte.
Martin Luther King
O boicote de Montgomery foi organizado na igreja de um pastor batista chamado Martin Luther King, que chegou a ser preso durante o episódio. Ele admirava a idéia da resistência pacifista de Gandhi e os pensamentos de Henry David Thoreau, que defendia o direito a desobedecer leis injustas e más.
Luther King aplicou o método da desobediência civil para pedir leis igualitárias nos EUA, e por isso ganhou o Nobel da Paz em 1964. Até 1968, quando foi assassinado, ele discursou mais de 250 vezes pela igualdade, incluindo aí seu famoso discurso, feito em Washington, em 1963: “Tenho um sonho que meus quatro filhos viverão, um dia, em um país onde não sejam julgados pela cor de sua pele, e sim por seu caráter”.
Outros nomes, como Malcolm X e os Panteras Negras, ganharam destaque nos anos 60 pela defesa dos direitos negros, ainda que nem sempre pelos métodos da não-violência pregados por King.
Legislação
Só em 1964, quase 90 anos depois da eleição do negro Blanche Kelso Bruce, o presidente Lyndon B. Johnson aprovou a lei de direitos civis que vale até hoje nos EUA.
A lei proibia a discriminação em lugares públicos e autorizava o governo dos EUA a processar qualquer estado que promovesse a segregação racial. No ano seguinte, o National Voting Rights Act passou a proibir os estados de impor qualquer restrição racial aos eleitores.
Desde então, aos poucos, os negros foram ascendendo na política e na sociedade norte-americana. É o caso de Kwame Kilpatrick, prefeito de Detroit, obrigado a renunciar este ano por conta de um escândalo sexual. Na ocasião da morte de Rosa Parks, o ícone de Montgomery, ele disse: “ao sentar-se [no ônibus], ela promoveu um levante. Só estou onde estou por causa dela”.
Talvez Barack Obama também.
Segregação racial já foi regulada por lei nos Estados Unidos.
Senador negro foi eleito em 1875, mas direitos iguais vieram muito depois.
Martin Luther King, ativista pelos direitos civis, em Washington, no dia em que pronunciou seu discurso 'Eu tenho um sonho'
Barack Obama foi eleito nesta terça-feira (4) o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. A eleição do primeiro negro presidente dos EUA está sendo considerada história, por conta do passado de racismo do país.
Muito antes de Obama ter sido eleito senador dos EUA, em 2004, e presidente, em 2008, o afro-americano Blanche Kelso Bruce conquistou uma vaga no Senado da nação em 1875, representando o estado do Mississippi.
No entanto, naquela época, a eleição de Obama ao comando do país era provavelmente algo inimaginável. “Suponho que a maioria não pensaria ser possível ter um negro na presidência, considerando que os afro-americanos eram linchados e não tinham acesso à terra ou à educação”, disse ao G1 por telefone Diane Batts Morrow, professora de Estudos Afro-Americanos da Universidade da Geórgia.
Isso porque, até menos de 50 anos atrás, os afro-americanos eram segregados por lei nos Estados Unidos.
A segregação racial nos EUA começou a ser legalizada por iniciativa de alguns estados, pouco após a abolição da escravidão, que ocorreu em 1865, com o fim da Guerra Civil Americana.
Leia também: Eleições nos EUA põem em xeque passado de racismo do país
Com as 13ª e 14ª emendas à Constituição, os negros tiveram a escravidão abolida e ganharam, na teoria, a representatividade igual à de um cidadão branco. No entanto, “a partir dos anos 1880 e 1890, começaram a surgir leis que separavam brancos e negros em tudo”, explicou Morrow. No Sul do EUA, onde a escravidão era defendida, essa separação foi mais forte e os direitos civis dos negros, cada vez mais suprimidos. Cada raça passou a ter bairros, escolas, cinemas e transporte próprios. “E, mesmo antes das leis, essa separação já estava incorporada, por hábito, em muitos lugares”, completou a especialista.
Na mesma época da Abolição, nasceu a Ku Klux Klan, organização que defendia a restauração da supremacia branca no país. Em contrapartida, começam a surgir também os movimentos de direitos civis, que durante o século XX tiveram um papel importante no combate à discriminação racial.
Rosa Parks (com Luther King ao fundo), que se recusou a ceder o seu lugar no ônibus para uma pessoa branca (Foto: United States Information Agency/Creative Commons)
O ônibus de Montgomery
Mas iniciativas individuais de alguns cidadãos também foram decisivas para a igualdade racial. É o caso de Rosa Parks, uma costureira de Montgomery, Alabama, que ganhou projeção em 1955.
Naquele ano, ainda valia a separação de brancos e negros nos assentos dos ônibus do Alabama. Aos brancos estavam reservados os assentos da frente e, aos negros, os de trás. Se os assentos estivessem preenchidos e um branco entrasse no ônibus, o negro da fileira mais dianteira deveria levantar e ceder-lhe o lugar.
É o que deveria ter feito Rosa Parks, que voltava do trabalho num ônibus lotado. Mas ela se recusou a ceder o seu lugar a um branco. “Vou ter que mandar prendê-la”, respondeu o motorista do ônibus. “Então faça isso”, disse a costureira.
Na noite em que Parks foi presa, os movimentos de direito civil começaram a articular um boicote ao sistema de ônibus de Montgomery. O episódio teve tanta repercussão que, no ano seguinte, a corte do Alabama declarou inconstitucional a segregação racial nos meios de transporte.
Martin Luther King
O boicote de Montgomery foi organizado na igreja de um pastor batista chamado Martin Luther King, que chegou a ser preso durante o episódio. Ele admirava a idéia da resistência pacifista de Gandhi e os pensamentos de Henry David Thoreau, que defendia o direito a desobedecer leis injustas e más.
Luther King aplicou o método da desobediência civil para pedir leis igualitárias nos EUA, e por isso ganhou o Nobel da Paz em 1964. Até 1968, quando foi assassinado, ele discursou mais de 250 vezes pela igualdade, incluindo aí seu famoso discurso, feito em Washington, em 1963: “Tenho um sonho que meus quatro filhos viverão, um dia, em um país onde não sejam julgados pela cor de sua pele, e sim por seu caráter”.
Outros nomes, como Malcolm X e os Panteras Negras, ganharam destaque nos anos 60 pela defesa dos direitos negros, ainda que nem sempre pelos métodos da não-violência pregados por King.
Legislação
Só em 1964, quase 90 anos depois da eleição do negro Blanche Kelso Bruce, o presidente Lyndon B. Johnson aprovou a lei de direitos civis que vale até hoje nos EUA.
A lei proibia a discriminação em lugares públicos e autorizava o governo dos EUA a processar qualquer estado que promovesse a segregação racial. No ano seguinte, o National Voting Rights Act passou a proibir os estados de impor qualquer restrição racial aos eleitores.
Desde então, aos poucos, os negros foram ascendendo na política e na sociedade norte-americana. É o caso de Kwame Kilpatrick, prefeito de Detroit, obrigado a renunciar este ano por conta de um escândalo sexual. Na ocasião da morte de Rosa Parks, o ícone de Montgomery, ele disse: “ao sentar-se [no ônibus], ela promoveu um levante. Só estou onde estou por causa dela”.
Talvez Barack Obama também.
Leia o discurso completo do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, pronunciado diante de mais de 100 mil pessoas no Grant Park de Chicago
Leia o discurso completo do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, pronunciado diante de mais de 100 mil pessoas no Grant Park de Chicago (Illinois) por volta das 23h locais (3h, horário de Brasília):
"Olá, Chicago!
Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.
Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.
É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.
Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos Estados Unidos da América.
A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.
À melhor equipe de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.
Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.
Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a vitória de vocês.
Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.
Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.
E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.
Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.
Podemos.
EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?
Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América".
"Olá, Chicago!
Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.
Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.
É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.
Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos Estados Unidos da América.
A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.
À melhor equipe de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.
Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.
Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a vitória de vocês.
Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.
Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.
E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.
Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.
Podemos.
EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?
Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América".
4.11.08
Obama: um sonho a ser vivenciado.
Obama: um sonho a ser vivenciado.
O dia de hoje ganha importância histórica independentemente do resultado das urnas norte-americanas,
pela primeira vez o sonho de Martin Luther King e tantos outros arautos da igualdade de
toda a espécie humana projetou a possibilidade de se eleger o primeiro presidente
norte-americano pós-racial.
Os arautos da unicidade da espécie humana, primeiro se debruçaram em provar cientificamente a
falência do discurso racial; outros fundamentados nesta premissa se debruçaram em rever o discurso
fundamentalista-religioso que tentava pôr na divindade a culpa por suas crenças.
Marcado pela luta entre racialistas e pós-racialistas o século XX dividiu nações e famílias
, mas principalmente marcou uma forma de elaborar e implementar políticas públicas
pelo mundo, o século XX foi o século do confronto entre as políticas universalistas e afirmativas.
Sem fazer neste espaço uma análise dos resultados efetivos de ambas as políticas públicas,
podemos dizer sem errar que as políticas afirmativas possibilitaram a realização do sonho,
hoje representado pela figura do Obama.
Mas que sonho Obama representa?
Obama representa o sonho de um mundo novo em que a unicidade da espécie humana, a igualdade de gênero,
a tolerância religiosa, a multicoloridade pigmentar, a livre opção sexual, serão valores aceitos e norteadores da práxis
e das relações humanas.
Não sei se o mundo está preparado para realizar este sonho já a partir de 2008, o que sei é que o mundo pela primeira vez
pode sonhar junto. Pela primeira vez todos e todas que sonhamos com um mundo novo pudemos vê-lo tão próximo,
se ele se concretizará, só as urnas dirão, mas valeu a pena sonhar...
O dia de hoje ganha importância histórica independentemente do resultado das urnas norte-americanas,
pela primeira vez o sonho de Martin Luther King e tantos outros arautos da igualdade de
toda a espécie humana projetou a possibilidade de se eleger o primeiro presidente
norte-americano pós-racial.
Os arautos da unicidade da espécie humana, primeiro se debruçaram em provar cientificamente a
falência do discurso racial; outros fundamentados nesta premissa se debruçaram em rever o discurso
fundamentalista-religioso que tentava pôr na divindade a culpa por suas crenças.
Marcado pela luta entre racialistas e pós-racialistas o século XX dividiu nações e famílias
, mas principalmente marcou uma forma de elaborar e implementar políticas públicas
pelo mundo, o século XX foi o século do confronto entre as políticas universalistas e afirmativas.
Sem fazer neste espaço uma análise dos resultados efetivos de ambas as políticas públicas,
podemos dizer sem errar que as políticas afirmativas possibilitaram a realização do sonho,
hoje representado pela figura do Obama.
Mas que sonho Obama representa?
Obama representa o sonho de um mundo novo em que a unicidade da espécie humana, a igualdade de gênero,
a tolerância religiosa, a multicoloridade pigmentar, a livre opção sexual, serão valores aceitos e norteadores da práxis
e das relações humanas.
Não sei se o mundo está preparado para realizar este sonho já a partir de 2008, o que sei é que o mundo pela primeira vez
pode sonhar junto. Pela primeira vez todos e todas que sonhamos com um mundo novo pudemos vê-lo tão próximo,
se ele se concretizará, só as urnas dirão, mas valeu a pena sonhar...
22.10.08
O Tucano Verde e o segundo turno no Rio, porque votar no Eduardo Paes
A cidade do Rio de Janeiro enfim fez meia culpa e rejeitou nas urnas o reacionário governo do prefeito blogueiro, isso por si seria motivo de comemoração.
Entretanto, como a vida não é feita apenas de coisas boas, as Organizações Globo conseguiu no período final do primeiro turno criar a Onda Tucano-verde.
Para tal, a Globo escondeu do eleitor que o Partido Verde e o PSDB foram importantes pilares de sustentação do governo reacionário do prefeito blogueiro, assim como as transmutações ideológicas por que passou o candidato tucano-verde.
Apresentado como um candidato da esquerda-liberal, gente boa, baluarte da moral e dos bons costumes, gerente da mudança, técnico em gestão do estado, apartidário, lider messiânico, ...
Se não bastasse apresentá-lo como baluarte da ética e da mudança ( ainda que para isso foi preciso esconder todos os colaboradores e formuladores de sua campanha tais como Armínio Fraga, Luiz Paulo, Otávio Leite , ...), foi preciso descaracterizar e inviabilizar as duas campanhas da esquerda socialista carioca, para aproximar os eleitores progressistas e de esquerda para o voto no tucano-verde.
Conseguido o feito de levar o tucano-verde para o segundo turno e cônscios de que a esquerda carioca não se iludiria com a farsa montada desde o primeiro turno, o tucanato-verde vem desde então promovendo a despolitização e a despartidarização do segundo turno, usando para isto inclusive o convencimento de lideranças culturais e políticas de outros estados a apoiarem o tucano verde.
Somente o desconhecimento do nefasto governo reacionário do prefeito blogueiro, dos aliados e formuladores da campanha do tucano-verde, do fato de seu partido ter sido base de sustentação do atual governo permite a estas respeitadas lideranças o apoiarem.
Por isso cabe a nós cariocas e fluminenses em geral que conhecemos e sofremos com os desmandos e com a inoperância do atual governo municipal gritarmos em alto e bom som - os cariocas querem mudança.
Uma mudança séria e responsável, representada por um lider que conheça o conjunto da cidade e da sociedade carioca, seus problemas e angústias, e, que esteja disposto ao diálogo franco para que as soluções dos problemas a serem enfrentados sejam construidas coletivamente.
O Rio precisa de um lider que tenha tamanho amor pela cidade, que una todos e todas que também a amem.
O Rio não precisa de lideres messiânicos, o Rio precisa das pessoas sérias que ao longo dos últimos anos construiram a mudança, o Rio precisa da Jandira, do Molon, do Crivela, enfim, o Rio precisa do Eduardo Paes.
Entretanto, como a vida não é feita apenas de coisas boas, as Organizações Globo conseguiu no período final do primeiro turno criar a Onda Tucano-verde.
Para tal, a Globo escondeu do eleitor que o Partido Verde e o PSDB foram importantes pilares de sustentação do governo reacionário do prefeito blogueiro, assim como as transmutações ideológicas por que passou o candidato tucano-verde.
Apresentado como um candidato da esquerda-liberal, gente boa, baluarte da moral e dos bons costumes, gerente da mudança, técnico em gestão do estado, apartidário, lider messiânico, ...
Se não bastasse apresentá-lo como baluarte da ética e da mudança ( ainda que para isso foi preciso esconder todos os colaboradores e formuladores de sua campanha tais como Armínio Fraga, Luiz Paulo, Otávio Leite , ...), foi preciso descaracterizar e inviabilizar as duas campanhas da esquerda socialista carioca, para aproximar os eleitores progressistas e de esquerda para o voto no tucano-verde.
Conseguido o feito de levar o tucano-verde para o segundo turno e cônscios de que a esquerda carioca não se iludiria com a farsa montada desde o primeiro turno, o tucanato-verde vem desde então promovendo a despolitização e a despartidarização do segundo turno, usando para isto inclusive o convencimento de lideranças culturais e políticas de outros estados a apoiarem o tucano verde.
Somente o desconhecimento do nefasto governo reacionário do prefeito blogueiro, dos aliados e formuladores da campanha do tucano-verde, do fato de seu partido ter sido base de sustentação do atual governo permite a estas respeitadas lideranças o apoiarem.
Por isso cabe a nós cariocas e fluminenses em geral que conhecemos e sofremos com os desmandos e com a inoperância do atual governo municipal gritarmos em alto e bom som - os cariocas querem mudança.
Uma mudança séria e responsável, representada por um lider que conheça o conjunto da cidade e da sociedade carioca, seus problemas e angústias, e, que esteja disposto ao diálogo franco para que as soluções dos problemas a serem enfrentados sejam construidas coletivamente.
O Rio precisa de um lider que tenha tamanho amor pela cidade, que una todos e todas que também a amem.
O Rio não precisa de lideres messiânicos, o Rio precisa das pessoas sérias que ao longo dos últimos anos construiram a mudança, o Rio precisa da Jandira, do Molon, do Crivela, enfim, o Rio precisa do Eduardo Paes.
7.12.07
" A questão do Racsmo nas obras de Sartre: Refleões sobre a questão judaica e Orfeu Negro"
“A questão do racismo nas obras de Sartre: Orfeu Negro e Reflexões sobre a Questão Judaica” [1].
1. Apresentação
Nestes anos cursando Filosofia aqui na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, um mundo novo se abriu diante de meus olhos. O universo filosófico dado a sua infinitude confunde e assombra.
