Bem, já faz muito tempo que alguns companheiros vem me pedindo para emitir minha opinião sobre a implementação das políticas de reserva de vagas para o ensino superior.
Não quero aqui apresentar minha opinião, ou tentar construir uma verdade sobre o assunto. Antes, quero francamente usar este espaço para juntos verificarmos os argumentos contrários e favoráveis a temática e assim quem sabe construirmos novos argumentos/questionamentos.
Saudações Socialistas
Valeu Zumbi O grito forte dos Palmares Que correu terras céus e mares Influenciando a Abolição Zumbi valeu Hoje a Vila é Kizomba É batuque, canto e dança Jogo e Maracatu Vem menininha pra dançar o Caxambu Vem menininha pra dançar o Caxambu Ô ô nega mina Anastácia não se deixou escravizar Valeu Valeu Zumbi
16.10.09
Retornando
Aviso aos navegantes que estou retornando
a escrever neste espaço
Grato aos que lerem e comentarem
a escrever neste espaço
Grato aos que lerem e comentarem
28.9.09
7.4.09
Semana Santa
Saudações a todos e todas
Que possamos neste final de semana,
que cristãos das mais diferentes confissões
se unem para celebrarem
o Suplício e Morte do Mestre Nazareno
pensar no seu maior ensinamento:
"Que amemos o próximo como a nós mesmos"
Que possamos refletir
nas guerras, perseguições, torturas
que assolam a humanidade
mas, principalmente
pensarmos nas causas de tanto sofrimento
e refletirmos se é mesmo necessário
que a fé digo a intolerância
continue nos separando?
Será que não podemos contruir
uma sociedade tolerante e pacífica?
Um mundo de paz e justiça
é possível?
Enfim, que possamos simplesmente
Refletir que o Mestre Nazareno
só morreu por causa da intolerância ...
Que possamos neste final de semana,
que cristãos das mais diferentes confissões
se unem para celebrarem
o Suplício e Morte do Mestre Nazareno
pensar no seu maior ensinamento:
"Que amemos o próximo como a nós mesmos"
Que possamos refletir
nas guerras, perseguições, torturas
que assolam a humanidade
mas, principalmente
pensarmos nas causas de tanto sofrimento
e refletirmos se é mesmo necessário
que a fé digo a intolerância
continue nos separando?
Será que não podemos contruir
uma sociedade tolerante e pacífica?
Um mundo de paz e justiça
é possível?
Enfim, que possamos simplesmente
Refletir que o Mestre Nazareno
só morreu por causa da intolerância ...
12.2.09
Religiosidade
Religiosidade
A religiosidade que professo
Não é mero e fútil objeto
De concílios ditos supremos
Em questões de prática e fé
A religiosidade que ensino
É fruto da prática cotidiana
Aprendida na tenra infância
Que os anos fazem distantes
A religiosidade que vivencio
Não é letra que assassina
Antes espírito vivificador
Que a todos cura a dor
A religiosidade que prego
É o saber dos mais antigos
Que comunga na esperança
De um mundo novo de justiça
Esta afamada religiosidade
Não disputada pelos catedráticos
É levante pelo bem comum
Instauração do reino divino
Fábio Borges
São Gonçalo, 06/12/1999
A religiosidade que professo
Não é mero e fútil objeto
De concílios ditos supremos
Em questões de prática e fé
A religiosidade que ensino
É fruto da prática cotidiana
Aprendida na tenra infância
Que os anos fazem distantes
A religiosidade que vivencio
Não é letra que assassina
Antes espírito vivificador
Que a todos cura a dor
A religiosidade que prego
É o saber dos mais antigos
Que comunga na esperança
De um mundo novo de justiça
Esta afamada religiosidade
Não disputada pelos catedráticos
É levante pelo bem comum
Instauração do reino divino
Fábio Borges
São Gonçalo, 06/12/1999
10.2.09
"O ônibus 174: Sandro Nascimento vitima ou algoz?

Trabalho elaborado sob supervisão da Professora Doutora Maria do Carmo, da disciplina Tópicos Especiais em História Medieval 3, do Departamento de História, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, pelo graduando Fábio Borges.
Rio de janeiro, 20 de junho de 2008.
Rio de janeiro, 20 de junho de 2008.
O presente trabalho foi elaborado a partir da leitura do artigo “Da violência, ou como se livrar dela. A propósito do seqüestro de um ônibus no Rio de Janeiro” do Professor Doutor Marc-Henri Piault.
Neste o Professor Marc-Henri faz uma leitura do seqüestro do ônibus da linha 174 pelo jovem Sandro Nascimento ocorrido na cidade do Rio de Janeiro em 12 de junho de 2000, com o fim trágico da morte da jovem Geisa Firma Gonçalves e do jovem Sandro Nascimento.
Texto indagador e provocativo questiona as implicações que antecederam a ocorrência e as implicações dela resultantes. Ressaltando para reflexão deste trabalho as asseverações de várias testemunhas-refens de que o Sandro Nascimento era uma vitima da sociedade.
O que de fato estas testemunhas-refens perceberam quando estavam no limiar da morte que as levaram a refutar a cômoda defesa do Sandro Nascimento como um bandido perigoso e cruel e as levaram a defendê-lo a revelia da opinião majoritária da época.
Antecedentes
A defesa intransigente destas testemunhas-refens me fez pensar um pouco nos antecedentes, na vida pregressa do Sandro Nascimento. O que levou este jovem a seqüestrar um ônibus na zona sul da cidade do Rio de Janeiro.
Nos dias que sucederam a ocorrência descobriu-se que o jovem Sandro Nascimento então com vinte e um anos de idade, era um sobrevivente da tragédia ocorrida na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1993, conhecida como o Massacre da Candelária.
Podemos ponderar que o Estado Brasileiro não garantiu ao infante Sandro Nascimento quando do abandono por seu pai o disposto no Artigo 5 (Direitos Individuais) que no caso de infantes se realiza pelo disposto nos Artigo 227 e 229 da Constituição Federal e na Lei 8.069 de 13/07/90, não tipificou seu pai no disposto nos Artigo 244 (Abandono material) e Artigo 246 (Abandono intelectual) do Código Penal e muito menos garantiu a sua mãe o disposto no Subtítulo 3 do Código Civil (Dos Alimentos).
Pode-se ponderar que inúmeras mães e infantes das classes menos favorecidas passam pela mesma situação, entretanto, o que se deve considerar é a ausência de assistência por parte do Estado Brasileiro a estas mães, não deveria o Estado garantir assistência gratuita a estas mães de forma a garantir que elas e seus filhos tenham garantidos seus Direitos Constitucionais?
Senão bastasse o abandono por seu pai por volta dos seis anos de idade o infante Sandro assistiu o assassinato de sua mãe e movido pelo medo fugiu do lugar que residia (não me ficou claro se a mãe de Sandro de fato morreu quando este tinha seis anos ou se lhe pareceu que ela morreu, já que o texto afirma que ele procurou sua família por vinte anos, ha encontrando residindo perto de sua casa).