O desafio de ousar pesquisar uma temática qualquer é fruto de um período angustiante de abandono de infinitas temáticas tão interessantes quanto a escolhida.
Vencida a primeira fase e escolhida a temática vem o momento de reduzir a pesquisa a um problema dentre uma infinidade de problemas que a temática traz em seu bojo.
A escolha da questão do racismo é a segunda parte de uma escolha feita de pesquisar a questão do homem na contemporaneidade.
O que todos devem estar pensando é que o problema do racismo e de sua superação é uma questão para diversas áreas do conhecimento, mas daí a ser uma questão filosófica?
A resposta a esta primeira problematização é o que espero encontrar no desenrolar da minha pesquisa sobre como a questão do racismo tem influenciado a reflexão filosófica sobre o homem.
“Quanto ao motivo que me impulsionou foi muito simples. Para alguns, espero este motivo poderá ser suficiente por ele mesmo. É a curiosidade – em todo caso, a única espécie de curiosidade que vale a pena ser praticada com um pouco de obstinação: não aquela que procura assimilar o que convém conhecer, mas a que permite separar-se de si mesmo. . . Mas o que é filosofar hoje em dia – quero dizer a atividade filosófica – senão o trabalho critico do pensamento sobre o próprio pensamento?...”
(Foucault, Michel. História da Sexualidade II: O uso dos prazeres. Graal. P13)
Cabe ressaltar que este mini-curso destina-se não a responder ou encontrar soluções para a questão do racismo. Este mini–curso destina-se a problematizar ainda mais a questão do racismo, destina-se a ser um alerta a todos que refletem sobre o homem sem se ponderar sobre estas questões.
1. Apresentação
Nestes anos cursando Filosofia aqui na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, um mundo novo se abriu diante de meus olhos. O universo filosófico dado a sua infinitude confunde e assombra.
O desafio de ousar pesquisar uma temática qualquer é fruto de um período angustiante de abandono de infinitas temáticas tão interessantes quanto a escolhida.
Vencida a primeira fase e escolhida a temática vem o momento de reduzir a pesquisa a um problema dentre uma infinidade de problemas que a temática traz em seu bojo.
A escolha da questão do racismo é a segunda parte de uma escolha feita de pesquisar a questão do homem na contemporaneidade.
O que todos devem estar pensando é que o problema do racismo e de sua superação é uma questão para diversas áreas do conhecimento, mas daí a ser uma questão filosófica?
A resposta a esta primeira problematização é o que espero encontrar no desenrolar da minha pesquisa sobre como a questão do racismo tem influenciado a reflexão filosófica sobre o homem.
“Quanto ao motivo que me impulsionou foi muito simples. Para alguns, espero este motivo poderá ser suficiente por ele mesmo. É a curiosidade – em todo caso, a única espécie de curiosidade que vale a pena ser praticada com um pouco de obstinação: não aquela que procura assimilar o que convém conhecer, mas a que permite separar-se de si mesmo. . . Mas o que é filosofar hoje em dia – quero dizer a atividade filosófica – senão o trabalho critico do pensamento sobre o próprio pensamento?...”
(Foucault, Michel. História da Sexualidade II: O uso dos prazeres. Graal. P13)
Cabe ressaltar que este mini-curso destina-se não a responder ou encontrar soluções para a questão do racismo. Este mini–curso destina-se a problematizar ainda mais a questão do racismo, destina-se a ser um alerta a todos que refletem sobre o homem sem se ponderar sobre estas questões.
27.9.07
Socialismo
Tenho acompanhado nos ultimos dias a direite brasileira preocupadissima em refutar que nossas crianças e jovens tenham acesso a informações sobre o Socialismo.
Décadas de livros e intensa massificação da ideologia burguesa não são suficientes na opinião da burguesia para convencer as pessoas, é preciso então fazer calar as vozes distoantes e criticas do sistema.
Acusam os países socialistas de controlarem a informação sobre a ideologia capitalista, mas eles podem calar a voz socialista em todos os lugares, defendem tanto a liberdade de expressão desde que para expressar unicamente os interesses do capital.
Mas nós socialistas temos pelo menos um consolo nesta ardua luta pela emancipação do homem, o capitalismo grita contra si mesmo via suas mazelas.
Precisamos é estar atentos a esta feroz investida que vem sendo feita neste periodo recente na história brasileira, fizeram de tudo para calar o recado que veio das urnas em 2002 e 2006 não comseguiram e agora querem fazer calar nossa voz ao gritarem que o socialismo morreu.
O que morreu lembrando Marx foi o capitalismo cabe-nos enterrá-lo.
Viva o socialismo.
Viva o fim da exploração do homem pelo homem.
Viva a nova sociedade.
Décadas de livros e intensa massificação da ideologia burguesa não são suficientes na opinião da burguesia para convencer as pessoas, é preciso então fazer calar as vozes distoantes e criticas do sistema.
Acusam os países socialistas de controlarem a informação sobre a ideologia capitalista, mas eles podem calar a voz socialista em todos os lugares, defendem tanto a liberdade de expressão desde que para expressar unicamente os interesses do capital.
Mas nós socialistas temos pelo menos um consolo nesta ardua luta pela emancipação do homem, o capitalismo grita contra si mesmo via suas mazelas.
Precisamos é estar atentos a esta feroz investida que vem sendo feita neste periodo recente na história brasileira, fizeram de tudo para calar o recado que veio das urnas em 2002 e 2006 não comseguiram e agora querem fazer calar nossa voz ao gritarem que o socialismo morreu.
O que morreu lembrando Marx foi o capitalismo cabe-nos enterrá-lo.
Viva o socialismo.
Viva o fim da exploração do homem pelo homem.
Viva a nova sociedade.
16.9.07
Renan e a crise ética...
Bem o país esta semana está atônito ante o corporativismo e o cinismo dos representantes dos estados da federação que se macomunaram para absolver um dos seus pares.
O que me indigna não é apenas o conluio que se formou nas nossas Casas Maiores e sim a internalização do conluio e da corrupção que assola nosso país.
Todos estamos indignados com a corrupção nos altos escalões, entretanto poucos de nós se indignam com a corrupção que se inicia no "pulo da roleta dos ônibus", na compra de cd's piratas, no comércio que não emite nota fiscal, ...
A corrupção assola nosso país em todos os níveis e em diferentes níveis de gravidade e somente uma ampla campanha de conscientização e de repúdio a todas as formas de corrupção será suficiente para forjarmos uma nova ética e uma nova cidadania.
Já está na hora de repensarmos nossa forma de vermos e entendermos nossa identidade.
Está mais que na horsa de reinventarmos nossa brasilidade.
A utopia de uma ética socialista persiste, porque o capitalismo corrompe.
O que me indigna não é apenas o conluio que se formou nas nossas Casas Maiores e sim a internalização do conluio e da corrupção que assola nosso país.
Todos estamos indignados com a corrupção nos altos escalões, entretanto poucos de nós se indignam com a corrupção que se inicia no "pulo da roleta dos ônibus", na compra de cd's piratas, no comércio que não emite nota fiscal, ...
A corrupção assola nosso país em todos os níveis e em diferentes níveis de gravidade e somente uma ampla campanha de conscientização e de repúdio a todas as formas de corrupção será suficiente para forjarmos uma nova ética e uma nova cidadania.
Já está na hora de repensarmos nossa forma de vermos e entendermos nossa identidade.
Está mais que na horsa de reinventarmos nossa brasilidade.
A utopia de uma ética socialista persiste, porque o capitalismo corrompe.
30.8.07
Festa de 60 anos do Partido Socialista Brasileiro
Bem de hoje à sabado o Partido Socialista Brasileiro se reune no Distrito Federal para comemorar os seus sessenta anos de luta pelo socialismo.
Herdeiro dos ideais norteadores da Esquerda Democrática, o PSB se consolida enquanto alternativa atual de militância e organização politico-partidária para aqueles que ainda repudiam o capitalismo e almejam o socialismo.
Tal perspectiva não se confunde com o ideal hegemonista de alguns setores de esquerda que veem em sua própria organização a verdadeira e única organização revolucionária.
Antes quando um militante do PSB defende ser sua organização a atual alternativa da esquerda brasileira, está defendendo que diante da inércia causada pela queda do muro de Berlim, nós militantes do PSB continuamos defendendo que a históira ainda nem começou.
A verdadeira história feita e forjada por todos os trabalhadores só triunfará com o advento mundial do Socialismo, pois enqunato um só homem ainda for explorado a luta contra a exploração continuará.
A festa do PSB tem este papel de demonstrar sua viabilidade revolucionaria e também de convocar todas as organizações de esquerda a construção conjunta do Socialismo.
Que avance a Unidade Popular e o Socialismo!!!
Herdeiro dos ideais norteadores da Esquerda Democrática, o PSB se consolida enquanto alternativa atual de militância e organização politico-partidária para aqueles que ainda repudiam o capitalismo e almejam o socialismo.
Tal perspectiva não se confunde com o ideal hegemonista de alguns setores de esquerda que veem em sua própria organização a verdadeira e única organização revolucionária.
Antes quando um militante do PSB defende ser sua organização a atual alternativa da esquerda brasileira, está defendendo que diante da inércia causada pela queda do muro de Berlim, nós militantes do PSB continuamos defendendo que a históira ainda nem começou.
A verdadeira história feita e forjada por todos os trabalhadores só triunfará com o advento mundial do Socialismo, pois enqunato um só homem ainda for explorado a luta contra a exploração continuará.
A festa do PSB tem este papel de demonstrar sua viabilidade revolucionaria e também de convocar todas as organizações de esquerda a construção conjunta do Socialismo.
Que avance a Unidade Popular e o Socialismo!!!
Carta Aberta ao Senador Renan Calheiros por João Alberto Capiberibe
Carta Aberta ao senador Renan Calheiros
João Alberto Capiberibe*
Caro Renan,
Não se aborreça e nem me leve a mal, mas bateu uma vontade incontida de falar um pouco da vida cotidiana do Brasil da planície, que já o aguarda com certa ansiedade.Continuo tocando com entusiasmo minha militância política. Agora, sem as atribuições inerentes ao mandato de senador, que você ajudou a retirar, de mim, com bastante empenho.
Tendo em vista a situação inusitada da instituição que você preside e levando em conta os acontecimentos nos quais você figura com destaque e excepcional desenvoltura, me pergunto se não seria o caso de agradecer o mal que você me causou.
Talvez você, em função da estressante e diversificada responsabilidade política, empresarial e familiar, tenha apagado da memória qualquer registro a meu respeito.Portanto, permita, em poucas palavras, dizer em que momentos nossos caminhos se cruzaram.Sou aquele senador que, antes de completar o 3º ano de mandato, foi expurgado do Senado sem direito a defesa e substituído, com pompa e circunstância por um senador do PMDB, o seu partido. Lembra-se deste episódio?Pelo sim pelo não, melhor garimpar os labirintos da memória.
O PMDB, vinte dias após as eleições de 2002, impetrou recurso junto ao TRE pedindo a cassação do meu mandato e de minha companheira Janete, pela compra de dois votos por R$ 26 cada, pagos em duas suaves prestações. Acusação sustentada por duas testemunhas, que até hoje sobrevivem por conta deste processo. O feito não prosperou e fomos declarados inocentes.
Mas o PMDB recorreu ao TSE. Entrou com um recurso dito “especial” que foi cair nas mãos do então ministro Carlos Veloso. Este senhor, como juiz relator, agindo mais como advogado de acusação e menos como juiz, convenceu seus pares de que eu e minha companheira Janete éramos culpados, reformando a sentença do TRE do Amapá, provendo, por inteiro, o recurso proposto pelo candidato derrotado Gilvam Borges. Por último, relembro um momento raro na história da Casa que você ainda preside e à qual um dia pertenci. Refiro-me a sessão do dia 25 de outubro de 2005. Naquele dia, você avocou para si os poderes da Mesa, do Regimento Interno, da Constituição Federal e do Plenário, fazendo ouvido de mercador aos apelos de cinqüenta e dois senadores e senadoras que se revezaram na tribuna clamando para que eu tivesse respeitado o direito constitucional de defesa, garantido até mesmo aos que cometem crimes hediondos com requintes de crueldade.Você manteve-se inflexível e cassou o meu mandato, para em seguida, em clima festivo e triunfante dar posse ao seu então assessor de gabinete Gilvam Borges. Decisão revertida em menos de 24 horas pelo STF, que considerou sua decisão uma afronta à Constituição Federal e determinou minha reintegração. Você acatou a decisão, mas pressionou a Mesa Diretora a criar um rito sumário de cinco dias para a minha defesa, um prazo inexeqüível para uma mínima investigação. Bem, agora com tudo fresquinho em nossas memórias, vamos ao assunto que gostaria de compartilhar com você.Não resta dúvida, que se trata de um sentimento que poucos ousam confessar, entretanto, como sou franco, admito que sinto uma ponta de inveja ao comparar sua situação de desassossego, com a que tive de enfrentar.Não pretendo descer no varejo dos sentimentos, falemos do que é fundamental para esclarecer as acusações que lhe atingem para comparar com as que me atingiram.A diferença, é que você ganhou o direito de ser investigado pelo Conselho de Ética, pela Polícia Federal e, sobretudo pela imprensa. É sobre esses aspectos que não posso esconder que realmente invejo a sua situação, pois tudo que queria era ser investigado. No entanto não me foi dado esse direito. O Ministério Público Eleitoral não investigou por que, segundo ele, não havia crime, o TRE, por isso, declarou nossa inocência e a imprensa não procurou contar o nosso rebanho, para saber se teríamos bois suficientes para pagar os dois votos, que supostamente eu e minha companheira compramos para nos eleger.No nosso caso, bastou a acusação do candidato derrotado do PMDB para nos cassarem os mandatos. É por isso, que o considero um homem de muita sorte, pois dispõe em abundância de tudo aquilo que você me negou: os meios necessários para provar minha inocência. Para finalizar, me surpreendo pensando em voz alta - se diante daqueles absurdos, cometidos por você, contra mim, tivesse o Senado agido como determina o exercício do poder republicano, certamente não chegaríamos à situação caótica do presente.
Atenciosamente,
(*)Ex-preso político e exilado, ex-prefeito de Macapá, ex-governador do Amapá 1995-2002, ex-senador da República, 3º vice-presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro.
João Alberto Capiberibe*
Caro Renan,
Não se aborreça e nem me leve a mal, mas bateu uma vontade incontida de falar um pouco da vida cotidiana do Brasil da planície, que já o aguarda com certa ansiedade.Continuo tocando com entusiasmo minha militância política. Agora, sem as atribuições inerentes ao mandato de senador, que você ajudou a retirar, de mim, com bastante empenho.
Tendo em vista a situação inusitada da instituição que você preside e levando em conta os acontecimentos nos quais você figura com destaque e excepcional desenvoltura, me pergunto se não seria o caso de agradecer o mal que você me causou.
Talvez você, em função da estressante e diversificada responsabilidade política, empresarial e familiar, tenha apagado da memória qualquer registro a meu respeito.Portanto, permita, em poucas palavras, dizer em que momentos nossos caminhos se cruzaram.Sou aquele senador que, antes de completar o 3º ano de mandato, foi expurgado do Senado sem direito a defesa e substituído, com pompa e circunstância por um senador do PMDB, o seu partido. Lembra-se deste episódio?Pelo sim pelo não, melhor garimpar os labirintos da memória.
O PMDB, vinte dias após as eleições de 2002, impetrou recurso junto ao TRE pedindo a cassação do meu mandato e de minha companheira Janete, pela compra de dois votos por R$ 26 cada, pagos em duas suaves prestações. Acusação sustentada por duas testemunhas, que até hoje sobrevivem por conta deste processo. O feito não prosperou e fomos declarados inocentes.