Observado o disposto no Artigo 248 do Código Penal e concluído que a continuidade de residência do infante Sandro no mesmo local do assassinato de sua mãe ou no caso desta ainda viva de alguma forma ter contribuído para o juízo do menor que o levou a fuga, deveria o Estado Basileiro conforme disposto na seção III do Código Civil providenciar a extinção/suspensão do Poder Familiar e providenciar a tutela do infante pelo Estado Brasileiro conforme disposto no Artigo 36 do Estatuto da criança e do Adolescente (ECA) de forma a providenciar família substituta (conforme disposto nos Artigos 28 a 32 do ECA) que lhe garantisse seus Direitos Fundamentais.
A omissão do Estado Brasileiro expôs o infante Sandro ao abuso de incapazes ( Artigo 173 do Código Penal) e a moradia nas ruas da cidade do Rio de Janeiro. não podemos saber se o infante Sandro sofreu de alguma forma influência de algum adulto ou se a partir da convivência com outros infantes é que ele começou a praticar delitos.
O que se pode afirmar é que independentemente das influências a moradia nas ruas de qualquer cidade conduz por motivo de sobrevivência os infantes moradores das ruas a cometerem furtos (Artigo 155 do Código Civil), furtos qualificados (Artigo 155 - IV do Código Civil) e roubos (Artigo 157 do Código Civil), a experiência com as drogas não se pode supor a partir da luta pela sobrevivência, antes constata se como sempre presente e comum entre infantes e adolescentes moradores de rua o seu uso, que para alguns serve como entorpecedor-aliviador das agruras desta vida marginal.
A sociedade brasileira na sua totalidade fecha os olhos para não perceber a omissão do Estado Brasileiro frente a realidade do constante e crescente número de infantes e adolescentes que vivem nas ruas, ao invés de questionar a omissão do Estado Brasileiro prefere culpar os próprios infantes e adolescentes que seriam rebeldes sem causa que preferem as ruas ao aconchego de um lar, ou culpam as famílias que negligentes não fazem controle familiar e mais permitem que suas crianças invadam as ruas e ponham em risco os homens de bem.
Olhos cerrados para a desigualdade social e outros fatores que produzem estes menores, a sociedade passa a cobrar do Estado Brasileiro uma política de repressão que encarcere estes delinqüentes juvenis, a despeito de se exigir que o Estado Brasileiro cumprisse sua obrigação constitucional de providenciar famílias substitutas que acolhessem estes infantes e lhes proporcionasse um lar, uma família.
O Massacre da Candelária
O presente trabalho não se destina a analisar o extermínio de oito infantes e a tentativa de extermínio de mais de setenta infantes que dormiam na porta da Igreja da Candelária, o que interessa deste evento são as implicações psicológicas que o evento produziu no adolescente Sandro e novamente a omissão do Estado Brasileiro que mais uma vez teve a oportunidade de lhe garantir uma nova possibilidade de vida. Não quero afirmar que o convívio familiar por si só garante que infantes quando adultos não enveredarão pelo crime, o que pretendo discutir é que o infante Sandro foi abandonado pelo Estado Brasileiro a conhecer apenas esta possibilidade de vida, a vida marginal.
No episódio da Igreja da Candelária, o infante Sandro, sofrerá provavelmente não a primeira, mas a mais contundente repressão e intervenção do Estado Brasileiro sobre sua vida, diferente das prováveis vezes anteriores agora o Estado Brasileiro na figura da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro não fará a costumeira detenção e envio de menores infratores para o Juizado da Infância e Adolescência, a Policia Militar chega no local durante a madrugada e acordada os menores sob cerrado poderio bélico.
O infante Sandro sobrevive talvez por não estar na primeira fileira alvejada e provavelmente por sua condição fisica que lhe possibilitou a fuga rápida. Não podemos saber quais foram as implicações que o conjunto das omissões do Estado e da Sociedade Brasileiras e da tentativa de Exterminio produziram no infante Sandro. O que podemos presumir é que o infante-adolescente Sandro não poderá jamais confiar neste Estado que tentou lhe tirar a vida.
Ser detido e enviado pela Policia Militar para Juizados da Infância e Adolescencia para o infante Sandro é resultado direto de suas ações marginais, ainda que não compreenda quais os motivos que impedem o Estado e a sociedade brasileiras de lhe assistir, sabe que seus pequenos delitos devem ser reprimidos, dái a ter sua vida quase eliminada por aqueles que deveriam defender a integridade fisica de todo e qualquer cidadão, é uma questão que não sabemos como Sandro respondeu.
O que sabemos é que o Estado Brasileiro mais uma vez se omitiu. e o nosso adolescente reaparecerá nas telas de televisão do mundo inteiro no ano de 2000 no episódio que ficou conhecido como "Sequestro do ônibus 174".
A ocorrência
No dia doze de junho de dois mil, um transeunte no bairro do Jardim Botânico liga para a Policia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) e denuncia que um ônibus da linha 174 (Central X Gâvea) está sendo assaltado. A PMERJ atende prontamente cercando o ônibus e tentando invadi-lo, o que não tem sucesso ante ameaça do assaltante. Inicia então o episódio que se encerrará com a morte de uma refen (Geisa Gonçalves) e do assaltante (Sandro Nascimento).
Ressalta no telefonema denunciante o que foi visto pelo transeunte num ônibus em movimento (quiçá estivesse parado no momento que o transeunte olhou para o ônibus) que o levou a julgar que o ônibus estava sendo assaltado/seqüestrado.
Por que o transeunte não concedeu ao Sandro Nascimento o preceito constitucional da livre locomoção em território nacional (Inciso XV do Artigo 5° da Constituição Federal) e da presunção da inocência (Inciso LVII do Artigo 5° da CF), por que não lhe creditou ser um vendedor ambulante ou um pedinte. Quais motivos o levaram a considerar Sandro um marginal, era tão anormal assim a presença do Sandro naquele ônibus?
Dada a ineficiência da PMERJ de reprimir assaltos a ônibus, ocorrência muito comum naquele período e ainda na atualidade, é no mínimo curiosa a rápida e potente resposta dada pela PMERJ que em poucos minutos cerca o ônibus e tenta invadi-lo o que não tem sucesso ante a ameaça do assaltante/seqüestrador.
Se para os passageiros o ônibus da linha 174 estava sendo assaltado, para a PMERJ e toda a população brasileira que acompanhava pela mídia, o ônibus da linha 174 estava sendo seqüestrado.
Dadas a simulação da morte da jovem Janaina Neves com a complacência dos demais passageiros para a simulação, dada a libertação do estudante da PUC- RJ para ir estudar e a decisão de sair do ônibus sem ter atendidas suas reivindicações, o que levou a PMERJ a não considerar que o Sandro Nascimento queria um desfecho tranqüilo para a ocorrência.
Por que a PMERJ não considerou que ao descer do ônibus o Sandro talvez quisesse se render? Por que a PMERJ reagiu a esta ação atirando?
Desrespeitando a Constituição Federal, o Código Civil, o Código Penal e todas as demais leis brasileiras a PMERJ tentou assassinar friamente o Sandro Nascimento.
A equivocada ação policial feriu mortalmente a jovem Geisa Gonçalves que foi conduzida a uma ambulância, o jovem Sandro Nascimento sob alegação de estar ferido e de um suposto desejo popular de linchamento foi posto numa viatura da PMERJ e levado ao Hospital Souza Aguiar.
Se por um lado parece que a PMERJ se preocupa com a vida do Sandro Nascimento ao retirá-lo do local e encaminha-lo ao hospital, fica entretanto a pergunta, se a PMERJ pensava que o jovem Sandro Nascimento estava ferido por que não o conduziu ao hospital em uma ambulância para que fosse atendido durante o trajeto?