Mas o PMDB recorreu ao TSE. Entrou com um recurso dito “especial” que foi cair nas mãos do então ministro Carlos Veloso. Este senhor, como juiz relator, agindo mais como advogado de acusação e menos como juiz, convenceu seus pares de que eu e minha companheira Janete éramos culpados, reformando a sentença do TRE do Amapá, provendo, por inteiro, o recurso proposto pelo candidato derrotado Gilvam Borges. Por último, relembro um momento raro na história da Casa que você ainda preside e à qual um dia pertenci. Refiro-me a sessão do dia 25 de outubro de 2005. Naquele dia, você avocou para si os poderes da Mesa, do Regimento Interno, da Constituição Federal e do Plenário, fazendo ouvido de mercador aos apelos de cinqüenta e dois senadores e senadoras que se revezaram na tribuna clamando para que eu tivesse respeitado o direito constitucional de defesa, garantido até mesmo aos que cometem crimes hediondos com requintes de crueldade.Você manteve-se inflexível e cassou o meu mandato, para em seguida, em clima festivo e triunfante dar posse ao seu então assessor de gabinete Gilvam Borges. Decisão revertida em menos de 24 horas pelo STF, que considerou sua decisão uma afronta à Constituição Federal e determinou minha reintegração. Você acatou a decisão, mas pressionou a Mesa Diretora a criar um rito sumário de cinco dias para a minha defesa, um prazo inexeqüível para uma mínima investigação. Bem, agora com tudo fresquinho em nossas memórias, vamos ao assunto que gostaria de compartilhar com você.Não resta dúvida, que se trata de um sentimento que poucos ousam confessar, entretanto, como sou franco, admito que sinto uma ponta de inveja ao comparar sua situação de desassossego, com a que tive de enfrentar.Não pretendo descer no varejo dos sentimentos, falemos do que é fundamental para esclarecer as acusações que lhe atingem para comparar com as que me atingiram.A diferença, é que você ganhou o direito de ser investigado pelo Conselho de Ética, pela Polícia Federal e, sobretudo pela imprensa. É sobre esses aspectos que não posso esconder que realmente invejo a sua situação, pois tudo que queria era ser investigado. No entanto não me foi dado esse direito. O Ministério Público Eleitoral não investigou por que, segundo ele, não havia crime, o TRE, por isso, declarou nossa inocência e a imprensa não procurou contar o nosso rebanho, para saber se teríamos bois suficientes para pagar os dois votos, que supostamente eu e minha companheira compramos para nos eleger.No nosso caso, bastou a acusação do candidato derrotado do PMDB para nos cassarem os mandatos. É por isso, que o considero um homem de muita sorte, pois dispõe em abundância de tudo aquilo que você me negou: os meios necessários para provar minha inocência. Para finalizar, me surpreendo pensando em voz alta - se diante daqueles absurdos, cometidos por você, contra mim, tivesse o Senado agido como determina o exercício do poder republicano, certamente não chegaríamos à situação caótica do presente.
Atenciosamente,
(*)Ex-preso político e exilado, ex-prefeito de Macapá, ex-governador do Amapá 1995-2002, ex-senador da República, 3º vice-presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro.
14.8.07
Bloco de Esquerda
Na próxima segunda será o lançamento do bloco de Esquerda no Estado do Rio de Janeiro. Momento impar para a politica em nosso estado.
Carecemos a muito tempo de uma alternativa séria e comprometida, capaz de aglutinar os setores progressistas de nosso estado em torno da construção de uma perspectiva nova de construção e do fazer politico.
Num momento em que nacionalmente nossas casas legislativas maiores repensam seus papeis e finalidades, cabe ao estado que por muito tempo foi o centro do espectro politico nacional repensar sua intervenção e atuação politica.
Precisamos criar altenativas as casas legislativas e executivos municipais de nosso estado, de forma a criar uma alternativa ao estacionismo em que se encontra o Rio de Janeiro, que apesar de ter dado um importante salto na ultima eleição executiva manteve o atraso em sua casa legislativa estadual.
Somente a conversa fraterna entre os partidos que compõem o bloco em nosso estado, aliado a um chamamento ao Partido dos Trabalhadores para se unir a este projeto poderá refletir numa alternativa séria e transformadora.
Que o dia 20 de agosto possa se tornar num passo importante rumo a construção do Socialismo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Carecemos a muito tempo de uma alternativa séria e comprometida, capaz de aglutinar os setores progressistas de nosso estado em torno da construção de uma perspectiva nova de construção e do fazer politico.
Num momento em que nacionalmente nossas casas legislativas maiores repensam seus papeis e finalidades, cabe ao estado que por muito tempo foi o centro do espectro politico nacional repensar sua intervenção e atuação politica.
Precisamos criar altenativas as casas legislativas e executivos municipais de nosso estado, de forma a criar uma alternativa ao estacionismo em que se encontra o Rio de Janeiro, que apesar de ter dado um importante salto na ultima eleição executiva manteve o atraso em sua casa legislativa estadual.
Somente a conversa fraterna entre os partidos que compõem o bloco em nosso estado, aliado a um chamamento ao Partido dos Trabalhadores para se unir a este projeto poderá refletir numa alternativa séria e transformadora.
Que o dia 20 de agosto possa se tornar num passo importante rumo a construção do Socialismo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
27.7.07
Quilombos, um grito por liberdade e igualdade em terras brasileiras
Em recente artigo publicado no Jornal O Globo o professor Dennis Rosenfield pergunta a que interessa a demarcação das terras quilombolas e defende que estão sendo criados novos quilombos no Brasil.
Bem os Quilombos são uma experiência única na história do Brasil, de união de brasileiros excluidos pelo sistema capitalista em torno da coletivização do trabalho, da moradia e do direito a preservação da vida.
Num momento histórico onde a posse de terras determinava a condição política e a humanidade das pessoas, os quilombos representaram uma ameaça ao sistema instituido. Formado por brasileiros das mais diferentes matizes étnicas e cor da pele, o que unificava estas pessoas era o grito por uma nova sociedade.
Este projeto inovador de sociedade representou grande perigo ao sistema segregador e desumano do Brasil Colonial, recebendo ataques profundos da frágil e incipiente burguesia-agrária nacional.
Com a rejeição oficial da escravatura enquanto pilar fundante de nossa economia, os quilombos tiveram um pouco de paz para continuarem a existir.
O que não significou o fim dos ataques da burguesia-agrária nacional a este sistema de proteção a vida. Se antes os ataques da burguesia-agrária se fundamentavam no fato dos quilombos serem constituidos majoritariamente por negros fujões, agora o ataque passa a se fundamentar na ilegalidade das terras quilombolas.
Como poderia a burguesia-agrária aceitar comunidades agrárias que por sua mera existência já significam a rejeição do modelo capitalista de organização da sociedade.
Como aceitar que um pequeno grupo de descendentes de escravos possam possuir terras e sobreviver a margem do nefasto e excludente sistema agrário nacional.
Como aceitar que existam comunidades agrárias livres da especulação e das investidas concentracionistas da burguesia-agrária.
E se todos os campesinos brasileiros começarem a questionar o sistema concentrador agrário brasileiro e começarem a exigir um novo modelo para o campo?
Bem a única forma de eliminar a possibilidade de tomada de consciência de todos os campesinos brasileiros e da revolução do campo é destruir esta forma comunitária e revolucionária de organização.
Por isso a burguesia-agrária brasileira via seus representantes intelectuais precisa introjetar na sociedade brasileira em geral uma consciência contrária a legalização desta forma de organização. O ataque aos quilombos é na verdade um ataque a toda e qualquer forma de organização que demonstre ser possível viver um sistema incluivo e comunitário onde todo e qualquer um recebe segundo sua capacidade e necessidade, onde tudo é de todos.
Os quilombos são a prova de que uma sociedade onde não haja explorados e nem exploradores é possível.
VIVA O SOCIALISMO!
VIVA OS QUILOMBOS!
OUTRO MUNDO É POSSIVEL!
Bem os Quilombos são uma experiência única na história do Brasil, de união de brasileiros excluidos pelo sistema capitalista em torno da coletivização do trabalho, da moradia e do direito a preservação da vida.
Num momento histórico onde a posse de terras determinava a condição política e a humanidade das pessoas, os quilombos representaram uma ameaça ao sistema instituido. Formado por brasileiros das mais diferentes matizes étnicas e cor da pele, o que unificava estas pessoas era o grito por uma nova sociedade.
Este projeto inovador de sociedade representou grande perigo ao sistema segregador e desumano do Brasil Colonial, recebendo ataques profundos da frágil e incipiente burguesia-agrária nacional.
Com a rejeição oficial da escravatura enquanto pilar fundante de nossa economia, os quilombos tiveram um pouco de paz para continuarem a existir.
O que não significou o fim dos ataques da burguesia-agrária nacional a este sistema de proteção a vida. Se antes os ataques da burguesia-agrária se fundamentavam no fato dos quilombos serem constituidos majoritariamente por negros fujões, agora o ataque passa a se fundamentar na ilegalidade das terras quilombolas.
Como poderia a burguesia-agrária aceitar comunidades agrárias que por sua mera existência já significam a rejeição do modelo capitalista de organização da sociedade.
Como aceitar que um pequeno grupo de descendentes de escravos possam possuir terras e sobreviver a margem do nefasto e excludente sistema agrário nacional.
Como aceitar que existam comunidades agrárias livres da especulação e das investidas concentracionistas da burguesia-agrária.
E se todos os campesinos brasileiros começarem a questionar o sistema concentrador agrário brasileiro e começarem a exigir um novo modelo para o campo?
Bem a única forma de eliminar a possibilidade de tomada de consciência de todos os campesinos brasileiros e da revolução do campo é destruir esta forma comunitária e revolucionária de organização.
Por isso a burguesia-agrária brasileira via seus representantes intelectuais precisa introjetar na sociedade brasileira em geral uma consciência contrária a legalização desta forma de organização. O ataque aos quilombos é na verdade um ataque a toda e qualquer forma de organização que demonstre ser possível viver um sistema incluivo e comunitário onde todo e qualquer um recebe segundo sua capacidade e necessidade, onde tudo é de todos.
Os quilombos são a prova de que uma sociedade onde não haja explorados e nem exploradores é possível.
VIVA O SOCIALISMO!
VIVA OS QUILOMBOS!
OUTRO MUNDO É POSSIVEL!
5.6.07
TESE DIRETAS JÁ NA UNE
TESE
DIRETAS JÁ NA UNE
“O capitalismo representa a morte, pois destrói o planeta e o socialismo simboliza a vida”
(Roberto Amaral)
Tese ao 50º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE)
De 04 à 08 de julho de 2007 – Brasília- DF
Conjuntura Internacional
“Missionários de um mundo pagão, proliferando ódio e destruição... assim caminha a raça humana, se devorando um a um” (Uns e Outros)
O acirramento da luta contra o imperialismo pelo mundo, e o fiasco da intervenção dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque, bem como a intensa denúncia de suas nefastas conseqüências para os povos envolvidos, tem tomado conta até do Parlamento norte-americano.
No Oriente Próximo, a denúncia do caráter fascista do governo israelense tem feito com que sua população exija uma nova proposta de negociação que passe pelo reconhecimento da autodeterminação do povo palestino. Os povos africanos exigem da ONU uma ação mais eficaz no combate à miséria e à tensão militar que assola o continente, sem que isto signifique intervenções militares ou desrespeito à sua soberania.
Na América Latina, segue em curso o levante das massas oprimidas contra o projeto neoliberal que tanto faz mal ao continente. A via eleitoral garantiu vitórias importantes, de governos de caráter nacionalistas e populares, bem como a perspectiva de construir por parte destes povos uma agenda comum que permita o crescimento e desenvolvimento econômico-social da região. Deste modo essa nova pauta assegura o desenvolvimento de todos, isto quer dizer, que o crescimento de um não pode significar a miséria dos demais.
O nosso compromisso com a luta contra o imperialismo não pode nos cegar diante do caráter fundamentalista-islâmico de alguns grupos de resistência ao Império americano e seus aliados. Precisamos chamar estes grupos para uma construção baseada na tolerância, autodeterminação dos povos, responsabilidade ecológica e combate a toda forma de opressão, enfim ganhá-los para a idéia de um mundo onde não haja opressores e oprimidos.
Nossas vozes devem chegar a cada pessoa do mundo, fazendo a defesa de nossas históricas bandeiras de forma contundente. Deste modo podemos contrapor a ofensiva da direita neoliberal que nos países europeus usam argumentos fundamentalistas e xenófobos para atacar e calar o grito por uma nova ordem social, política e econômica que passa pela construção de uma Europa mais tolerante e inclusiva.
Neste cenário ainda podemos observar a intensificação da “guerra contra o terrorismo” capitaneada pelos americanos do Norte, que em nome desta “cruzada” fazem todo tipo de genocídio. No campo econômico pretende a todo custo construir a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) para impor sua hegemonia sobre nosso continente. Se observarmos atentamente, a recente perambulação de míster Bush com uma mísera sacolinha pela América Latina, chegaremos a conclusão que seu único objetivo era ressuscitar a já enterrada ALCA.
No entanto, a agenda que queremos construir deve garantir a busca por novas matrizes energéticas que garanta a preservação do planeta bem como o abandono progressivo por todos os países das matrizes energéticas poluentes. No plano comercial, devemos buscar uma nova relação comercial que permita a inclusão dos países ditos em desenvolvimento, de forma a garantir uma equânime (igualdade) distribuição de renda entre seus habitantes e a melhoria da qualidade de vida resguardada a preservação ambiental.
Nossa pauta passa pela centralidade do pleno desenvolvimento de cada ser humano, respeitadas as diferenças de etnia, cor, gênero, orientação sexual, religião, opção ideológica, novas formas familiares e quaisquer outras diferenças individuais que não prejudiquem a coletividade. Sendo resultante o combate a todas as formas de discriminação e opressão que tanto assolam, assassinam e impedem a construção de um mundo novo.
Conjuntura Nacional
“... É que Zé põe a boca no mundo, é que faz um discurso profundo, ele quer ver o bem da favela, está nascendo um novo líder...” (Lecy Brandão)
No primeiro mandato que se encerrou em dezembro 2006, o Governo Lula não obteve condições políticas, mesmo em seu início, para efetuar boa parte das mudanças prometidas em campanha. A necessidade de realizar uma política de coalizão, trazendo para o governo legendas que não estão, de maneira nenhuma, preocupadas com a transformação e a justiça social. Isto comprometeu, mas não acabou com o projeto inicial traçado pelo campo popular brasileiro, que deve ser retomado de forma concreta nestes próximos 04 anos.
Contudo, se somos contrários ao simplismo das críticas do tipo “Lula, Banqueiros e FMI”, nem de longe nos eximimos de questionar e expor nosso ponto de vista. Não defendemos alguns pontos da Reforma Universitária; a lentidão e o mau uso das verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB); a proposta de Reforma Trabalhista (caso aprovada com o texto atual trará perdas enormes aos trabalhadores) e Sindical; a lei antigreve (que busca asfixiar os movimentos sociais); a controversa e ortodoxa política econômica que asfixia o setor produtivo nacional-desenvolvimentista, e claro, nenhuma prática corrupta deste governo ou dos anteriores.
Sendo assim, as CPMIs devem apurar todos os fatos, sem uso da máquina do governo para barrar investigações, assim como a não utilização de forma irresponsável como palanque político. Como fez e faz as forças conservadoras de direita do país capitaneadas pelo PSDB e DEM (antigo PFL), ávidas por voltarem ao governo central do país. Defendemos apurações sérias e inclusive que se comece pelas escandalosas privatizações da era FHC.
No entanto, o Governo Federal, ao mesmo tempo em que avança e se democratiza, ainda não consegue romper com uma política econômica equivocada, por ter em seu seio o convívio das mais diversas forças políticas e muitas contradições acerca de que projeto seguir.
Por isso, é preciso compreender a conjuntura, afinal, não é fácil romper com praticamente 500 anos de dominação e escravidão aos quais o Brasil foi submetido. Devemos saber diferenciar o jogo sujo das elites, que tentam à toda hora desestabilizar o Governo Lula, especialmente, através dos meios de comunicação e de seu poder econômico.
A vitória de Lula para o segundo mandato, somente aumenta e aprofunda a sua responsabilidade de intensificar o projeto mudancista, afinal a sabedoria popular conseguiu barrar a volta dos tucanos e sua corja ao governo federal.
Por isso essa segunda oportunidade dada à esquerda brasileira, não pode ser desperdiçada e deve ser encarada como a aprovação nas urnas do primeiro mandato, e um novo voto de confiança para que possamos, a partir de agora, avançar ainda mais, construir uma pauta de desenvolvimento no caminho para garantir um salário mínimo digno e que o pleno emprego não seja apenas discurso, mas uma realidade.
Esperamos que a economia brasileira ganhe novos rumos, trazendo benefícios NÃO aos banqueiros e grandes empresários, mas SIM, a imensa maioria da população que com muita esperança votou, e ainda forma a base de apoio a Lula. Desta forma possa abrir as condições para a geração de trabalho; investimento em infra-estrutura; e aumente de forma relevante os investimentos em áreas essenciais como educação, saúde, habitação, ciência e tecnologia, entre outras.
Neste sentido, a Tese Diretas Já, não abre mão da mobilização popular como impulsionador das mudanças. A UNE, UBES, MST, CUT, e diversas outras entidades precisam elaborar uma agenda política única de ação que jogue um papel determinante na construção desta nova pauta de desenvolvimento do país. Sem o povo nas ruas as mudanças e transformações não virão!
Por isso tudo propomos:
1. Independência da UNE frente ao Governo Lula, conclamando-o à responsabilidade de fazer as mudanças prometidas ao povo brasileiro;
2. Contra o monetarismo e a ortodoxia da área econômica do Governo Lula. Em defesa de uma política econômica Nacional-Desenvolvimentista;
3. Contra a Lei Antigreve de Lula;
4. Contra Emenda 3;
5. Diminuição da taxa básica de juros e das metas de superávit primário já!
6. Contra qualquer reforma que ataque às conquistas históricas dos trabalhadores;
7. Não à autonomia do Banco Central!
8. Amazônia é patrimônio dos brasileiros e da América Latina! Soberania e desenvolvimento sustentável;
9. Por uma campanha nacional em 2007/2008 pela defesa da realização do Plebiscito Oficial da ALCA;
10. Por uma Reforma Urbana, Rural e Agrária que atenda à demanda da população brasileira;
11. Fortalecer a intervenção da UNE na Seção Nacional da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS).
12. Lugar de corrupto é na cadeia! Apuração das denúncias no âmbito Federal, Estadual e Municipal;
13. Pela retirada das tropas brasileiras do Haiti;
14. Pela construção de uma campanha Nacional em defesa da Amazônia Azul, pela soberania nacional e pelo uso e desenvolvimento sustentável das suas riquezas.
Movimento Estudantil
“Um belo dia resolvi mudar, e fazer tudo o que eu queria fazer...” (Rita Lee)
Por uma UNE de luta, combativa, democrática e nas salas de aula!
A União Nacional dos Estudantes (UNE) tem sido grande protagonista das lutas por um país livre, soberano e democrático. Podemos observar seu destacado e pioneiro papel na campanha do Petróleo é nosso, na resistência à ditadura militar, no impeachment do presidente Fernando Collor, na resistência a agenda neoliberal tucana, dentre inúmeras outras lutas de nosso povo.
No entanto, este histórico relevante no cenário Nacional, não impediu que a UNE ao longo dos anos se tornasse um mero espaço de luta entre as diversas correntes, pelo controle e aparelhamento da entidade, o que provocou um distanciamento das salas de aula e dos estudantes.
A saudável disputa pelos rumos e concepções do movimento estudantil que aquecia os pátios, auditórios, salas de aula e lanchonetes das Instituições de Ensino Superior (IES) para convidar os estudantes ao debate de idéias se reduziram e se tornaram um mero exercício de retórica, nas plenárias finais dos encontros e congressos, sem o menor compromisso com a realidade da universidade brasileira.
Após anos de muitas críticas feitas por diversas correntes que nunca aceitaram essa deturpação do papel de nossa entidade, a força hegemônica da UNE, finalmente reconheceu que era preciso rediscutir o papel e os processos de construção dos fóruns estudantis.
Este fato estabeleceu uma grande expectativa no sentido de uma mudança de rumo no movimento universitário que poderia abrir caminhos e a possibilidade da ampliação da participação dos estudantes nas decisões, num processo direto de eleição da diretoria e da política da UNE.
As eleições diretas para diretoria da UNE apoiaria na construção de uma nova prática estudantil. Os líderes e candidatos a direção da UNE, seriam forçados a encarar o debate olho no olho com os estudantes brasileiros para apresentar suas opiniões, o que na nossa visão provocaria uma nova forma de atuação.
Na contramão das expectativas, o CONEB da UNE aprovou um complexo processo em que se fará uma eleição direta nas universidades de delegados ao congresso que elegerá de forma indireta a diretoria da UNE. Mesmo sabendo que este modelo que foi testado no processo de construção do 50º CONUNE não é o ideal, mas acreditamos que ele sinaliza uma mudança de postura do movimento estudantil brasileiro de querer se transformar.
As eleições ao mesmo tempo em todas as universidades brasileiras, nos primeiro momento, podem ser encaradas como uma grande confusão. No entanto, os reflexos do debate sobre a UNE neste pleito que tomou conta das IES do Brasil serão visto dentro em breve. Ao sair da burocracia e do modelo anterior, o M.E. experimenta mudanças de costumes que farão muito bem para renovação dos dirigentes estudantis.
O próximo passo é ousar construir a eleição direta de sua diretoria! O estudante quer votar: Diretas já!
Diretas já na UNE e UEE!
“Pra pedir silêncio eu berro, pra fazer barulho eu mesmo faço...” (Rita Lee)
Diretas Já! Este era o lema dos movimentos sociais em 1984, no agitado processo de redemocratização do país. A população, naquele importante período de rediscussão sobre as instâncias de poder no Brasil procurou uma forma de intervenção direta nos rumos políticos, queriam eleger o Presidente da República.
As movimentações de jovens, partidos políticos, trabalhadores, intelectuais, entre outros setores que construíram o Movimento das Diretas Já levou a reações imediata dos seus opositores. De forma geral, às críticas surgidas, eram na sua grande maioria pouco embasadas, e se sustentavam na argumentação de que as Eleições Diretas seriam uma “solução mágica” e “fantasiosa” para resolver os problemas brasileiros.
Para eles, estávamos sendo movidos pela idéia equivocada que a maior participação possível de pessoas representadas (povo) seria fundamental para melhorar nossas instituições. Segundo nossos adversários isso era o “democratismo” e a utilização dos “discursos fáceis”.
No Congresso Nacional, a emenda Dante de Oliveira que propunha as Eleições Diretas foi negada pelos votos dos Deputados. Já nas ruas, o sentimento democrático estava instalado no povo, o que contribuiu de forma decisiva para que Tancredo Neves fosse eleito com ampla maioria no Colégio Eleitoral.
Demonstrarmos neste breve histórico acima, que embora em um dado momento da história, quando estruturas possam ser dominadas por práticas danosas, podemos a partir da pressão popular reverter está situação. No caso das Diretas já, o que parecia a princípio derrota, se transformou em vitória popular, afinal a alternativa, o troco veio pelas BASES de representação.
No Movimento Estudantil (M.E.) universitário, após uma mal sucedida tentativa (anos 80) de implementação das eleições diretas para a diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE), foi adotado um sistema de eleição de sua diretoria, que ao longo do tempo se tornou viciado e amoral. Onde a maioria dos estudantes desconhecia totalmente ou apenas ficam sabendo por alto das atividades e lutas impulsionadas pela UNE.
Ao propor a eleição indireta para escolha da Diretoria da UNE, sem um amplo debate das formas de garantir a lisura e a legitimidade do processo, permitiu-se às distorções do processo e a transformação dos Congressos, antes um espaço de debate e formulação, num fórum eleitoreiro e politicamente esvaziado.
O antigo modelo de escolha dos delegados ao Congresso pressupunha os mecanismos de eleição em urna ou assembléia. Entretanto, o que se via de fato, eram assembléias, digo, passagens em salas para a mera coleta de assinaturas, sem fazer se quer algum debate de teses. Assim, o processo de escolha de delegados se tornou uma disputa, não entre quem tem melhores propostas, mas sim, os que conseguem recolher mais assinaturas.
Defendemos com muita certeza as Eleições Diretas para todas as entidades estudantis e combatemos de todas formas qualquer visão simplista que possa vir com esta proposta. Assim como, as críticas mal formuladas de quem ou quer manter o M.E. como está ou quer aumentar ainda mais a sua burocracia.
Nossa defesa das Diretas no movimento estudantil não passa por um mero entendimento que a votação direta dos estudantes na direção da UNE sozinha aumentará sua legitimidade e representatividade. Nós da Tese DIRETAS JÁ NA UNE pensamos que qualquer alteração deve vir no sentido de estimular a criação e fortalecimento da rede estudantil (CAs, DCEs, UEEs, Executivas de Curso...) em suma, a participação da ampla maioria dos estudantes. Ao nosso ver, na atual conjuntura, a votação Direta dos estudantes caminha para isso.
Por tudo isso propomos:
Eleições Diretas para diretoria da UNE! O estudante quer votar!
Congresso para apresentação e debate dos programas das Chapas.
CONEG e CEEG como data limite para inscrição de chapas às eleições diretas.
Comissão eleitoral eleita no CONEG ou CONEB da UNE.
Comissão eleitoral composta por DCEs e CAs.
Manutenção do Congresso como forma de permitir maior debate no M.E.!
7. Por um movimento estudantil combativo, plural e de massa;
Defesa da Unicidade do M.E;
Democratizar os espaços de debates e fóruns do M.E.! Por um reforma geral imediata!;
Construir uma ampla campanha de construção fortalecimento dos Centros Acadêmicos (CAs);
Realização bianual do Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB);
Apoiar na reconstrução da Sede história da UNE, na Praia do Flamengo recentemente retomada;
Fortalecer a comunicação na UNE com a volta do Jornal mural “Nexo” e estabelecer novas ferramentas de diálogo com os estudantes e com a rede estudantil;
Transparência na gestão financeira. Dar prosseguimento a prestação de Contas periódicas no sítio da UNE;
Construir uma ampla campanha pela redução das mensalidades e pela liberdade e acesso nas universidades das planilhas de custos.
Educação
“Eu to indo mal na escola a culpa é sua...”
(Antônio Marques e Carlos Marques)
Vivemos em dias que a maioria dos políticos dizem que suas prioridades são a defesa da educação, quem nos dera que estes discursos se refletissem na prática. Temos que reconhecer que houve nos últimos anos, um avanço na área educacional como a ampliação da distribuição gratuita de livros didáticos para o ensino médio feitos pelo governo federal e o aumento do número de crianças na rede básica de ensino, mas todos estes avanços são muito tímidos.
Observamos que o descaso com a escola pública nos três níveis de governo é notório. Na rede municipal a situação é muito grave, encontram-se facilmente alunos que se formam na oitava série, sem saber fazer conta de dividir, sem saber interpretar um simples texto.
A estrutura da educação pública vem ano após ano sendo destruída, sucateada e jogada à sua própria sorte. Escolas abandonadas com prédios históricos caindo aos pedaços e a desvalorização dos profissionais da área de educação são alguns dos imensos problemas da escola pública brasileira.
Nós acreditamos que educação deve se tornar uma real prioridade dos governantes, um bom começo seria a implementação correta do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) que é fundamental para o fortalecimento da educação básica. Outro importante passo seria o fim da aprovação automática e dos ciclos básicos nas redes municipais como são propostos hoje. Precisamos observar que, torna-se necessário também a garantia da prática desportiva de cidadania e de cultura para a formação dos estudantes.
Entendemos a necessidade de uma política clara de nação voltada para escola pública não é um capricho, sim uma necessidade para que possamos alcançar um projeto de desenvolvimento nacional. Podemos começar pelo FUNDEB e pelo PAC Educacional como instrumentos importantes na formação dos estudantes secundaristas.
Plano de Desenvolvimento da Educação (PED)
Em especial na década de 90, o país fez um grande alarde sobre políticas educacionais, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) inspirador do atual Fundeb, que ampliavam em larga escala a presença dos jovens no ensino fundamental. Hoje, como resultado de tais políticas o Brasil atinge uma meta de quase 97% de alunos mantidos no ciclo básico. Entretanto, em termos qualitativos as escolas brasileiras encontram-se muito aquém de suas possibilidades.
Em 2003, o Brasil ocupava o último lugar no ensino de matemática dos 30 países medianos da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE). Era então preciso colocar em curso um programa que pudesse garantir a meta do acesso à educação fundamental, independente da qualidade oferecida, para que se propagasse a idéia de igualdade inicial de condições na competição por espaços no mercado. Observamos nesta proposta a afirmação da política neoliberal mostrando sua face.
O Plano de Desenvolvimento da Educação (PED), conhecido pela grande mídia como o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) da educação, um similar ao apresentado na área econômica caminhar em sentido oposto. Embora pareça tímido em suas proposições, não desconsidera a realidade do ensino no Brasil. Prevê até 2021, que o Índice de Desenvolvimento Básico (Ideb), que se encontra em 3,8 numa escala de 10 pontos, seja elevado para seis, índice da maioria dos países em desenvolvimento.
O PED trata a educação como um todo, isto é, começa na pré-escola e chega até a universidade, sendo que a qualidade de cada ciclo depende do sucesso do anterior. Tem ainda a preocupação de respeitar as diversidades de cada município que, através do Ideb, poderá ser bem entendido.
Além disto, haverá um grupo de consultores que ao percorrer as escolas do país, formulando sempre para definir metas de aumento na qualidade educacional. O texto prevê ainda, o investimento de cerca 1 bilhão de reais até o final de 2007 para as escolas com os piores indicadores nos municípios. A informatização das escolas e o aumento do piso salarial dos professores também são abordados, demonstrando a preocupação com a construção de um projeto consistente.
Agora temos que acompanhar esta proposta, ver se os investimentos prometidos serão mesmo alocados nas escolas e, se tais políticas públicas fora do papel funcionarão. Afinal não adianta pensarmos a reforma da universidade brasileira sem mudar toda a base da pirâmide educacional.
Por tudo isso propomos:
1. Defesa da escola pública, gratuita e de qualidade;
2. Por uma nova escola libertária e transformadora;
3. Pela valorização dos professores e funcionários;
4.Contra os aumentos abusivos nas escolas particulares;
5. Pelo fim da caixa-preta das escolas particulares, liberdade de planilha de custo para toda comunidade escolar;
6. Pela aplicação correta dos recursos do Fundeb;
7. Livre organização do movimento estudantil. Fortalecer as entidades com garantia de espaços físicos, presença nos colegiados e acesso livres as salas de aulas;
8. Contra qualquer tipo cobrança de taxas.
Universidade
“A universidade deve pintar-se de negro, mulato, operário e camponês! A educação é um direito, pois todo estudante conclama a sua vez!”
(Che Guevara)
O movimento estudantil, ao longo de sua história, nunca recusou nenhum convite à mobilização em defesa dos interesses dos estudantes. Não é por mero acaso, que luta há décadas por uma reforma urgente e necessária da Universidade e do sistema educacional brasileiro. Após anos na resistência ao projeto de estrangulamento e asfixia das verbas das universidades públicas e de desregulamentação das universidades pagas, a chegada de Lula à Presidência, marca um novo momento de diálogo e de abertura para as mudanças que o Movimento Estudantil e os movimentos de educação historicamente sempre defenderam.
O nosso ensino superior atual é produto de uma reforma realizada pelo governo dos militares e aprofundada na última década pela implantação da política neoliberal e da orientação do Banco Mundial para o Ensino Superior na América Latina. A herança que o Governo FHC e Paulo Renato deixaram foi o desmonte das Universidades Públicas e a abertura inescrupulosa de cursos nas instituições privadas, chegando aos escandalosos dados divulgados no final do ano passado pelo MEC, de que 81% dos estudantes universitários estão na rede particular.
A subserviência ao projeto das grandes potências de dominação econômica da “era FHC” foi muito dura para o Ensino Superior. Ao invés de encarar a Universidade como o centro estratégico de um projeto de desenvolvimento nacional, com soberania e independência, resolveu seguir na íntegra a receita de cortes nas verbas, nenhum investimento nas estruturas de laboratórios, bibliotecas e equipamentos, sem falar que durante todo o seu mandato não houve concurso para corpo docente das universidades federais.
Neste contexto, o Governo Lula enfrentou muitas dificuldades para reverter esse quadro de coma profundo que se encontrava a Universidade. Devagar, mas com serenidade e cautela, vem mudando esta situação e colocou na ordem do dia o debate sobre a reforma da universidade.
Após meses de muitas preocupações sobre quais pilares serviriam como base para a reforma proposta, o MEC, nos primeiros dias de dezembro 2004, apresentou enfim a 1ª versão do Anteprojeto de Lei. Desde então promove debates, mesas redondas, colóquios e diálogo direto com as entidades da área (UNE, UBES, FASUBRA, CONTEE e CNTE), além de receber suas contrapropostas.
A primeira versão do ante-projeto nos trouxe alívio e uma mudança de concepção do governo, que até então tinha lançado documentos produzidos por um Grupo Interministerial criado, que apresentava uma reforma de cunho conservador. Mas a pressão do movimento estudantil e da comunidade acadêmica conseguiu colocar o projeto no rumo correto de valorizar as universidades, para que possam cumprir papel decisivo na soberania, independência e no novo projeto nacional.