Chegando ao hospital já morto, a perícia legal descobrirá que o jovem Sandro Nascimento sequer fora ferido por arma de fogo sendo assassinado por asfixia. O que ocorreu durante o trajeto? Quem asfixiou o jovem Sandro e por quê?
Desrespeitando mais uma vez Nossa Carta Magna e toda a legislação vigente o Estado Brasileiro na figura da PMERJ mais uma vez atentará contra a vida do agora jovem Sandro Nascimento. Será que o jovem Sandro que escapara do massacre da Candelária na hora em que estava sendo asfixiado lembrou-se daquele evento e de sua sorte em fugir e assim salvar sua vida?
Entretanto, desta vez o Sandro Nascimento não terá a oportunidade de escapar ao seu algoz, o Estado Brasileiro que durante vinte e um anos e onze meses lhe negara seus Direitos Fundamentais expressos no Artigo 5° da Constituição Federal e ferindo o expresso no inciso XLVII lhe dará a pena de morte.
Conclusão?
Muito pouco se pode concluir dos episódios e da vida do homem Sandro Nascimento a quem o Estado Nascimento negou a oportunidade de cidadania, a quem o Estado Brasileiro nunca concedeu os Direitos Fundamentais, o direito a defesa e a um julgamento justo.
Muito pouco se pode concluir devido ao fato do Sandro nunca ter sido ouvido, o que leva as muitas considerações, probabilidades e possibilidades de análise e respostas. Tantas lacunas envolvem sua vida que qualquer analise será apenas uma reconstrução imperfeita de seus passos.
Sua vida e morte se querem serviu para que a Sociedade e o Estado Brasileiro repensassem sua forma de ver e perceber a questão dos menores moradores das ruas, para repensar as causas que levam tantos jovens das classes baixas a optarem pela vida marginal.
E principalmente, a morte do Sandro Nascimento não serviu para que a sociedade e o Estado Brasileiro questionassem a visão do menor e do adulto que vive a margem da lei como monstros. O Estado Brasileiro não concebe seus cidadãos criminosos oriundos das classes baixas como cidadãos que devem ser detidos, processados, julgados e se condenados detidos.
A ação da PMERJ as duas vezes que atentou contra a vida de Sandro Nascimento se fundamentou na certeza de estarem definitivamente livrando a sociedade da sua escória e da certeza da impunidade.
Fosse o jovem Sandro Nascimento oriundo de uma família rica que enveredasse pela vida a margem da Lei e talvez ( como todo as conclusões acerca da vida e morte de Sandro são possibilidades envoltas em inúmeros pontos obscuros, o que custar imaginar ...), somente talvez, hoje ele estaria se fosse condenado, preso e aguardando liberdade.
Bibliografia
Constituição Federal
Código Civil
Código Penal
Código do Processo Civil
Código do Processo Penal
Lei de Execuções Penais
Estatuto da Criança e do Adolescente
Neste o Professor Marc-Henri faz uma leitura do seqüestro do ônibus da linha 174 pelo jovem Sandro Nascimento ocorrido na cidade do Rio de Janeiro em 12 de junho de 2000, com o fim trágico da morte da jovem Geisa Firma Gonçalves e do jovem Sandro Nascimento.
Texto indagador e provocativo questiona as implicações que antecederam a ocorrência e as implicações dela resultantes. Ressaltando para reflexão deste trabalho as asseverações de várias testemunhas-refens de que o Sandro Nascimento era uma vitima da sociedade.
O que de fato estas testemunhas-refens perceberam quando estavam no limiar da morte que as levaram a refutar a cômoda defesa do Sandro Nascimento como um bandido perigoso e cruel e as levaram a defendê-lo a revelia da opinião majoritária da época.
Antecedentes
A defesa intransigente destas testemunhas-refens me fez pensar um pouco nos antecedentes, na vida pregressa do Sandro Nascimento. O que levou este jovem a seqüestrar um ônibus na zona sul da cidade do Rio de Janeiro.
Nos dias que sucederam a ocorrência descobriu-se que o jovem Sandro Nascimento então com vinte e um anos de idade, era um sobrevivente da tragédia ocorrida na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1993, conhecida como o Massacre da Candelária.
Podemos ponderar que o Estado Brasileiro não garantiu ao infante Sandro Nascimento quando do abandono por seu pai o disposto no Artigo 5 (Direitos Individuais) que no caso de infantes se realiza pelo disposto nos Artigo 227 e 229 da Constituição Federal e na Lei 8.069 de 13/07/90, não tipificou seu pai no disposto nos Artigo 244 (Abandono material) e Artigo 246 (Abandono intelectual) do Código Penal e muito menos garantiu a sua mãe o disposto no Subtítulo 3 do Código Civil (Dos Alimentos).
Pode-se ponderar que inúmeras mães e infantes das classes menos favorecidas passam pela mesma situação, entretanto, o que se deve considerar é a ausência de assistência por parte do Estado Brasileiro a estas mães, não deveria o Estado garantir assistência gratuita a estas mães de forma a garantir que elas e seus filhos tenham garantidos seus Direitos Constitucionais?
Senão bastasse o abandono por seu pai por volta dos seis anos de idade o infante Sandro assistiu o assassinato de sua mãe e movido pelo medo fugiu do lugar que residia (não me ficou claro se a mãe de Sandro de fato morreu quando este tinha seis anos ou se lhe pareceu que ela morreu, já que o texto afirma que ele procurou sua família por vinte anos, ha encontrando residindo perto de sua casa).
Observado o disposto no Artigo 248 do Código Penal e concluído que a continuidade de residência do infante Sandro no mesmo local do assassinato de sua mãe ou no caso desta ainda viva de alguma forma ter contribuído para o juízo do menor que o levou a fuga, deveria o Estado Basileiro conforme disposto na seção III do Código Civil providenciar a extinção/suspensão do Poder Familiar e providenciar a tutela do infante pelo Estado Brasileiro conforme disposto no Artigo 36 do Estatuto da criança e do Adolescente (ECA) de forma a providenciar família substituta (conforme disposto nos Artigos 28 a 32 do ECA) que lhe garantisse seus Direitos Fundamentais.
A omissão do Estado Brasileiro expôs o infante Sandro ao abuso de incapazes ( Artigo 173 do Código Penal) e a moradia nas ruas da cidade do Rio de Janeiro. não podemos saber se o infante Sandro sofreu de alguma forma influência de algum adulto ou se a partir da convivência com outros infantes é que ele começou a praticar delitos.
O que se pode afirmar é que independentemente das influências a moradia nas ruas de qualquer cidade conduz por motivo de sobrevivência os infantes moradores das ruas a cometerem furtos (Artigo 155 do Código Civil), furtos qualificados (Artigo 155 - IV do Código Civil) e roubos (Artigo 157 do Código Civil), a experiência com as drogas não se pode supor a partir da luta pela sobrevivência, antes constata se como sempre presente e comum entre infantes e adolescentes moradores de rua o seu uso, que para alguns serve como entorpecedor-aliviador das agruras desta vida marginal.
A sociedade brasileira na sua totalidade fecha os olhos para não perceber a omissão do Estado Brasileiro frente a realidade do constante e crescente número de infantes e adolescentes que vivem nas ruas, ao invés de questionar a omissão do Estado Brasileiro prefere culpar os próprios infantes e adolescentes que seriam rebeldes sem causa que preferem as ruas ao aconchego de um lar, ou culpam as famílias que negligentes não fazem controle familiar e mais permitem que suas crianças invadam as ruas e ponham em risco os homens de bem.
Olhos cerrados para a desigualdade social e outros fatores que produzem estes menores, a sociedade passa a cobrar do Estado Brasileiro uma política de repressão que encarcere estes delinqüentes juvenis, a despeito de se exigir que o Estado Brasileiro cumprisse sua obrigação constitucional de providenciar famílias substitutas que acolhessem estes infantes e lhes proporcionasse um lar, uma família.
O Massacre da Candelária
O presente trabalho não se destina a analisar o extermínio de oito infantes e a tentativa de extermínio de mais de setenta infantes que dormiam na porta da Igreja da Candelária, o que interessa deste evento são as implicações psicológicas que o evento produziu no adolescente Sandro e novamente a omissão do Estado Brasileiro que mais uma vez teve a oportunidade de lhe garantir uma nova possibilidade de vida. Não quero afirmar que o convívio familiar por si só garante que infantes quando adultos não enveredarão pelo crime, o que pretendo discutir é que o infante Sandro foi abandonado pelo Estado Brasileiro a conhecer apenas esta possibilidade de vida, a vida marginal.
No episódio da Igreja da Candelária, o infante Sandro, sofrerá provavelmente não a primeira, mas a mais contundente repressão e intervenção do Estado Brasileiro sobre sua vida, diferente das prováveis vezes anteriores agora o Estado Brasileiro na figura da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro não fará a costumeira detenção e envio de menores infratores para o Juizado da Infância e Adolescência, a Policia Militar chega no local durante a madrugada e acordada os menores sob cerrado poderio bélico.
O infante Sandro sobrevive talvez por não estar na primeira fileira alvejada e provavelmente por sua condição fisica que lhe possibilitou a fuga rápida. Não podemos saber quais foram as implicações que o conjunto das omissões do Estado e da Sociedade Brasileiras e da tentativa de Exterminio produziram no infante Sandro. O que podemos presumir é que o infante-adolescente Sandro não poderá jamais confiar neste Estado que tentou lhe tirar a vida.
Ser detido e enviado pela Policia Militar para Juizados da Infância e Adolescencia para o infante Sandro é resultado direto de suas ações marginais, ainda que não compreenda quais os motivos que impedem o Estado e a sociedade brasileiras de lhe assistir, sabe que seus pequenos delitos devem ser reprimidos, dái a ter sua vida quase eliminada por aqueles que deveriam defender a integridade fisica de todo e qualquer cidadão, é uma questão que não sabemos como Sandro respondeu.
O que sabemos é que o Estado Brasileiro mais uma vez se omitiu. e o nosso adolescente reaparecerá nas telas de televisão do mundo inteiro no ano de 2000 no episódio que ficou conhecido como "Sequestro do ônibus 174".
A ocorrência
No dia doze de junho de dois mil, um transeunte no bairro do Jardim Botânico liga para a Policia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) e denuncia que um ônibus da linha 174 (Central X Gâvea) está sendo assaltado. A PMERJ atende prontamente cercando o ônibus e tentando invadi-lo, o que não tem sucesso ante ameaça do assaltante. Inicia então o episódio que se encerrará com a morte de uma refen (Geisa Gonçalves) e do assaltante (Sandro Nascimento).
Ressalta no telefonema denunciante o que foi visto pelo transeunte num ônibus em movimento (quiçá estivesse parado no momento que o transeunte olhou para o ônibus) que o levou a julgar que o ônibus estava sendo assaltado/seqüestrado.
Por que o transeunte não concedeu ao Sandro Nascimento o preceito constitucional da livre locomoção em território nacional (Inciso XV do Artigo 5° da Constituição Federal) e da presunção da inocência (Inciso LVII do Artigo 5° da CF), por que não lhe creditou ser um vendedor ambulante ou um pedinte. Quais motivos o levaram a considerar Sandro um marginal, era tão anormal assim a presença do Sandro naquele ônibus?
Dada a ineficiência da PMERJ de reprimir assaltos a ônibus, ocorrência muito comum naquele período e ainda na atualidade, é no mínimo curiosa a rápida e potente resposta dada pela PMERJ que em poucos minutos cerca o ônibus e tenta invadi-lo o que não tem sucesso ante a ameaça do assaltante/seqüestrador.
Se para os passageiros o ônibus da linha 174 estava sendo assaltado, para a PMERJ e toda a população brasileira que acompanhava pela mídia, o ônibus da linha 174 estava sendo seqüestrado.
Dadas a simulação da morte da jovem Janaina Neves com a complacência dos demais passageiros para a simulação, dada a libertação do estudante da PUC- RJ para ir estudar e a decisão de sair do ônibus sem ter atendidas suas reivindicações, o que levou a PMERJ a não considerar que o Sandro Nascimento queria um desfecho tranqüilo para a ocorrência.
Por que a PMERJ não considerou que ao descer do ônibus o Sandro talvez quisesse se render? Por que a PMERJ reagiu a esta ação atirando?
Desrespeitando a Constituição Federal, o Código Civil, o Código Penal e todas as demais leis brasileiras a PMERJ tentou assassinar friamente o Sandro Nascimento.
A equivocada ação policial feriu mortalmente a jovem Geisa Gonçalves que foi conduzida a uma ambulância, o jovem Sandro Nascimento sob alegação de estar ferido e de um suposto desejo popular de linchamento foi posto numa viatura da PMERJ e levado ao Hospital Souza Aguiar.
Se por um lado parece que a PMERJ se preocupa com a vida do Sandro Nascimento ao retirá-lo do local e encaminha-lo ao hospital, fica entretanto a pergunta, se a PMERJ pensava que o jovem Sandro Nascimento estava ferido por que não o conduziu ao hospital em uma ambulância para que fosse atendido durante o trajeto?
Chegando ao hospital já morto, a perícia legal descobrirá que o jovem Sandro Nascimento sequer fora ferido por arma de fogo sendo assassinado por asfixia. O que ocorreu durante o trajeto? Quem asfixiou o jovem Sandro e por quê?
Desrespeitando mais uma vez Nossa Carta Magna e toda a legislação vigente o Estado Brasileiro na figura da PMERJ mais uma vez atentará contra a vida do agora jovem Sandro Nascimento. Será que o jovem Sandro que escapara do massacre da Candelária na hora em que estava sendo asfixiado lembrou-se daquele evento e de sua sorte em fugir e assim salvar sua vida?
Entretanto, desta vez o Sandro Nascimento não terá a oportunidade de escapar ao seu algoz, o Estado Brasileiro que durante vinte e um anos e onze meses lhe negara seus Direitos Fundamentais expressos no Artigo 5° da Constituição Federal e ferindo o expresso no inciso XLVII lhe dará a pena de morte.
Conclusão?
Muito pouco se pode concluir dos episódios e da vida do homem Sandro Nascimento a quem o Estado Nascimento negou a oportunidade de cidadania, a quem o Estado Brasileiro nunca concedeu os Direitos Fundamentais, o direito a defesa e a um julgamento justo.