Por outro lado, nos meses seguintes os donos de instituições pagas reagiram de forma feroz contra o projeto elaborado pelo MEC o que provocou a segunda e terceira versões e culminou no projeto final que tem um cunho mais conservador. Preocupados com a regulamentação do ensino privado, que é marca presente no primeiro documento de Reforma Universitária, os tubarões do ensino fizeram uma pressão gigantesca para não perderem seus lucros exorbitantes e para continuarem sem nenhuma forma de controle.
Depois de muito tempo de luta, debates e pressão dos mais diferentes grupos o Governo resolveu enviar ao Congresso Nacional o Projeto de Lei n 7.200/06(Projeto de Reforma Universitária) que foi apensado com os projetos PL nº 4.212/04, 4.221/04 e 7398/06. Em março corrente foi aprovada uma Sub-comissão Especial para tratar dos quatro projetos de lei e das trezentas e sessenta e oito emendas feitas pelo Plenário da Câmara.
O caráter conservador da composição da comissão aliado ao caráter privatizante da maioria das emendas e dos PL 4.212/04 e 4.221/04 exige grande mobilização do conjunto dos movimentos de educação pela manutenção dos avanços já incorporados, bem como lutar pelos avanços necessários a construção de uma Nova Universidade. Temos que ficar vigilantes, pois o Relator a ser escolhido deverá na sua Relatoria acolher todos os projetos e emendas apensados ao projeto do Executivo o que a depender de nossa mobilização e pressão caracterizará a o caráter da Reforma.
Por tudo isso propomos:
1. Pela defesa intransigente do caráter publico, da gratuidade e da qualidade nas instituições superiores federais, estaduais e municipais (Universidades Públicas);
2. Por um rigoroso controle pelo Ministério da Educação das Instituições Superiores de Ensino de Direito Privado (Universidades Pagas), bem como de novas Instituições;
3. Pela indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão;
4. Pela autonomia didático-pedagógica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial das Instituições de Ensino Superior;
5. Pela paridade entre docentes, técnicos e discentes na composição dos colegiados superiores;
6. Pela eleição direta e universal dos colegiados superiores;
7. Contra a entrada de Capital Externo no Sistema Superior de Ensino;
8. Ampliação imediata das vagas e criação de cursos noturnos em todas as Instituições Públicas de Ensino Superior;
9. Tornar a indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão critério inalienável para a existência das Instituições de Ensino Superior de Direito Privado;
10. Livre organização do Movimento Estudantil. Garantir espaços físicos, presença nos colegiados e livre acesso as salas de aula;
11. Ampliação do Programa Universidade para Todos (PROUNI);
12. Garantia de acesso e permanência aos estudantes originários de políticas afirmativas na Universidade;
13. Redefinição dos critérios etários para bolsistas de iniciação cientifica, mestrado e doutorado;
14. Por um Plano Nacional de Assistência Estudantil;
15. Contra a cobrança de taxas pelas Universidades;
16. Garantir que os Sistemas Municipais e Estaduais de Ensino Superior possam ser reformados pelas respectivas Casas Legislativas;
17. Conclusão a inclusão da educação nos acordos GATS/OMS;
18. Pela autonomia, independência dos profissionais da área de Saúde. Contra a Lei do Ato Médico;
19. Por uma nova Lei de Mensalidades;
20. Pela cobertura de 100% das mensalidades para estudantes que precisem de financiamento publico;
21. Pelo direito do estudante inadimplente renegociar até 100% da sua divida sem prejuízo para a conclusão do curso e emissão do diploma;
22. Pela implementação de Lei que obrigue as Instituições Superiores de Ensino de Direito Privado a liberarem a planilha de custo;
23. Contra a inclusão de estudantes inadimplentes nos cadastros de restrição ao crédito;
24. Construir em conjunto com as entidades de educação, o Fórum de Discussão de Políticas Educacionais(FDPE), como instrumento permanente de defesa da Educação.
Projeto Universidade Nova: problemas ou soluções?
“Uma estrutura nova da formação universitária, para dar-lhe unidade orgânica e eficiência maior. O aluno que vem do curso médio não ingressará diretamente nos cursos superiores profissionais. Prosseguirão sua preparação científica e cultural em institutos de pesquisa e ensino, dedicados às ciências fundamentais. Nesses órgãos universitários, que não pertencem a nenhuma Faculdade, mas servem a todas elas, o aluno buscará, mediante opção, conhecimentos básicos indispensáveis ao curso profissional que tiver em vista prosseguir”. Este trecho faz parte da justificativa de Anísio Teixeira para a criação da Universidade de Brasília, em 1960, demonstrando que há muito tempo se pensa um novo modelo de universidade.
O modelo da Universidade Nova (UNINOVA) proposto pelo Governo Federal alterará a estrutura curricular das Instituições de Ensino Superior (IES) com a implementação de três ciclos: um básico e dois profissionalizantes.
O Bacharelado Interdisciplinar (BI) constituiria o primeiro momento, onde o estudante receberia uma formação universitária geral (em Artes, Humanidades, Ciências e Tecnologias), pré-requisito para avançar para as outras etapas. No segundo e terceiro ciclo, será, respectivamente, a formação em licenciaturas ou carreiras específicas e a formação científica pós-graduada (equivalente ao mestrado). Para cada fase é previsto um processo seletivo específico.
Através desta lógica, a universidade aumentaria seu contingente de alunos em grande escala, aumentaria o tempo de permanência dos estudantes na universidade e, não precipitaria a escolha de um curso pelo jovem. Mesmo não sendo uma proposta inteiramente nova e, menos ainda, que trate de um tema novo, a UniNova vem ganhando um destaque nos debates universitários, o que não a isenta de dúvidas ou críticas.
O projeto pretende reduzir bruscamente o peso do vestibular com o indicativo claro, de no longo prazo possa ser capaz de sua total extinção. Por outro lado, estabelece um gradativo aumento no número de vagas no Ensino Superior, no entanto, os novos momentos de seleção ainda aparecem de forma vaga no texto e não garantem o fim dos critérios subjetivos na escolha dos alunos.
Infelizmente, como já abordado por nossa tese, a discussão sobre a permanência dos estudantes é latente. Sendo assim, o aumento no tempo de conclusão do ensino superior poderá acarretar em uma evasão ainda maior dos estudantes, prolongamento a situação atual tão criticada pelo movimento estudantil (falta de vagas nos alojamentos, ausência de bolsas de pesquisa, entre outras).
Noutra ponto do debate, o estudante pode deparar-se com o cotidiano de um Bacharelado Interdisciplinar que o levará para a impressão final que nada aprendeu na sua conclusão. Portanto, o projeto UniNova é extremamente complexo e polêmico, merecendo de todo o movimento estudantil uma discussão mais profunda, afinal vai de encontro a diversos pontos do PL 7.200/2006, podendo ser uma estratégia de fatiar os debates centrais da Reforma Universitária.
MEIO PASSE, NOSSA LUTA CONTINUA!
Enfrentamos um período muito difícil para os estudantes universitários brasileiros, a ampliação das Universidades e cursos universitários país afora não foi acompanhada pelo crescimento dos alojamentos estudantis, o caso das particulares é ainda mais grave pela ausência total de programas de assistência estudantil. O ainda complexo ingresso num curso universitário torna-se uma grande dor de cabeça com o preço das mensalidades, cobrança de taxas, gastos com alimentação e o alto custo do transporte.
Defendemos que as Universidades devem a cada dia se aproximar mais da população, e isto, não significa uma faculdade a cada esquina, muito pelo contrário. Precisamos que seus “muros e portões devam ser derrubados” e suas instalações abertas ao convívio de todos, que seus projetos e pesquisas primem pelo desenvolvimento de idéias, teses, patentes, projetos de caráter popular a caminho do pleno desenvolvimento humano.
A garantia constitucional do acesso a educação deve ser plenamente alcançada e estendida a todos que queiram estudar e esta garantia constitucional implica em programas de assistência estudantil capazes de garantir a ida e vinda dos estudantes de seus locais de estudo, bem como sua alimentação e acesso à cultura.
Apesar da precariedade de alguns programas existentes de assistência estudantil, defendemos a sua ampliação de forma a garantir que todos os estudantes sejam atendidos. Entretanto, a principal demanda estudantil brasileira atual é o direito de chegar ao local de estudo, que na maioria das vezes nem é pautada.
Por isso, acreditamos a construção de uma grande luta nacional que paute o debate e construa uma legislação que garanta o meio-passe estudantil universitário para todos os estudantes brasileiros da rede pública e privada.
Meia Passagem é Direito, Vamos à Luta!
Respeito à diversidade
“...Minha força não é bruta,
não sou freira, nem sou puta...”(Maria Rita)
Durante muito tempo o movimento feminista manteve-se distante de entidades partidárias, sindicatos e Estado. O ingresso dessas feministas deu-se quando muitas mulheres começaram a pressionar a favor da adoção de políticas de gênero progressista. Assim, o movimento feminista fez a sua entrada nos partidos políticos e passaram a ser figurinha obrigatória.
Nas últimas duas décadas, com a chegada ao poder de vários partidos de esquerda, o movimento surgiu com o desafio de manter sua autonomia radical e, ao mesmo tempo, necessitando rever e questões no estado: contribuir com a equidade dos gêneros, combate à desigualdade entre homens e mulheres. A cultura política e hierárquica, militarista, então dominante na esquerda veio a ser identificada como machista e por tanto, como parte do problema, e as feministas declararam a necessidade de inventar novas maneiras de fazer política.
As lutas feministas devem ser tratadas no nível da vida cotidiana, das relações interpessoais e sociais da consciência e não apenas no nível da estrutura e instituições de dominação de classe. O nosso objetivo é contribuir, legitimando suas lideranças feministas, conviver com a diferença e incorporar a adversidade. Por isso Jovens Mulheres urge o chamado de se dar continuidade às lutas travadas no passado pela garantia ao direito da igualdade e expressão, assim buscamos que jovens e mulheres estejam inseridas nas tomadas de decisão seja ela política em nossas entidades, doméstica ou no trabalho.
“...Considerando justa toda forma de amor...” (Lulu Santos)
A organização do movimento homossexual brasileiro tem início nos anos 80, com o surgimento dos primeiros grupos organizados, entre eles o Grupo ATOBA, Arco-íris e Gay da Bahia. Infelizmente nossa sociedade é muito preconceituosa e ainda manifesta cotidianamente o ódio e desprezo aos homossexuais, a chamada homofobia.
Na década de 90 começaram a ser realizados um dos maiores movimentos de massa que a sociedade brasileira contemporânea tem presenciado: as Paradas do Orgulho Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBTT). Além de dar visibilidade para a causa homossexual, as paradas são um momento de lutar por direitos e afirmação do ORGULHO, a condição de ser lésbica, gay, travesti, transexual ou bissexual.
O movimento GLBTT vem realizando pressões constantes sobre os políticos e órgãos governamentais em busca de direitos iguais e contra a discriminação. Para defender os direitos GLBTT foi criada, no Congresso Nacional, a Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual. Na sua composição existem deputados, deputadas, senadores e senadoras que apóiam as reivindicações GLBTT em todo país.
Em diálogo com o movimento GLBTT, Lula foi o primeiro a criar políticas públicas para promover a cidadania para nossas lutas. O programa Brasil sem Homofobia é um conjunto de ações que visa combater o preconceito e a violência e promover valores de respeito e diversidade.
A violência contra minorias sexuais compromete os princípios da cidadania, segundo pesquisa recente, a violação dos direitos humanos dos gays, lésbicas e travestis do Brasil é real, a cada três dias, pelo menos um gay, travesti ou lésbica é brutalmente assassinado no país.
As inúmeras formas de violência contra indivíduos homossexuais no Brasil, são ainda mais cruéis entre os jovens, trabalhadores perdem seus empregos, nas escolas ocorre expulsões de alunos quando se evidência a sua opção sexual. Portanto, a Tese DIRETAS JÁ NA UNE acredita que na construção de uma sociedade que possa respeitar às diferenças como passo fundamental para um mundo melhor.
Redução da Maioridade Penal. A serviço de quê? De quem?
“...Idade quatorze estado civil morto, Demorou mas a pátria mãe gentil conseguiu realizar o aborto...”
(Gabriel Pensador)
Debater contra o senso comum. Esta é a complexa tarefa daqueles contrários a redução da maioridade penal. Os grandes meios de comunicação com sua intensa capacidade de definição de agenda, isto é, das discussões realizadas na sociedade elegeram a maioridade penal como ponto chave para a queda dos índices de violência.
Tema que, frequentemente retorna ao cenário político, ganhou força após a trágica morte do menino João Hélio, na cidade do Rio de Janeiro. Entretanto, perguntamos, esta é mesmo a saída mais adequada para melhoria da segurança da população?
Nosso movimento entende que alguns pontos ou são omitidos do debate ou são desvirtuados. Por exemplo, a “impunidade”, a idéia de impunidade do menor que comete algum ato infracional tem sido vendida praticamente como um dogma. Porém, seguindo-se o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o menor pode ser punido com uma rapidez ainda maior que o adulto, sofre sansões que, mesmo não sendo na mesma medida que um adulto, podem ser eficazes.
A avaliação do sistema prisional brasileiro não pode deixar de ser sublinhada. Estatísticas apontam que o índice de reincidência dos presidiários no Brasil chega a 60%, contra apenas 20% dos menores detidos nos institutos sócio-educativos. Ou seja, a possibilidade de reabilitação é muito maior. Embora ambos os sistemas apresentem sérias debilidades, em se tratando do cumprimento de sua função, no caso, reabilitação do interno, o modelo previsto no ECA tem sido a melhor via.
Relevantes alternativas a redução da maioridade, “coincidentemente”, vêm sendo esquecidas, tais como: punir com maior vigor adultos que aliciarem crianças para o crime; aumento de pena para os indivíduos que cometam atos hediondos, são apenas algumas idéias. No Brasil onde a taxa de jovens que cometem crimes hediondos não ultrapassa 0,02%, essas medidas devem ser levadas em consideração!
Outra pergunta que fazemos é: A quem interessa a redução da maioridade penal?
Duvidamos que tal proposta vise a melhoria da qualidade de vida dos moradores de comunidades pobres que tem a violência em seu cotidiano; dos negros que representam a imensa maioria da população carcerária do país; e da enorme massa de jovens que crescem sem o amparo básico, previsto no próprio ECA, a tão falada reeducação depois de uma infração cometida.
Todos lembram de João Hélio e responsabilizam sua morte a ausência do Estado. Contudo, a lembrança de vidas como a da menina Alana Ezequiel (aos 13 anos morta por bala perdida em favela no Rio), que ocorrem com a população mais pobre, com a mesma velocidade que saem da capa dos noticiários fogem de nossas mentes.
Em resumo, não compactuamos com a impunidade. Menos ainda, com falsos discursos. Apontamos que a redução da maioridade penal em nada se preocupa com a equalização da sociedade, com a queda nos índices de criminalidade ou com a punição de jovens criminosos, mas sim, com a possibilidade de cada da vez mais cedo, estigmatizar, excluir e punir aqueles que por muitas vezes são vítimas de um projeto extremamente hediondo de sociedade.
Para nós, o que precisamos fazer é: CONSTRUIR MAIS ESCOLAS, PARA CONSTRUIR MENOS PRESÍDIOS!
“...Somos guardiões da Amazônia, E ninguém levará nossas riquezas” (Demetrius Haidos e Geandro Pantoja)
O Brasil é conhecido internacionalmente por suas riquezas naturais. Ambicionadas pelas principais indústrias existentes, essas riquezas foram e estão sendo usurpadas de nosso território. Atualmente, poucos ecossistemas naturais ainda resistem e o principal é a nossa Amazônia.
Concentradora de uma riqueza pouco conhecida, essa floresta está pouco a pouco sendo tomada do povo brasileiro. Seja pela degradação desordenada perpetuada pelos agroempresários brasileiros, seja pela venda para pessoas ou grupos internacionais, a Amazônia está sendo destruída.
O mais grave é a inoperância do governo brasileiro frente a estas atitudes e a inserção de ONGs e pesquisadores internacionais, cujo único interesse é o roubo de nossas riquezas por meio de patentes e a ocupação sorrateira de um território cuja soberania é brasileira, única e exclusivamente. Nós, estudantes, precisamos pressionar o governo pela defesa de nossa Amazônia e não admitirmos a sua venda para grupos capitalistas internacionais!
Defender a Amazônia deve ser uma tarefa de todos!