Muito pouco se pode concluir devido ao fato do Sandro nunca ter sido ouvido, o que leva as muitas considerações, probabilidades e possibilidades de análise e respostas. Tantas lacunas envolvem sua vida que qualquer analise será apenas uma reconstrução imperfeita de seus passos.
Sua vida e morte se querem serviu para que a Sociedade e o Estado Brasileiro repensassem sua forma de ver e perceber a questão dos menores moradores das ruas, para repensar as causas que levam tantos jovens das classes baixas a optarem pela vida marginal.
E principalmente, a morte do Sandro Nascimento não serviu para que a sociedade e o Estado Brasileiro questionassem a visão do menor e do adulto que vive a margem da lei como monstros. O Estado Brasileiro não concebe seus cidadãos criminosos oriundos das classes baixas como cidadãos que devem ser detidos, processados, julgados e se condenados detidos.
A ação da PMERJ as duas vezes que atentou contra a vida de Sandro Nascimento se fundamentou na certeza de estarem definitivamente livrando a sociedade da sua escória e da certeza da impunidade.
Fosse o jovem Sandro Nascimento oriundo de uma família rica que enveredasse pela vida a margem da Lei e talvez ( como todo as conclusões acerca da vida e morte de Sandro são possibilidades envoltas em inúmeros pontos obscuros, o que custar imaginar ...), somente talvez, hoje ele estaria se fosse condenado, preso e aguardando liberdade.
Bibliografia
Constituição Federal
Código Civil
Código Penal
Código do Processo Civil
Código do Processo Penal
Lei de Execuções Penais
Estatuto da Criança e do Adolescente
Meu legado
Minha morte é certa
Lápide mais que garantida
Além vida é duvidoso
Nesta lida que só sofro
Tenho escrito estrofes
Com rima e vida
Que retratam minh’ alma
O meu presente pensar
Quando após a lousa
Lerem meus rabiscos
Saberão que eu tolo
Cria na revolução
Revolução da mente
Processada no votar
Em leis e atos justos
Retrato do coração
Somente espero
Que não os queimem
Antes de lerem
E refletirem comigo...
Fábio Borges
São Gonçalo, 18/12/1999
Lápide mais que garantida
Além vida é duvidoso
Nesta lida que só sofro
Tenho escrito estrofes
Com rima e vida
Que retratam minh’ alma
O meu presente pensar
Quando após a lousa
Lerem meus rabiscos
Saberão que eu tolo
Cria na revolução
Revolução da mente
Processada no votar
Em leis e atos justos
Retrato do coração
Somente espero
Que não os queimem
Antes de lerem
E refletirem comigo...
Fábio Borges
São Gonçalo, 18/12/1999
6.2.09
Pivete (por: Pai Altair T'Ògún
Eu sou o moleque de rua
que vive vagando ao relento,
o meu lar é o meio da rua
e carinhos, só tenho os do vento
frio, batendo em meu rosto
me fazendo tiritar e tremer,
esfriando ainda mais meu corpo
tão jovem, mas já cansado de sofrer.
Eu sou criança prostituída,
às vezes até por um naco de pão.
Eu já sou estuprado pela vida
sem amor, carinho, habitação;
não tenho família, escola, então,
“dou” para alguém, por quê não?
Eu sou pasto dos tarados
lascivos, de mente insana.
Mas, que não diferem dos abastados
que fingem ser gente bacana,
fazendo demagogias, fingindo medidas bruscas,
com isso gastando grana
e se elegendo às minhas custas.
É! E muita gente não vê
e até nem pensa assim.
Mas, veja comigo você:
eles se locupletam em mim.
E isso, também é estupro!
E pra mostrar o que fazer,
formam Comissão ou Grupo
de trabalho, só eu não sei: pra quê?
“...OH! É A COMISSÃO DA CRIANÇA
ABANDONADA E CARENTE!...”
Aí, nos enchem de esperança,
mas só vem é ferro nagente:
aumenta o extermínio e a matança.
Tanto faz, com Código ou Estatuto;
pois pra mim é tudo mesmo só falação.
Mas, o que me deixa mais “puto”
é que se eu não morrer de inanição,
sarampo, verminose ou bexiga,
não escaparei da mão
do malandro, da polícia ou da briga
numa roda de fumo.
Pois isso, no começo me dão,
depois, quando eu me acostumo
é que me torno ladrão
pra poder sustentar o meu vício,
que agora, é coisa cara
e não mais, o “presente” do início.
Vejam só gente, que barra!?
Alguém a quem peço esmola
me acusa de dedo em riste
dizendo que eu cheiro cola,
mas, não sabe da realidade triste:
se eu cheiro cola, “bacana”,
é pra acalmar minha fome.
Mas, isso não é motivo
pra que você me abandone.
E apesar disto tudo, minha gente,
ainda sou muito temido.
Sou sempre culpado, jamais inocente,
sou miniatura de bandido
à margem da sociedade,
acuado como animal ferido.
Então, me embruteço desde tenra idade,
vou me tornando atrevido
e vou devolvendo à sociedade
tudo aquilo que ela me tem impingido.
Quando é que isso vai acabar...?
Fico a pensar e não sei,
pois se com educação eu não posso contar,
muito menos com o cumprimento da lei.
Isto vai é acabar em sangue;
talvez, eu seja o próximo “presunto”.
Vai acontecer, eu já sei: Bang..! Bang..! Bang..!
Aí...! Terminou meu assunto.
Pivete
Autoria: Altair T'Ògún
que vive vagando ao relento,
o meu lar é o meio da rua
e carinhos, só tenho os do vento
frio, batendo em meu rosto
me fazendo tiritar e tremer,
esfriando ainda mais meu corpo
tão jovem, mas já cansado de sofrer.
Eu sou criança prostituída,
às vezes até por um naco de pão.
Eu já sou estuprado pela vida
sem amor, carinho, habitação;
não tenho família, escola, então,
“dou” para alguém, por quê não?
Eu sou pasto dos tarados
lascivos, de mente insana.
Mas, que não diferem dos abastados
que fingem ser gente bacana,
fazendo demagogias, fingindo medidas bruscas,
com isso gastando grana
e se elegendo às minhas custas.
É! E muita gente não vê
e até nem pensa assim.
Mas, veja comigo você:
eles se locupletam em mim.
E isso, também é estupro!
E pra mostrar o que fazer,
formam Comissão ou Grupo
de trabalho, só eu não sei: pra quê?
“...OH! É A COMISSÃO DA CRIANÇA
ABANDONADA E CARENTE!...”
Aí, nos enchem de esperança,
mas só vem é ferro nagente:
aumenta o extermínio e a matança.
Tanto faz, com Código ou Estatuto;
pois pra mim é tudo mesmo só falação.
Mas, o que me deixa mais “puto”
é que se eu não morrer de inanição,
sarampo, verminose ou bexiga,
não escaparei da mão
do malandro, da polícia ou da briga
numa roda de fumo.
Pois isso, no começo me dão,
depois, quando eu me acostumo
é que me torno ladrão
pra poder sustentar o meu vício,
que agora, é coisa cara
e não mais, o “presente” do início.
Vejam só gente, que barra!?
Alguém a quem peço esmola
me acusa de dedo em riste
dizendo que eu cheiro cola,
mas, não sabe da realidade triste:
se eu cheiro cola, “bacana”,
é pra acalmar minha fome.
Mas, isso não é motivo
pra que você me abandone.
E apesar disto tudo, minha gente,
ainda sou muito temido.
Sou sempre culpado, jamais inocente,
sou miniatura de bandido
à margem da sociedade,
acuado como animal ferido.
Então, me embruteço desde tenra idade,
vou me tornando atrevido
e vou devolvendo à sociedade
tudo aquilo que ela me tem impingido.
Quando é que isso vai acabar...?
Fico a pensar e não sei,
pois se com educação eu não posso contar,
muito menos com o cumprimento da lei.
Isto vai é acabar em sangue;
talvez, eu seja o próximo “presunto”.
Vai acontecer, eu já sei: Bang..! Bang..! Bang..!
Aí...! Terminou meu assunto.
Pivete
Autoria: Altair T'Ògún
Glauber Braga cobra parceria na elaboração de projetos para afrodescendentes

O deputado federal Glauber Braga (PSB/RJ), que tem como uma de suas bandeiras a luta pela inclusão social, visitou hoje (4) o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos. Na ocasião, o socialista falou de importância de executivo e judiciário trabalharem juntos na elaboração de programas e projetos direcionados, em especial, à população afrodescendente.
O ministro se colocou à disposição para a construção de parcerias que atendam às demandas dessa parcela da população. “Um ponto importante, que cada vez mais precisa ser colocado em discussão, é o Estatuto da Igualdade Racial. Precisamos trabalhar sempre contra o preconceito e pela inclusão”, afirmou.
Assessoria de Imprensa da Liderança do PSB na Câmara
30.1.09
Réplica a um artigo sobre a luta armada
ANOS DE CHUMBO
Por Carlos Eugênio Paz em 25/11/2008
O que quer o jornalista Augusto Nunes quando defende que guerrilheiros que combateram a ditadura militar de direita (e se havia uma ditadura é porque o jogo democrático já havia sido rompido por eles) são iguais e merecem o mesmo tratamento que aqueles que torturaram e assassinaram covardemente presos amarrados e sob a custódia do Estado brasileiro?
E que praticaram isso como estratégia de luta e método sistemático de manutenção do poder.
O que quer Augusto Nunes quando ataca o governo do Lula sob o ponto de vista da direita conservadora, diferenciando-se claramente dos que o criticam construtivamente e fraternalmente, mas reconhecem os imensos avanços do país, finalmente conhecendo o que é governar olhando para o povo e suas necessidades?
O que quer Augusto Nunes quando publica um artigo como este, dado no Jornal do Brasil em 19 de novembro de 2008?
Precisa dizer?
Coisas da Política
As travessuras do jovem combatente
Augusto Nunes
Ele abriu a porta do apartamento ansioso por anunciar a opção que tomara. Encontrou na poltrona da sala o irmão mais velho, esperou que interrompesse a leitura do jornal e, com voz grave, informou: "Fiz uma opção político-ideológica definitiva. Sou marxista-leninista." Desconsertou-se ao ver que a expressão do primogênito exibia a placidez de quem ouvira o caçula avisar que estava de saída para tomar algumas no bar da esquina. Sem nenhum sinal de abalo, o alvo da notícia formidável reagiu com uma interrogação distraída: "Você já leu muita coisa sobre isso?", perguntou. "Li o suficiente", mentiu naquela noite de outubro de 1968 o estudante de 19 anos que, em janeiro, trocara a cidade interiorana pelo Rio.
Até então, o plano era cursar a Faculdade Nacional de Direito, depois o Instituto Rio Branco e, se Deus ajudasse, virar embaixador em Paris. Sempre com voz distraída, o irmão quis saber se aquilo estava de pé. "Não", ofendeu-se o convertido. "O dever de um revolucionário é fazer a revolução." E então soltou a declaração decorada para matar no nascedouro aquele sorriso de Mona Lisa: "Estou disposto a qualquer sacrifício para implantar no Brasil o socialismo. Não tenho dúvidas sobre o que devo fazer na vida."
"Que bom!", retomou a leitura do jornal o irmão. "Tudo o que eu queria era ter 19 anos e nenhuma dúvida. Estou com 25 e cheio delas." Ambos em silêncio, só o caçula escutou o estrondo das interrogações soterrando o poço de certezas inaugurado na manhã daquele dia. A ironia feita de 19 palavras induziu o revolucionário de 19 anos a passar os meses seguintes flagelando-se com perguntas. As respostas o aconselharam, no fim de 1969, a recusar a adesão à luta armada, quase imposta a ovelhas desgarradas por pastores implacáveis. Quem se afastava do rebanho não tinha o direito de proclamar-se dissidente. Tanto os que renunciaram ao combate quanto os que se juntaram à resistência democrática eram, todos, desbundados.
Além da generosidade genuína, além da cólera provocada pela ditadura brutal, sufocante, liberticida, além da pressa em erradicar a tortura, além do inconformismo com um país injusto, também a vigilância ameaçadora dos jovens comandantes engrossou a procissão dos passageiros da utopia que se meteram na travessia da picada do penhasco. Quem começasse a percorrê-la teria de avançar até a chegada – ainda que não houvesse chegada.
Os desbundados de 1968 sofriam condenações morais. Na virada da década, quem tentasse desviar-se do caminho ou propor mudanças de rota estaria exposto aos castigos reservados pelo código penal da luta armada aos traidores, vacilantes ou desertores. Qualquer desses adjetivos justificava a aplicação da pena de morte. Os juízes eram jovens demais, os réus estavam longe da maturidade. Mas os componentes do tribunal agiam com a soberba dos veteranos. Os carrascos, também.
Márcio Leite de Toledo tinha 19 anos quando foi enviado a Cuba pela Aliança Libertadora Nacional para fazer um curso de guerrilha. Ao voltar em 1970, tornou-se um dos cinco integrantes da Coordenação Nacional da ALN. Com 19 anos, lá estava Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz. Em outubro, durante uma reunião clandestina, os generais garotões souberam da morte de Joaquim Câmara Ferreira, que em novembro do ano anterior substituíra o chefe supremo Carlos Marighela, assassinado numa rua de São Paulo. Márcio propôs uma pausa na guerra antes que fossem todos exterminados.
Já desconfiado de Márcio – não era a primeira vez que divergia dos companheiros – Carlos Eugênio convenceu o restante da cúpula de que o dissidente estava prestes a traí-los e entregar à polícia o muito que sabia. Montou o tribunal que aprovou a condenação à morte e ajudou a executar a sentença no fim da tarde de dia 23 de março de 1971, no centro de São Paulo. Antes de sair para o encontro com a morte, o jovem que iria morrer escreveu que "nada o impediria de continuar combatendo". Não imaginava que seria impedido por oito tiros.
O assassino quase sessentão admite que o crime foi um erro, mas não se arrepende do que fez. Na guerra, essas coisas acontecem, explica o justiceiro impiedoso. Depois do crime, ele se tornou muito respeitado pelos companheiros, que o conheciam pelo codinome: Clemente.