“...Nós dois temos os mesmos defeitos, Sabemos tudo ao nosso respeito...” (Engenheiros do Havaí)
Precisamos chamar todos os estudantes a uma reflexão a cerca da chamada crise do ME (Movimento Estudantil) causada pelo distanciamento e pelo descrédito dos estudantes em relação ao ME Por isso defendemos a opção de construir o movimento pela base.
Organizar os estudantes nas lutas diárias das universidades deve ser o caminho a ser trilhado para ampliarmos nossa intervenção, como também resgatar o caráter representativo e aglutinador do próprio M.E. demonstrando força a partir de lutas que conduzam os estudantes às vitórias pontuais, que são importantíssimas para consolidar o espírito de luta do ME. A cada aumento de mensalidade derrubada, a cada professor inadequado afastado, a cada sanitário trocado, a cada ventilador instalado, a cada grupo cultural montado, a cada gestor corrupto afastado, teremos a certeza de que mais e mais estudantes estarão se identificando com a necessidade da luta, único caminho para emancipação do ME.
Reafirmando a vocação protagonista, que ao longo dos tempos fez a UNE e UEE pautarem a agenda de lutas da nação, devemos ocupar as salas de aulas de todo o país, chamando a juventude à construção de um projeto soberano de nação, e de um novo mundo tolerante, inclusivo, sem oprimidos e opressores e que retribua a cada um segundo a sua necessidade.
Saudações Estudantis!
TESE DIRETAS JÁ NA UNE
GALERA QUE TÁ MUDANDO A UNIVERSIDADE E O MOVIMENTO ESTUDANTIL:
Moisés Silva – 1º Secretário da UNE -- Fábio Borges – Vice RJ da UNE - Renaldo Junior – Vice SE/AL da UNE- André “meio quilo” – Diretor de Particulares da UNE - João Victor Tayah - Vice-Presidente UEE/AM - Rilden Ramos – Vice-presidente da UEE/RJ - Danielle Dutervil – 1ª Tesoureira da UEE/RJ - Ricardo Bomfim – Diretor de C& T da UEE/RJ - Suellen Lannes – Diretora de Mulheres da UEE/RJ - Cláudio Pires – Diretor de Cultura da UEE/RJ - Marluce Mineiro – Diretora da Enesso - Márcia Rebeca – vice-presidente DCE/CEFET-AM - Claudemir Rodrigues - DCE/UNESA - Soraia Vermelho - DCE/UNESA - Dimas Felix - DCE/UNESA - Ramiro Carlos – DCE/UNESA - Mário César – DCE/UNESA - Samuel Braw – DCE/UNESA - Fábio Ventura- DCE/UNESA- Túlio Leitão – DCE/UNESA - Silvana Andrade – DCE/UNESA - Marcos Vinicius – DCE/UNESA - Mônica Menezes – DCE/UNESA - Alexsandro Marques – DCE/UNESA - Antonio Marciano – DCE/UNESA - Vanessa Batista – DCE/UNESA - Rodrigo Teixeira – DCE/UNESA - Alexandre Esperança – DCE/UNESA - Clédson Cabral –DCE/UNESA - Meicar Carvalho – DCE/UNESA - Herme Santos – DCE/UNESA - Talisson Leal – DCE/UNESA - Ohana Lopes – DCE/UNESA - Magali Viegas – DCE/UNESA - Roberto Lobo –DCE/UNESA - Rodrigo Rosa – DCE/UNESA - Fernanda Marques – DCE/UNESA - Leonardo Soares – DCE/UNESA - Therezinha Zarro –DCE/UNEA - Marcio Alfredo – DCE/UNES - Robson Souza – DCE/UNESA - Thiago dos Santos Costa – DCE/UNESA - Gilberto Ramos – DCE/UNESA - Leonardo Pontes DCE/UNESA - Bruna Poley – DCE/UNES - Bruno Ribeiro – DCE/UNESA - Clefano Pessanha – DCE/UNESA - Carmem Figueira – DCE/UNESA - Luciana Rodrigues – DCE/UNESA - Thiago Duarte – DCE Mário Prata/UFRJ - Daniel Souza – DCE/PUC - Himalaia Galvão – DCE/PUC - Frederico Gentil - DCE/UCP - Felipe Dionísio – Pedagogia/ UFAM – Patricia Moreira – Administração/UFAM - Raisa Pierre - Letras/ UFAM - Esthefison D’almeida Design/ UFAM - Alexandre Oliveira – Direito/UFMS - Danilo Otto – Direito/ Unisantos - Fabiano Bastos – História da UFRRJ - Mariana Portugal - Psicologia/UERJ - Hugo Estevam – Filosofia/UFRJ - Vinicius Alves – Direito/UNIPLI - Leandro Guimarães – Ciências da Computação/UNIPLI - Womer Morandini – Enfermagem/UNIPLI - Priscila Câmara – Biologia/UNIVERSO - Thiago Lyra – Filosofia/UERJ - Felipe Cardoso – PUC.
________________________________________________________(Agora só falta você!
DIRETAS JÁ NA UNE
“O capitalismo representa a morte, pois destrói o planeta e o socialismo simboliza a vida”
(Roberto Amaral)
Tese ao 50º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE)
De 04 à 08 de julho de 2007 – Brasília- DF
Conjuntura Internacional
“Missionários de um mundo pagão, proliferando ódio e destruição... assim caminha a raça humana, se devorando um a um” (Uns e Outros)
O acirramento da luta contra o imperialismo pelo mundo, e o fiasco da intervenção dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque, bem como a intensa denúncia de suas nefastas conseqüências para os povos envolvidos, tem tomado conta até do Parlamento norte-americano.
No Oriente Próximo, a denúncia do caráter fascista do governo israelense tem feito com que sua população exija uma nova proposta de negociação que passe pelo reconhecimento da autodeterminação do povo palestino. Os povos africanos exigem da ONU uma ação mais eficaz no combate à miséria e à tensão militar que assola o continente, sem que isto signifique intervenções militares ou desrespeito à sua soberania.
Na América Latina, segue em curso o levante das massas oprimidas contra o projeto neoliberal que tanto faz mal ao continente. A via eleitoral garantiu vitórias importantes, de governos de caráter nacionalistas e populares, bem como a perspectiva de construir por parte destes povos uma agenda comum que permita o crescimento e desenvolvimento econômico-social da região. Deste modo essa nova pauta assegura o desenvolvimento de todos, isto quer dizer, que o crescimento de um não pode significar a miséria dos demais.
O nosso compromisso com a luta contra o imperialismo não pode nos cegar diante do caráter fundamentalista-islâmico de alguns grupos de resistência ao Império americano e seus aliados. Precisamos chamar estes grupos para uma construção baseada na tolerância, autodeterminação dos povos, responsabilidade ecológica e combate a toda forma de opressão, enfim ganhá-los para a idéia de um mundo onde não haja opressores e oprimidos.
Nossas vozes devem chegar a cada pessoa do mundo, fazendo a defesa de nossas históricas bandeiras de forma contundente. Deste modo podemos contrapor a ofensiva da direita neoliberal que nos países europeus usam argumentos fundamentalistas e xenófobos para atacar e calar o grito por uma nova ordem social, política e econômica que passa pela construção de uma Europa mais tolerante e inclusiva.
Neste cenário ainda podemos observar a intensificação da “guerra contra o terrorismo” capitaneada pelos americanos do Norte, que em nome desta “cruzada” fazem todo tipo de genocídio. No campo econômico pretende a todo custo construir a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) para impor sua hegemonia sobre nosso continente. Se observarmos atentamente, a recente perambulação de míster Bush com uma mísera sacolinha pela América Latina, chegaremos a conclusão que seu único objetivo era ressuscitar a já enterrada ALCA.
No entanto, a agenda que queremos construir deve garantir a busca por novas matrizes energéticas que garanta a preservação do planeta bem como o abandono progressivo por todos os países das matrizes energéticas poluentes. No plano comercial, devemos buscar uma nova relação comercial que permita a inclusão dos países ditos em desenvolvimento, de forma a garantir uma equânime (igualdade) distribuição de renda entre seus habitantes e a melhoria da qualidade de vida resguardada a preservação ambiental.
Nossa pauta passa pela centralidade do pleno desenvolvimento de cada ser humano, respeitadas as diferenças de etnia, cor, gênero, orientação sexual, religião, opção ideológica, novas formas familiares e quaisquer outras diferenças individuais que não prejudiquem a coletividade. Sendo resultante o combate a todas as formas de discriminação e opressão que tanto assolam, assassinam e impedem a construção de um mundo novo.
Conjuntura Nacional
“... É que Zé põe a boca no mundo, é que faz um discurso profundo, ele quer ver o bem da favela, está nascendo um novo líder...” (Lecy Brandão)
No primeiro mandato que se encerrou em dezembro 2006, o Governo Lula não obteve condições políticas, mesmo em seu início, para efetuar boa parte das mudanças prometidas em campanha. A necessidade de realizar uma política de coalizão, trazendo para o governo legendas que não estão, de maneira nenhuma, preocupadas com a transformação e a justiça social. Isto comprometeu, mas não acabou com o projeto inicial traçado pelo campo popular brasileiro, que deve ser retomado de forma concreta nestes próximos 04 anos.
Contudo, se somos contrários ao simplismo das críticas do tipo “Lula, Banqueiros e FMI”, nem de longe nos eximimos de questionar e expor nosso ponto de vista. Não defendemos alguns pontos da Reforma Universitária; a lentidão e o mau uso das verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB); a proposta de Reforma Trabalhista (caso aprovada com o texto atual trará perdas enormes aos trabalhadores) e Sindical; a lei antigreve (que busca asfixiar os movimentos sociais); a controversa e ortodoxa política econômica que asfixia o setor produtivo nacional-desenvolvimentista, e claro, nenhuma prática corrupta deste governo ou dos anteriores.
Sendo assim, as CPMIs devem apurar todos os fatos, sem uso da máquina do governo para barrar investigações, assim como a não utilização de forma irresponsável como palanque político. Como fez e faz as forças conservadoras de direita do país capitaneadas pelo PSDB e DEM (antigo PFL), ávidas por voltarem ao governo central do país. Defendemos apurações sérias e inclusive que se comece pelas escandalosas privatizações da era FHC.
No entanto, o Governo Federal, ao mesmo tempo em que avança e se democratiza, ainda não consegue romper com uma política econômica equivocada, por ter em seu seio o convívio das mais diversas forças políticas e muitas contradições acerca de que projeto seguir.
Por isso, é preciso compreender a conjuntura, afinal, não é fácil romper com praticamente 500 anos de dominação e escravidão aos quais o Brasil foi submetido. Devemos saber diferenciar o jogo sujo das elites, que tentam à toda hora desestabilizar o Governo Lula, especialmente, através dos meios de comunicação e de seu poder econômico.
A vitória de Lula para o segundo mandato, somente aumenta e aprofunda a sua responsabilidade de intensificar o projeto mudancista, afinal a sabedoria popular conseguiu barrar a volta dos tucanos e sua corja ao governo federal.
Por isso essa segunda oportunidade dada à esquerda brasileira, não pode ser desperdiçada e deve ser encarada como a aprovação nas urnas do primeiro mandato, e um novo voto de confiança para que possamos, a partir de agora, avançar ainda mais, construir uma pauta de desenvolvimento no caminho para garantir um salário mínimo digno e que o pleno emprego não seja apenas discurso, mas uma realidade.
Esperamos que a economia brasileira ganhe novos rumos, trazendo benefícios NÃO aos banqueiros e grandes empresários, mas SIM, a imensa maioria da população que com muita esperança votou, e ainda forma a base de apoio a Lula. Desta forma possa abrir as condições para a geração de trabalho; investimento em infra-estrutura; e aumente de forma relevante os investimentos em áreas essenciais como educação, saúde, habitação, ciência e tecnologia, entre outras.
Neste sentido, a Tese Diretas Já, não abre mão da mobilização popular como impulsionador das mudanças. A UNE, UBES, MST, CUT, e diversas outras entidades precisam elaborar uma agenda política única de ação que jogue um papel determinante na construção desta nova pauta de desenvolvimento do país. Sem o povo nas ruas as mudanças e transformações não virão!
Por isso tudo propomos:
1. Independência da UNE frente ao Governo Lula, conclamando-o à responsabilidade de fazer as mudanças prometidas ao povo brasileiro;
2. Contra o monetarismo e a ortodoxia da área econômica do Governo Lula. Em defesa de uma política econômica Nacional-Desenvolvimentista;
3. Contra a Lei Antigreve de Lula;
4. Contra Emenda 3;
5. Diminuição da taxa básica de juros e das metas de superávit primário já!
6. Contra qualquer reforma que ataque às conquistas históricas dos trabalhadores;
7. Não à autonomia do Banco Central!
8. Amazônia é patrimônio dos brasileiros e da América Latina! Soberania e desenvolvimento sustentável;
9. Por uma campanha nacional em 2007/2008 pela defesa da realização do Plebiscito Oficial da ALCA;
10. Por uma Reforma Urbana, Rural e Agrária que atenda à demanda da população brasileira;
11. Fortalecer a intervenção da UNE na Seção Nacional da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS).
12. Lugar de corrupto é na cadeia! Apuração das denúncias no âmbito Federal, Estadual e Municipal;
13. Pela retirada das tropas brasileiras do Haiti;
14. Pela construção de uma campanha Nacional em defesa da Amazônia Azul, pela soberania nacional e pelo uso e desenvolvimento sustentável das suas riquezas.
Movimento Estudantil
“Um belo dia resolvi mudar, e fazer tudo o que eu queria fazer...” (Rita Lee)
Por uma UNE de luta, combativa, democrática e nas salas de aula!
A União Nacional dos Estudantes (UNE) tem sido grande protagonista das lutas por um país livre, soberano e democrático. Podemos observar seu destacado e pioneiro papel na campanha do Petróleo é nosso, na resistência à ditadura militar, no impeachment do presidente Fernando Collor, na resistência a agenda neoliberal tucana, dentre inúmeras outras lutas de nosso povo.
No entanto, este histórico relevante no cenário Nacional, não impediu que a UNE ao longo dos anos se tornasse um mero espaço de luta entre as diversas correntes, pelo controle e aparelhamento da entidade, o que provocou um distanciamento das salas de aula e dos estudantes.
A saudável disputa pelos rumos e concepções do movimento estudantil que aquecia os pátios, auditórios, salas de aula e lanchonetes das Instituições de Ensino Superior (IES) para convidar os estudantes ao debate de idéias se reduziram e se tornaram um mero exercício de retórica, nas plenárias finais dos encontros e congressos, sem o menor compromisso com a realidade da universidade brasileira.
Após anos de muitas críticas feitas por diversas correntes que nunca aceitaram essa deturpação do papel de nossa entidade, a força hegemônica da UNE, finalmente reconheceu que era preciso rediscutir o papel e os processos de construção dos fóruns estudantis.
Este fato estabeleceu uma grande expectativa no sentido de uma mudança de rumo no movimento universitário que poderia abrir caminhos e a possibilidade da ampliação da participação dos estudantes nas decisões, num processo direto de eleição da diretoria e da política da UNE.
As eleições diretas para diretoria da UNE apoiaria na construção de uma nova prática estudantil. Os líderes e candidatos a direção da UNE, seriam forçados a encarar o debate olho no olho com os estudantes brasileiros para apresentar suas opiniões, o que na nossa visão provocaria uma nova forma de atuação.
Na contramão das expectativas, o CONEB da UNE aprovou um complexo processo em que se fará uma eleição direta nas universidades de delegados ao congresso que elegerá de forma indireta a diretoria da UNE. Mesmo sabendo que este modelo que foi testado no processo de construção do 50º CONUNE não é o ideal, mas acreditamos que ele sinaliza uma mudança de postura do movimento estudantil brasileiro de querer se transformar.
As eleições ao mesmo tempo em todas as universidades brasileiras, nos primeiro momento, podem ser encaradas como uma grande confusão. No entanto, os reflexos do debate sobre a UNE neste pleito que tomou conta das IES do Brasil serão visto dentro em breve. Ao sair da burocracia e do modelo anterior, o M.E. experimenta mudanças de costumes que farão muito bem para renovação dos dirigentes estudantis.
O próximo passo é ousar construir a eleição direta de sua diretoria! O estudante quer votar: Diretas já!
Diretas já na UNE e UEE!
“Pra pedir silêncio eu berro, pra fazer barulho eu mesmo faço...” (Rita Lee)
Diretas Já! Este era o lema dos movimentos sociais em 1984, no agitado processo de redemocratização do país. A população, naquele importante período de rediscussão sobre as instâncias de poder no Brasil procurou uma forma de intervenção direta nos rumos políticos, queriam eleger o Presidente da República.