"Os inimigos existem"
Sobre o cabo Anselmo, na única vez em que nos vimos ele veio ao ponto com o famigerado delegado Fleury. Como já estava desconfiado e tinha tomado minhas precauções, o tiroteio foi terrível, mas escapamos todos. Estávamos no fusca da Ação Libertadora Nacional - ALN, eu, o Iuri Xavier Pereira, seu irmão Alex de Paula Xavier Pereira e a companheira Célia, que é sobrevivente, mãe de Alina, filha de Luiz Almeida Araújo (Luiz, imão de Amparo, não teve a mesma sorte, é um dos desaparecidos: foi entregue ao delegado pelo cabo Anselmo, assim como Paulo de Tarso Celestino e Eleni Guariba) e pode confirmar tudo. No tiroteio consegui acertar um tiro no delegado. Infelizmente fui incompetente, pois só acertei o nariz do torturador. Não me incomodo em nada com a pessoa do cabo, me incomodo com a ausência do Luiz, com a ausência do Paulo, com as ausências dos irmãos Iuri e Alex.
A lembrança dessa época, para mim, é lembrança de uma luta que não me arrependo de ter travado. Era uma luta armada, era dura, precisamos todos, humanistas que éramos, aviltar nossas entranhas, nosso sentimentos, nossas convicções. E fomos exterminados. Mas nossas idéias não, e faço questão de dizê-lo porque sem elas não seria possível muitas das conquistas de hoje. Estamos no caminho, não chegamos ao sonhado "carnaval da vitória", mas será que haverá necessidade de um carnaval da vitória? Será que a vida não é assim mesmo, feita de pequenas vitórias e grandes derrotas?
Acho admiráveis as pessoas que conseguem pensar até na humanidade das feras. Nada mais humano que as feras. Aliás, gostaria de ser tão compreendido por meus pares, por minha geração, que é linda, mas perdoa mais facilmente os inimigos que compreende os companheiros. Pensemos. Pensemos em quantas vezes nos surpreendemos sendo implacáveis conosco mesmos e magnânimos com os inimigos. Sim, essa categoria existe. Eles, os inimigos, existem. E nos tratam como tal, como inimigos.
Doidivanas aventureiros
Mas nós exercitamos nossas almas, nossas cabeças, a descobrir como sermos superiores a eles, entendendo seus gestos, compreendendo as situações a que estavam submetidos. Vivi o início da luta, quando caminhávamos com flores nas mãos em direção ao poder, sobrevivi (peço que parem de me culpar por isso), e vivi o meio e o fim. Vivi cercado, vivi um "tempo de guerra, um tempo sem sol" (obrigado, Guarnieri), vivi um tempo em que sair nas ruas era tiroteio na certa. Falo de 1969, 1970, 1971, 1972 e 1973. Minha mãe, também militante da ALN, viveu e foi presa em 1974. Foi torturada pelo Fleury, pela sua equipe toda e ainda foi torturada pelo Otávio Ângelo (o Tião da ALN e Molipo, que saiu no seqüestro do cônsul japonês e agora também que ser indenizado) e pelo Telmo (o Churrasquinho de Mãe da ALN, lá do Ceará). Manteve a dignidade. Mantivemos a dignidade.
E outro dia, uma pessoa (de quem não digo o nome, quem leu meus livros sabe que só acuso quem mudou de lado, como o cabo, o José da Silva Tavares e outros) mandou uma mensagem exigindo minha saída de outro grupo, o 40anosde68@yahoo.com.br porque, segundo ela, eu sou um sanguinário. O grupo rejeitou. Tenho sangue em minhas mãos? É claro que tenho. Não era pra lutar? Não era pra fazer uma guerra de guerrilhas? Dá para medir quem estava mais certo? Todos estávamos errados, pois fomos todos derrotados. Perdemos a guerra e perdemos juntos, a menos que alguém tenha chegado ao poder na época, através das armas.
E quem não tem sangue nas mãos, que louve a cada dia que restar de suas vidas, não ter de conviver com isso. Mas não se esqueçam também que o sangue que escorre de minhas mãos escorre das mãos de todos aqueles que um dia escolheram o caminho das armas para libertar um povo. E que defenderam a luta armada, mesmo sem ter dado nenhum tiro porque eu e meus companheiros que estivemos na linha de frente não o fizemos por sermos doidivanas aventureiros. Pegamos em armas e fomos para a linha de frente porque havia a grande parte de uma geração que defendia isso, que pregava isso.
Com honra e orgulho
Então, minha linda geração, é hora de saber que os sonhos que sonhamos juntos eram feitos de generosidade, de beleza, de compartilhamento, de dedicação, de criatividade, de desprendimento, de poesia, mas também de sangue. E se compreendemos e lutamos por aqueles que foram torturados, assassinados, mortos em combate (esses também existiram, é sempre bom lembrar), é bom também aceitar, digerir e respeitar os que estiveram na linha de frente e verteram sangue. E pensar que eles têm feridas, eles sofrem, e têm de conviver com seus atos. E que por esses atos somos todos responsáveis, os que pregamos a luta armada. E que faria muito bem a eles de vez em quando serem lembrados como parte do mesmo sonho e serem compreendidos e aceitos por sua geração, pois afinal de contas eles são iguais aos que morreram, apenas não morreram. Será isso um crime? Será um crime não estar nas estatísticas? Pois vale lembrar que não contamos nunca os sobreviventes.
O cabo Anselmo, independentemente se era infiltrado em 1964 ou se foi depois, é um inimigo. Ele entregou cerca de duas centenas de companheiros nossos à repressão. Companheiros que foram torturados, alguns até a morte. Estou cagando (perdoem-me a palavra chula, mas é que às vezes só assim expressamos nossos sentimentos) para a humanidade dele. Quero saber do Paulo de Tarso Celestino, do Luiz Almeida Araújo, da Eleni Guariba, do Alex, do Iuri, da Lola, da Gastone, do Luiz Afonso, do Aldo Sá Brito (poeta), do Marighella, do Toledo, do Lamarca, da Yara, da Sônia, da Ana Nacinovic e de todos os outros, nossos pares. E se não tomarmos uma posição firme, logo-logo ele será anistiado. Será anistiado antes de mim, se algum dia eu for. Mas como as coisas sempre acabam sendo mais difíceis para mim, estou acostumado. Só gostaria que me perdoassem o desabafo.
Carlos Eugênio – Clemente, com muita honra e orgulho
Por Carlos Eugênio Paz em 25/11/2008
O que quer o jornalista Augusto Nunes quando defende que guerrilheiros que combateram a ditadura militar de direita (e se havia uma ditadura é porque o jogo democrático já havia sido rompido por eles) são iguais e merecem o mesmo tratamento que aqueles que torturaram e assassinaram covardemente presos amarrados e sob a custódia do Estado brasileiro?
E que praticaram isso como estratégia de luta e método sistemático de manutenção do poder.
O que quer Augusto Nunes quando ataca o governo do Lula sob o ponto de vista da direita conservadora, diferenciando-se claramente dos que o criticam construtivamente e fraternalmente, mas reconhecem os imensos avanços do país, finalmente conhecendo o que é governar olhando para o povo e suas necessidades?
O que quer Augusto Nunes quando publica um artigo como este, dado no Jornal do Brasil em 19 de novembro de 2008?
Precisa dizer?
Coisas da Política
As travessuras do jovem combatente
Augusto Nunes
Ele abriu a porta do apartamento ansioso por anunciar a opção que tomara. Encontrou na poltrona da sala o irmão mais velho, esperou que interrompesse a leitura do jornal e, com voz grave, informou: "Fiz uma opção político-ideológica definitiva. Sou marxista-leninista." Desconsertou-se ao ver que a expressão do primogênito exibia a placidez de quem ouvira o caçula avisar que estava de saída para tomar algumas no bar da esquina. Sem nenhum sinal de abalo, o alvo da notícia formidável reagiu com uma interrogação distraída: "Você já leu muita coisa sobre isso?", perguntou. "Li o suficiente", mentiu naquela noite de outubro de 1968 o estudante de 19 anos que, em janeiro, trocara a cidade interiorana pelo Rio.