As movimentações de jovens, partidos políticos, trabalhadores, intelectuais, entre outros setores que construíram o Movimento das Diretas Já levou a reações imediata dos seus opositores. De forma geral, às críticas surgidas, eram na sua grande maioria pouco embasadas, e se sustentavam na argumentação de que as Eleições Diretas seriam uma “solução mágica” e “fantasiosa” para resolver os problemas brasileiros.
Para eles, estávamos sendo movidos pela idéia equivocada que a maior participação possível de pessoas representadas (povo) seria fundamental para melhorar nossas instituições. Segundo nossos adversários isso era o “democratismo” e a utilização dos “discursos fáceis”.
No Congresso Nacional, a emenda Dante de Oliveira que propunha as Eleições Diretas foi negada pelos votos dos Deputados. Já nas ruas, o sentimento democrático estava instalado no povo, o que contribuiu de forma decisiva para que Tancredo Neves fosse eleito com ampla maioria no Colégio Eleitoral.
Demonstrarmos neste breve histórico acima, que embora em um dado momento da história, quando estruturas possam ser dominadas por práticas danosas, podemos a partir da pressão popular reverter está situação. No caso das Diretas já, o que parecia a princípio derrota, se transformou em vitória popular, afinal a alternativa, o troco veio pelas BASES de representação.
No Movimento Estudantil (M.E.) universitário, após uma mal sucedida tentativa (anos 80) de implementação das eleições diretas para a diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE), foi adotado um sistema de eleição de sua diretoria, que ao longo do tempo se tornou viciado e amoral. Onde a maioria dos estudantes desconhecia totalmente ou apenas ficam sabendo por alto das atividades e lutas impulsionadas pela UNE.
Ao propor a eleição indireta para escolha da Diretoria da UNE, sem um amplo debate das formas de garantir a lisura e a legitimidade do processo, permitiu-se às distorções do processo e a transformação dos Congressos, antes um espaço de debate e formulação, num fórum eleitoreiro e politicamente esvaziado.
O antigo modelo de escolha dos delegados ao Congresso pressupunha os mecanismos de eleição em urna ou assembléia. Entretanto, o que se via de fato, eram assembléias, digo, passagens em salas para a mera coleta de assinaturas, sem fazer se quer algum debate de teses. Assim, o processo de escolha de delegados se tornou uma disputa, não entre quem tem melhores propostas, mas sim, os que conseguem recolher mais assinaturas.
Defendemos com muita certeza as Eleições Diretas para todas as entidades estudantis e combatemos de todas formas qualquer visão simplista que possa vir com esta proposta. Assim como, as críticas mal formuladas de quem ou quer manter o M.E. como está ou quer aumentar ainda mais a sua burocracia.
Nossa defesa das Diretas no movimento estudantil não passa por um mero entendimento que a votação direta dos estudantes na direção da UNE sozinha aumentará sua legitimidade e representatividade. Nós da Tese DIRETAS JÁ NA UNE pensamos que qualquer alteração deve vir no sentido de estimular a criação e fortalecimento da rede estudantil (CAs, DCEs, UEEs, Executivas de Curso...) em suma, a participação da ampla maioria dos estudantes. Ao nosso ver, na atual conjuntura, a votação Direta dos estudantes caminha para isso.
Por tudo isso propomos:
Eleições Diretas para diretoria da UNE! O estudante quer votar!
Congresso para apresentação e debate dos programas das Chapas.
CONEG e CEEG como data limite para inscrição de chapas às eleições diretas.
Comissão eleitoral eleita no CONEG ou CONEB da UNE.
Comissão eleitoral composta por DCEs e CAs.
Manutenção do Congresso como forma de permitir maior debate no M.E.!
7. Por um movimento estudantil combativo, plural e de massa;
Defesa da Unicidade do M.E;
Democratizar os espaços de debates e fóruns do M.E.! Por um reforma geral imediata!;
Construir uma ampla campanha de construção fortalecimento dos Centros Acadêmicos (CAs);
Realização bianual do Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB);
Apoiar na reconstrução da Sede história da UNE, na Praia do Flamengo recentemente retomada;
Fortalecer a comunicação na UNE com a volta do Jornal mural “Nexo” e estabelecer novas ferramentas de diálogo com os estudantes e com a rede estudantil;
Transparência na gestão financeira. Dar prosseguimento a prestação de Contas periódicas no sítio da UNE;
Construir uma ampla campanha pela redução das mensalidades e pela liberdade e acesso nas universidades das planilhas de custos.
Educação
“Eu to indo mal na escola a culpa é sua...”
(Antônio Marques e Carlos Marques)
Vivemos em dias que a maioria dos políticos dizem que suas prioridades são a defesa da educação, quem nos dera que estes discursos se refletissem na prática. Temos que reconhecer que houve nos últimos anos, um avanço na área educacional como a ampliação da distribuição gratuita de livros didáticos para o ensino médio feitos pelo governo federal e o aumento do número de crianças na rede básica de ensino, mas todos estes avanços são muito tímidos.
Observamos que o descaso com a escola pública nos três níveis de governo é notório. Na rede municipal a situação é muito grave, encontram-se facilmente alunos que se formam na oitava série, sem saber fazer conta de dividir, sem saber interpretar um simples texto.
A estrutura da educação pública vem ano após ano sendo destruída, sucateada e jogada à sua própria sorte. Escolas abandonadas com prédios históricos caindo aos pedaços e a desvalorização dos profissionais da área de educação são alguns dos imensos problemas da escola pública brasileira.
Nós acreditamos que educação deve se tornar uma real prioridade dos governantes, um bom começo seria a implementação correta do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) que é fundamental para o fortalecimento da educação básica. Outro importante passo seria o fim da aprovação automática e dos ciclos básicos nas redes municipais como são propostos hoje. Precisamos observar que, torna-se necessário também a garantia da prática desportiva de cidadania e de cultura para a formação dos estudantes.
Entendemos a necessidade de uma política clara de nação voltada para escola pública não é um capricho, sim uma necessidade para que possamos alcançar um projeto de desenvolvimento nacional. Podemos começar pelo FUNDEB e pelo PAC Educacional como instrumentos importantes na formação dos estudantes secundaristas.
Plano de Desenvolvimento da Educação (PED)
Em especial na década de 90, o país fez um grande alarde sobre políticas educacionais, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) inspirador do atual Fundeb, que ampliavam em larga escala a presença dos jovens no ensino fundamental. Hoje, como resultado de tais políticas o Brasil atinge uma meta de quase 97% de alunos mantidos no ciclo básico. Entretanto, em termos qualitativos as escolas brasileiras encontram-se muito aquém de suas possibilidades.
Em 2003, o Brasil ocupava o último lugar no ensino de matemática dos 30 países medianos da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE). Era então preciso colocar em curso um programa que pudesse garantir a meta do acesso à educação fundamental, independente da qualidade oferecida, para que se propagasse a idéia de igualdade inicial de condições na competição por espaços no mercado. Observamos nesta proposta a afirmação da política neoliberal mostrando sua face.
O Plano de Desenvolvimento da Educação (PED), conhecido pela grande mídia como o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) da educação, um similar ao apresentado na área econômica caminhar em sentido oposto. Embora pareça tímido em suas proposições, não desconsidera a realidade do ensino no Brasil. Prevê até 2021, que o Índice de Desenvolvimento Básico (Ideb), que se encontra em 3,8 numa escala de 10 pontos, seja elevado para seis, índice da maioria dos países em desenvolvimento.
O PED trata a educação como um todo, isto é, começa na pré-escola e chega até a universidade, sendo que a qualidade de cada ciclo depende do sucesso do anterior. Tem ainda a preocupação de respeitar as diversidades de cada município que, através do Ideb, poderá ser bem entendido.
Além disto, haverá um grupo de consultores que ao percorrer as escolas do país, formulando sempre para definir metas de aumento na qualidade educacional. O texto prevê ainda, o investimento de cerca 1 bilhão de reais até o final de 2007 para as escolas com os piores indicadores nos municípios. A informatização das escolas e o aumento do piso salarial dos professores também são abordados, demonstrando a preocupação com a construção de um projeto consistente.
Agora temos que acompanhar esta proposta, ver se os investimentos prometidos serão mesmo alocados nas escolas e, se tais políticas públicas fora do papel funcionarão. Afinal não adianta pensarmos a reforma da universidade brasileira sem mudar toda a base da pirâmide educacional.
Por tudo isso propomos:
1. Defesa da escola pública, gratuita e de qualidade;
2. Por uma nova escola libertária e transformadora;
3. Pela valorização dos professores e funcionários;
4.Contra os aumentos abusivos nas escolas particulares;
5. Pelo fim da caixa-preta das escolas particulares, liberdade de planilha de custo para toda comunidade escolar;
6. Pela aplicação correta dos recursos do Fundeb;
7. Livre organização do movimento estudantil. Fortalecer as entidades com garantia de espaços físicos, presença nos colegiados e acesso livres as salas de aulas;
8. Contra qualquer tipo cobrança de taxas.
Universidade
“A universidade deve pintar-se de negro, mulato, operário e camponês! A educação é um direito, pois todo estudante conclama a sua vez!”
(Che Guevara)
O movimento estudantil, ao longo de sua história, nunca recusou nenhum convite à mobilização em defesa dos interesses dos estudantes. Não é por mero acaso, que luta há décadas por uma reforma urgente e necessária da Universidade e do sistema educacional brasileiro. Após anos na resistência ao projeto de estrangulamento e asfixia das verbas das universidades públicas e de desregulamentação das universidades pagas, a chegada de Lula à Presidência, marca um novo momento de diálogo e de abertura para as mudanças que o Movimento Estudantil e os movimentos de educação historicamente sempre defenderam.
O nosso ensino superior atual é produto de uma reforma realizada pelo governo dos militares e aprofundada na última década pela implantação da política neoliberal e da orientação do Banco Mundial para o Ensino Superior na América Latina. A herança que o Governo FHC e Paulo Renato deixaram foi o desmonte das Universidades Públicas e a abertura inescrupulosa de cursos nas instituições privadas, chegando aos escandalosos dados divulgados no final do ano passado pelo MEC, de que 81% dos estudantes universitários estão na rede particular.
A subserviência ao projeto das grandes potências de dominação econômica da “era FHC” foi muito dura para o Ensino Superior. Ao invés de encarar a Universidade como o centro estratégico de um projeto de desenvolvimento nacional, com soberania e independência, resolveu seguir na íntegra a receita de cortes nas verbas, nenhum investimento nas estruturas de laboratórios, bibliotecas e equipamentos, sem falar que durante todo o seu mandato não houve concurso para corpo docente das universidades federais.
Neste contexto, o Governo Lula enfrentou muitas dificuldades para reverter esse quadro de coma profundo que se encontrava a Universidade. Devagar, mas com serenidade e cautela, vem mudando esta situação e colocou na ordem do dia o debate sobre a reforma da universidade.
Após meses de muitas preocupações sobre quais pilares serviriam como base para a reforma proposta, o MEC, nos primeiros dias de dezembro 2004, apresentou enfim a 1ª versão do Anteprojeto de Lei. Desde então promove debates, mesas redondas, colóquios e diálogo direto com as entidades da área (UNE, UBES, FASUBRA, CONTEE e CNTE), além de receber suas contrapropostas.
A primeira versão do ante-projeto nos trouxe alívio e uma mudança de concepção do governo, que até então tinha lançado documentos produzidos por um Grupo Interministerial criado, que apresentava uma reforma de cunho conservador. Mas a pressão do movimento estudantil e da comunidade acadêmica conseguiu colocar o projeto no rumo correto de valorizar as universidades, para que possam cumprir papel decisivo na soberania, independência e no novo projeto nacional.
Por outro lado, nos meses seguintes os donos de instituições pagas reagiram de forma feroz contra o projeto elaborado pelo MEC o que provocou a segunda e terceira versões e culminou no projeto final que tem um cunho mais conservador. Preocupados com a regulamentação do ensino privado, que é marca presente no primeiro documento de Reforma Universitária, os tubarões do ensino fizeram uma pressão gigantesca para não perderem seus lucros exorbitantes e para continuarem sem nenhuma forma de controle.
Depois de muito tempo de luta, debates e pressão dos mais diferentes grupos o Governo resolveu enviar ao Congresso Nacional o Projeto de Lei n 7.200/06(Projeto de Reforma Universitária) que foi apensado com os projetos PL nº 4.212/04, 4.221/04 e 7398/06. Em março corrente foi aprovada uma Sub-comissão Especial para tratar dos quatro projetos de lei e das trezentas e sessenta e oito emendas feitas pelo Plenário da Câmara.
O caráter conservador da composição da comissão aliado ao caráter privatizante da maioria das emendas e dos PL 4.212/04 e 4.221/04 exige grande mobilização do conjunto dos movimentos de educação pela manutenção dos avanços já incorporados, bem como lutar pelos avanços necessários a construção de uma Nova Universidade. Temos que ficar vigilantes, pois o Relator a ser escolhido deverá na sua Relatoria acolher todos os projetos e emendas apensados ao projeto do Executivo o que a depender de nossa mobilização e pressão caracterizará a o caráter da Reforma.
Por tudo isso propomos:
1. Pela defesa intransigente do caráter publico, da gratuidade e da qualidade nas instituições superiores federais, estaduais e municipais (Universidades Públicas);
2. Por um rigoroso controle pelo Ministério da Educação das Instituições Superiores de Ensino de Direito Privado (Universidades Pagas), bem como de novas Instituições;
3. Pela indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão;
4. Pela autonomia didático-pedagógica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial das Instituições de Ensino Superior;
5. Pela paridade entre docentes, técnicos e discentes na composição dos colegiados superiores;
6. Pela eleição direta e universal dos colegiados superiores;
7. Contra a entrada de Capital Externo no Sistema Superior de Ensino;
8. Ampliação imediata das vagas e criação de cursos noturnos em todas as Instituições Públicas de Ensino Superior;
9. Tornar a indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão critério inalienável para a existência das Instituições de Ensino Superior de Direito Privado;
10. Livre organização do Movimento Estudantil. Garantir espaços físicos, presença nos colegiados e livre acesso as salas de aula;
11. Ampliação do Programa Universidade para Todos (PROUNI);
12. Garantia de acesso e permanência aos estudantes originários de políticas afirmativas na Universidade;
13. Redefinição dos critérios etários para bolsistas de iniciação cientifica, mestrado e doutorado;
14. Por um Plano Nacional de Assistência Estudantil;
15. Contra a cobrança de taxas pelas Universidades;
16. Garantir que os Sistemas Municipais e Estaduais de Ensino Superior possam ser reformados pelas respectivas Casas Legislativas;
17. Conclusão a inclusão da educação nos acordos GATS/OMS;
18. Pela autonomia, independência dos profissionais da área de Saúde. Contra a Lei do Ato Médico;
19. Por uma nova Lei de Mensalidades;
20. Pela cobertura de 100% das mensalidades para estudantes que precisem de financiamento publico;
21. Pelo direito do estudante inadimplente renegociar até 100% da sua divida sem prejuízo para a conclusão do curso e emissão do diploma;
22. Pela implementação de Lei que obrigue as Instituições Superiores de Ensino de Direito Privado a liberarem a planilha de custo;
23. Contra a inclusão de estudantes inadimplentes nos cadastros de restrição ao crédito;
24. Construir em conjunto com as entidades de educação, o Fórum de Discussão de Políticas Educacionais(FDPE), como instrumento permanente de defesa da Educação.
Projeto Universidade Nova: problemas ou soluções?
“Uma estrutura nova da formação universitária, para dar-lhe unidade orgânica e eficiência maior. O aluno que vem do curso médio não ingressará diretamente nos cursos superiores profissionais. Prosseguirão sua preparação científica e cultural em institutos de pesquisa e ensino, dedicados às ciências fundamentais. Nesses órgãos universitários, que não pertencem a nenhuma Faculdade, mas servem a todas elas, o aluno buscará, mediante opção, conhecimentos básicos indispensáveis ao curso profissional que tiver em vista prosseguir”. Este trecho faz parte da justificativa de Anísio Teixeira para a criação da Universidade de Brasília, em 1960, demonstrando que há muito tempo se pensa um novo modelo de universidade.
O modelo da Universidade Nova (UNINOVA) proposto pelo Governo Federal alterará a estrutura curricular das Instituições de Ensino Superior (IES) com a implementação de três ciclos: um básico e dois profissionalizantes.
O Bacharelado Interdisciplinar (BI) constituiria o primeiro momento, onde o estudante receberia uma formação universitária geral (em Artes, Humanidades, Ciências e Tecnologias), pré-requisito para avançar para as outras etapas. No segundo e terceiro ciclo, será, respectivamente, a formação em licenciaturas ou carreiras específicas e a formação científica pós-graduada (equivalente ao mestrado). Para cada fase é previsto um processo seletivo específico.
Através desta lógica, a universidade aumentaria seu contingente de alunos em grande escala, aumentaria o tempo de permanência dos estudantes na universidade e, não precipitaria a escolha de um curso pelo jovem. Mesmo não sendo uma proposta inteiramente nova e, menos ainda, que trate de um tema novo, a UniNova vem ganhando um destaque nos debates universitários, o que não a isenta de dúvidas ou críticas.
O projeto pretende reduzir bruscamente o peso do vestibular com o indicativo claro, de no longo prazo possa ser capaz de sua total extinção. Por outro lado, estabelece um gradativo aumento no número de vagas no Ensino Superior, no entanto, os novos momentos de seleção ainda aparecem de forma vaga no texto e não garantem o fim dos critérios subjetivos na escolha dos alunos.
Infelizmente, como já abordado por nossa tese, a discussão sobre a permanência dos estudantes é latente. Sendo assim, o aumento no tempo de conclusão do ensino superior poderá acarretar em uma evasão ainda maior dos estudantes, prolongamento a situação atual tão criticada pelo movimento estudantil (falta de vagas nos alojamentos, ausência de bolsas de pesquisa, entre outras).
Noutra ponto do debate, o estudante pode deparar-se com o cotidiano de um Bacharelado Interdisciplinar que o levará para a impressão final que nada aprendeu na sua conclusão. Portanto, o projeto UniNova é extremamente complexo e polêmico, merecendo de todo o movimento estudantil uma discussão mais profunda, afinal vai de encontro a diversos pontos do PL 7.200/2006, podendo ser uma estratégia de fatiar os debates centrais da Reforma Universitária.
MEIO PASSE, NOSSA LUTA CONTINUA!
Enfrentamos um período muito difícil para os estudantes universitários brasileiros, a ampliação das Universidades e cursos universitários país afora não foi acompanhada pelo crescimento dos alojamentos estudantis, o caso das particulares é ainda mais grave pela ausência total de programas de assistência estudantil. O ainda complexo ingresso num curso universitário torna-se uma grande dor de cabeça com o preço das mensalidades, cobrança de taxas, gastos com alimentação e o alto custo do transporte.
Defendemos que as Universidades devem a cada dia se aproximar mais da população, e isto, não significa uma faculdade a cada esquina, muito pelo contrário. Precisamos que seus “muros e portões devam ser derrubados” e suas instalações abertas ao convívio de todos, que seus projetos e pesquisas primem pelo desenvolvimento de idéias, teses, patentes, projetos de caráter popular a caminho do pleno desenvolvimento humano.
A garantia constitucional do acesso a educação deve ser plenamente alcançada e estendida a todos que queiram estudar e esta garantia constitucional implica em programas de assistência estudantil capazes de garantir a ida e vinda dos estudantes de seus locais de estudo, bem como sua alimentação e acesso à cultura.
Apesar da precariedade de alguns programas existentes de assistência estudantil, defendemos a sua ampliação de forma a garantir que todos os estudantes sejam atendidos. Entretanto, a principal demanda estudantil brasileira atual é o direito de chegar ao local de estudo, que na maioria das vezes nem é pautada.
Por isso, acreditamos a construção de uma grande luta nacional que paute o debate e construa uma legislação que garanta o meio-passe estudantil universitário para todos os estudantes brasileiros da rede pública e privada.
Meia Passagem é Direito, Vamos à Luta!
Respeito à diversidade
“...Minha força não é bruta,
não sou freira, nem sou puta...”(Maria Rita)
Durante muito tempo o movimento feminista manteve-se distante de entidades partidárias, sindicatos e Estado. O ingresso dessas feministas deu-se quando muitas mulheres começaram a pressionar a favor da adoção de políticas de gênero progressista. Assim, o movimento feminista fez a sua entrada nos partidos políticos e passaram a ser figurinha obrigatória.
Nas últimas duas décadas, com a chegada ao poder de vários partidos de esquerda, o movimento surgiu com o desafio de manter sua autonomia radical e, ao mesmo tempo, necessitando rever e questões no estado: contribuir com a equidade dos gêneros, combate à desigualdade entre homens e mulheres. A cultura política e hierárquica, militarista, então dominante na esquerda veio a ser identificada como machista e por tanto, como parte do problema, e as feministas declararam a necessidade de inventar novas maneiras de fazer política.
As lutas feministas devem ser tratadas no nível da vida cotidiana, das relações interpessoais e sociais da consciência e não apenas no nível da estrutura e instituições de dominação de classe. O nosso objetivo é contribuir, legitimando suas lideranças feministas, conviver com a diferença e incorporar a adversidade. Por isso Jovens Mulheres urge o chamado de se dar continuidade às lutas travadas no passado pela garantia ao direito da igualdade e expressão, assim buscamos que jovens e mulheres estejam inseridas nas tomadas de decisão seja ela política em nossas entidades, doméstica ou no trabalho.
“...Considerando justa toda forma de amor...” (Lulu Santos)
A organização do movimento homossexual brasileiro tem início nos anos 80, com o surgimento dos primeiros grupos organizados, entre eles o Grupo ATOBA, Arco-íris e Gay da Bahia. Infelizmente nossa sociedade é muito preconceituosa e ainda manifesta cotidianamente o ódio e desprezo aos homossexuais, a chamada homofobia.
Na década de 90 começaram a ser realizados um dos maiores movimentos de massa que a sociedade brasileira contemporânea tem presenciado: as Paradas do Orgulho Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBTT). Além de dar visibilidade para a causa homossexual, as paradas são um momento de lutar por direitos e afirmação do ORGULHO, a condição de ser lésbica, gay, travesti, transexual ou bissexual.
O movimento GLBTT vem realizando pressões constantes sobre os políticos e órgãos governamentais em busca de direitos iguais e contra a discriminação. Para defender os direitos GLBTT foi criada, no Congresso Nacional, a Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual. Na sua composição existem deputados, deputadas, senadores e senadoras que apóiam as reivindicações GLBTT em todo país.
Em diálogo com o movimento GLBTT, Lula foi o primeiro a criar políticas públicas para promover a cidadania para nossas lutas. O programa Brasil sem Homofobia é um conjunto de ações que visa combater o preconceito e a violência e promover valores de respeito e diversidade.
A violência contra minorias sexuais compromete os princípios da cidadania, segundo pesquisa recente, a violação dos direitos humanos dos gays, lésbicas e travestis do Brasil é real, a cada três dias, pelo menos um gay, travesti ou lésbica é brutalmente assassinado no país.
As inúmeras formas de violência contra indivíduos homossexuais no Brasil, são ainda mais cruéis entre os jovens, trabalhadores perdem seus empregos, nas escolas ocorre expulsões de alunos quando se evidência a sua opção sexual. Portanto, a Tese DIRETAS JÁ NA UNE acredita que na construção de uma sociedade que possa respeitar às diferenças como passo fundamental para um mundo melhor.
Redução da Maioridade Penal. A serviço de quê? De quem?
“...Idade quatorze estado civil morto, Demorou mas a pátria mãe gentil conseguiu realizar o aborto...”
(Gabriel Pensador)
Debater contra o senso comum. Esta é a complexa tarefa daqueles contrários a redução da maioridade penal. Os grandes meios de comunicação com sua intensa capacidade de definição de agenda, isto é, das discussões realizadas na sociedade elegeram a maioridade penal como ponto chave para a queda dos índices de violência.
Tema que, frequentemente retorna ao cenário político, ganhou força após a trágica morte do menino João Hélio, na cidade do Rio de Janeiro. Entretanto, perguntamos, esta é mesmo a saída mais adequada para melhoria da segurança da população?
Nosso movimento entende que alguns pontos ou são omitidos do debate ou são desvirtuados. Por exemplo, a “impunidade”, a idéia de impunidade do menor que comete algum ato infracional tem sido vendida praticamente como um dogma. Porém, seguindo-se o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o menor pode ser punido com uma rapidez ainda maior que o adulto, sofre sansões que, mesmo não sendo na mesma medida que um adulto, podem ser eficazes.
A avaliação do sistema prisional brasileiro não pode deixar de ser sublinhada. Estatísticas apontam que o índice de reincidência dos presidiários no Brasil chega a 60%, contra apenas 20% dos menores detidos nos institutos sócio-educativos. Ou seja, a possibilidade de reabilitação é muito maior. Embora ambos os sistemas apresentem sérias debilidades, em se tratando do cumprimento de sua função, no caso, reabilitação do interno, o modelo previsto no ECA tem sido a melhor via.
Relevantes alternativas a redução da maioridade, “coincidentemente”, vêm sendo esquecidas, tais como: punir com maior vigor adultos que aliciarem crianças para o crime; aumento de pena para os indivíduos que cometam atos hediondos, são apenas algumas idéias. No Brasil onde a taxa de jovens que cometem crimes hediondos não ultrapassa 0,02%, essas medidas devem ser levadas em consideração!
Outra pergunta que fazemos é: A quem interessa a redução da maioridade penal?
Duvidamos que tal proposta vise a melhoria da qualidade de vida dos moradores de comunidades pobres que tem a violência em seu cotidiano; dos negros que representam a imensa maioria da população carcerária do país; e da enorme massa de jovens que crescem sem o amparo básico, previsto no próprio ECA, a tão falada reeducação depois de uma infração cometida.
Todos lembram de João Hélio e responsabilizam sua morte a ausência do Estado. Contudo, a lembrança de vidas como a da menina Alana Ezequiel (aos 13 anos morta por bala perdida em favela no Rio), que ocorrem com a população mais pobre, com a mesma velocidade que saem da capa dos noticiários fogem de nossas mentes.
Em resumo, não compactuamos com a impunidade. Menos ainda, com falsos discursos. Apontamos que a redução da maioridade penal em nada se preocupa com a equalização da sociedade, com a queda nos índices de criminalidade ou com a punição de jovens criminosos, mas sim, com a possibilidade de cada da vez mais cedo, estigmatizar, excluir e punir aqueles que por muitas vezes são vítimas de um projeto extremamente hediondo de sociedade.
Para nós, o que precisamos fazer é: CONSTRUIR MAIS ESCOLAS, PARA CONSTRUIR MENOS PRESÍDIOS!
“...Somos guardiões da Amazônia, E ninguém levará nossas riquezas” (Demetrius Haidos e Geandro Pantoja)
O Brasil é conhecido internacionalmente por suas riquezas naturais. Ambicionadas pelas principais indústrias existentes, essas riquezas foram e estão sendo usurpadas de nosso território. Atualmente, poucos ecossistemas naturais ainda resistem e o principal é a nossa Amazônia.
Concentradora de uma riqueza pouco conhecida, essa floresta está pouco a pouco sendo tomada do povo brasileiro. Seja pela degradação desordenada perpetuada pelos agroempresários brasileiros, seja pela venda para pessoas ou grupos internacionais, a Amazônia está sendo destruída.
O mais grave é a inoperância do governo brasileiro frente a estas atitudes e a inserção de ONGs e pesquisadores internacionais, cujo único interesse é o roubo de nossas riquezas por meio de patentes e a ocupação sorrateira de um território cuja soberania é brasileira, única e exclusivamente. Nós, estudantes, precisamos pressionar o governo pela defesa de nossa Amazônia e não admitirmos a sua venda para grupos capitalistas internacionais!
Defender a Amazônia deve ser uma tarefa de todos!
“...Nós dois temos os mesmos defeitos, Sabemos tudo ao nosso respeito...” (Engenheiros do Havaí)
Precisamos chamar todos os estudantes a uma reflexão a cerca da chamada crise do ME (Movimento Estudantil) causada pelo distanciamento e pelo descrédito dos estudantes em relação ao ME Por isso defendemos a opção de construir o movimento pela base.
Organizar os estudantes nas lutas diárias das universidades deve ser o caminho a ser trilhado para ampliarmos nossa intervenção, como também resgatar o caráter representativo e aglutinador do próprio M.E. demonstrando força a partir de lutas que conduzam os estudantes às vitórias pontuais, que são importantíssimas para consolidar o espírito de luta do ME. A cada aumento de mensalidade derrubada, a cada professor inadequado afastado, a cada sanitário trocado, a cada ventilador instalado, a cada grupo cultural montado, a cada gestor corrupto afastado, teremos a certeza de que mais e mais estudantes estarão se identificando com a necessidade da luta, único caminho para emancipação do ME.
Reafirmando a vocação protagonista, que ao longo dos tempos fez a UNE e UEE pautarem a agenda de lutas da nação, devemos ocupar as salas de aulas de todo o país, chamando a juventude à construção de um projeto soberano de nação, e de um novo mundo tolerante, inclusivo, sem oprimidos e opressores e que retribua a cada um segundo a sua necessidade.
Saudações Estudantis!
TESE DIRETAS JÁ NA UNE
GALERA QUE TÁ MUDANDO A UNIVERSIDADE E O MOVIMENTO ESTUDANTIL:
Moisés Silva – 1º Secretário da UNE -- Fábio Borges – Vice RJ da UNE - Renaldo Junior – Vice SE/AL da UNE- André “meio quilo” – Diretor de Particulares da UNE - João Victor Tayah - Vice-Presidente UEE/AM - Rilden Ramos – Vice-presidente da UEE/RJ - Danielle Dutervil – 1ª Tesoureira da UEE/RJ - Ricardo Bomfim – Diretor de C& T da UEE/RJ - Suellen Lannes – Diretora de Mulheres da UEE/RJ - Cláudio Pires – Diretor de Cultura da UEE/RJ - Marluce Mineiro – Diretora da Enesso - Márcia Rebeca – vice-presidente DCE/CEFET-AM - Claudemir Rodrigues - DCE/UNESA - Soraia Vermelho - DCE/UNESA - Dimas Felix - DCE/UNESA - Ramiro Carlos – DCE/UNESA - Mário César – DCE/UNESA - Samuel Braw – DCE/UNESA - Fábio Ventura- DCE/UNESA- Túlio Leitão – DCE/UNESA - Silvana Andrade – DCE/UNESA - Marcos Vinicius – DCE/UNESA - Mônica Menezes – DCE/UNESA - Alexsandro Marques – DCE/UNESA - Antonio Marciano – DCE/UNESA - Vanessa Batista – DCE/UNESA - Rodrigo Teixeira – DCE/UNESA - Alexandre Esperança – DCE/UNESA - Clédson Cabral –DCE/UNESA - Meicar Carvalho – DCE/UNESA - Herme Santos – DCE/UNESA - Talisson Leal – DCE/UNESA - Ohana Lopes – DCE/UNESA - Magali Viegas – DCE/UNESA - Roberto Lobo –DCE/UNESA - Rodrigo Rosa – DCE/UNESA - Fernanda Marques – DCE/UNESA - Leonardo Soares – DCE/UNESA - Therezinha Zarro –DCE/UNEA - Marcio Alfredo – DCE/UNES - Robson Souza – DCE/UNESA - Thiago dos Santos Costa – DCE/UNESA - Gilberto Ramos – DCE/UNESA - Leonardo Pontes DCE/UNESA - Bruna Poley – DCE/UNES - Bruno Ribeiro – DCE/UNESA - Clefano Pessanha – DCE/UNESA - Carmem Figueira – DCE/UNESA - Luciana Rodrigues – DCE/UNESA - Thiago Duarte – DCE Mário Prata/UFRJ - Daniel Souza – DCE/PUC - Himalaia Galvão – DCE/PUC - Frederico Gentil - DCE/UCP - Felipe Dionísio – Pedagogia/ UFAM – Patricia Moreira – Administração/UFAM - Raisa Pierre - Letras/ UFAM - Esthefison D’almeida Design/ UFAM - Alexandre Oliveira – Direito/UFMS - Danilo Otto – Direito/ Unisantos - Fabiano Bastos – História da UFRRJ - Mariana Portugal - Psicologia/UERJ - Hugo Estevam – Filosofia/UFRJ - Vinicius Alves – Direito/UNIPLI - Leandro Guimarães – Ciências da Computação/UNIPLI - Womer Morandini – Enfermagem/UNIPLI - Priscila Câmara – Biologia/UNIVERSO - Thiago Lyra – Filosofia/UERJ - Felipe Cardoso – PUC.
________________________________________________________(Agora só falta você!
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