Até então, o plano era cursar a Faculdade Nacional de Direito, depois o Instituto Rio Branco e, se Deus ajudasse, virar embaixador em Paris. Sempre com voz distraída, o irmão quis saber se aquilo estava de pé. "Não", ofendeu-se o convertido. "O dever de um revolucionário é fazer a revolução." E então soltou a declaração decorada para matar no nascedouro aquele sorriso de Mona Lisa: "Estou disposto a qualquer sacrifício para implantar no Brasil o socialismo. Não tenho dúvidas sobre o que devo fazer na vida."
"Que bom!", retomou a leitura do jornal o irmão. "Tudo o que eu queria era ter 19 anos e nenhuma dúvida. Estou com 25 e cheio delas." Ambos em silêncio, só o caçula escutou o estrondo das interrogações soterrando o poço de certezas inaugurado na manhã daquele dia. A ironia feita de 19 palavras induziu o revolucionário de 19 anos a passar os meses seguintes flagelando-se com perguntas. As respostas o aconselharam, no fim de 1969, a recusar a adesão à luta armada, quase imposta a ovelhas desgarradas por pastores implacáveis. Quem se afastava do rebanho não tinha o direito de proclamar-se dissidente. Tanto os que renunciaram ao combate quanto os que se juntaram à resistência democrática eram, todos, desbundados.
Além da generosidade genuína, além da cólera provocada pela ditadura brutal, sufocante, liberticida, além da pressa em erradicar a tortura, além do inconformismo com um país injusto, também a vigilância ameaçadora dos jovens comandantes engrossou a procissão dos passageiros da utopia que se meteram na travessia da picada do penhasco. Quem começasse a percorrê-la teria de avançar até a chegada – ainda que não houvesse chegada.
Os desbundados de 1968 sofriam condenações morais. Na virada da década, quem tentasse desviar-se do caminho ou propor mudanças de rota estaria exposto aos castigos reservados pelo código penal da luta armada aos traidores, vacilantes ou desertores. Qualquer desses adjetivos justificava a aplicação da pena de morte. Os juízes eram jovens demais, os réus estavam longe da maturidade. Mas os componentes do tribunal agiam com a soberba dos veteranos. Os carrascos, também.
Márcio Leite de Toledo tinha 19 anos quando foi enviado a Cuba pela Aliança Libertadora Nacional para fazer um curso de guerrilha. Ao voltar em 1970, tornou-se um dos cinco integrantes da Coordenação Nacional da ALN. Com 19 anos, lá estava Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz. Em outubro, durante uma reunião clandestina, os generais garotões souberam da morte de Joaquim Câmara Ferreira, que em novembro do ano anterior substituíra o chefe supremo Carlos Marighela, assassinado numa rua de São Paulo. Márcio propôs uma pausa na guerra antes que fossem todos exterminados.
Já desconfiado de Márcio – não era a primeira vez que divergia dos companheiros – Carlos Eugênio convenceu o restante da cúpula de que o dissidente estava prestes a traí-los e entregar à polícia o muito que sabia. Montou o tribunal que aprovou a condenação à morte e ajudou a executar a sentença no fim da tarde de dia 23 de março de 1971, no centro de São Paulo. Antes de sair para o encontro com a morte, o jovem que iria morrer escreveu que "nada o impediria de continuar combatendo". Não imaginava que seria impedido por oito tiros.
O assassino quase sessentão admite que o crime foi um erro, mas não se arrepende do que fez. Na guerra, essas coisas acontecem, explica o justiceiro impiedoso. Depois do crime, ele se tornou muito respeitado pelos companheiros, que o conheciam pelo codinome: Clemente.
"Os inimigos existem"
Sobre o cabo Anselmo, na única vez em que nos vimos ele veio ao ponto com o famigerado delegado Fleury. Como já estava desconfiado e tinha tomado minhas precauções, o tiroteio foi terrível, mas escapamos todos. Estávamos no fusca da Ação Libertadora Nacional - ALN, eu, o Iuri Xavier Pereira, seu irmão Alex de Paula Xavier Pereira e a companheira Célia, que é sobrevivente, mãe de Alina, filha de Luiz Almeida Araújo (Luiz, imão de Amparo, não teve a mesma sorte, é um dos desaparecidos: foi entregue ao delegado pelo cabo Anselmo, assim como Paulo de Tarso Celestino e Eleni Guariba) e pode confirmar tudo. No tiroteio consegui acertar um tiro no delegado. Infelizmente fui incompetente, pois só acertei o nariz do torturador. Não me incomodo em nada com a pessoa do cabo, me incomodo com a ausência do Luiz, com a ausência do Paulo, com as ausências dos irmãos Iuri e Alex.
A lembrança dessa época, para mim, é lembrança de uma luta que não me arrependo de ter travado. Era uma luta armada, era dura, precisamos todos, humanistas que éramos, aviltar nossas entranhas, nosso sentimentos, nossas convicções. E fomos exterminados. Mas nossas idéias não, e faço questão de dizê-lo porque sem elas não seria possível muitas das conquistas de hoje. Estamos no caminho, não chegamos ao sonhado "carnaval da vitória", mas será que haverá necessidade de um carnaval da vitória? Será que a vida não é assim mesmo, feita de pequenas vitórias e grandes derrotas?
Acho admiráveis as pessoas que conseguem pensar até na humanidade das feras. Nada mais humano que as feras. Aliás, gostaria de ser tão compreendido por meus pares, por minha geração, que é linda, mas perdoa mais facilmente os inimigos que compreende os companheiros. Pensemos. Pensemos em quantas vezes nos surpreendemos sendo implacáveis conosco mesmos e magnânimos com os inimigos. Sim, essa categoria existe. Eles, os inimigos, existem. E nos tratam como tal, como inimigos.
Doidivanas aventureiros
Mas nós exercitamos nossas almas, nossas cabeças, a descobrir como sermos superiores a eles, entendendo seus gestos, compreendendo as situações a que estavam submetidos. Vivi o início da luta, quando caminhávamos com flores nas mãos em direção ao poder, sobrevivi (peço que parem de me culpar por isso), e vivi o meio e o fim. Vivi cercado, vivi um "tempo de guerra, um tempo sem sol" (obrigado, Guarnieri), vivi um tempo em que sair nas ruas era tiroteio na certa. Falo de 1969, 1970, 1971, 1972 e 1973. Minha mãe, também militante da ALN, viveu e foi presa em 1974. Foi torturada pelo Fleury, pela sua equipe toda e ainda foi torturada pelo Otávio Ângelo (o Tião da ALN e Molipo, que saiu no seqüestro do cônsul japonês e agora também que ser indenizado) e pelo Telmo (o Churrasquinho de Mãe da ALN, lá do Ceará). Manteve a dignidade. Mantivemos a dignidade.
E outro dia, uma pessoa (de quem não digo o nome, quem leu meus livros sabe que só acuso quem mudou de lado, como o cabo, o José da Silva Tavares e outros) mandou uma mensagem exigindo minha saída de outro grupo, o 40anosde68@yahoo.com.br porque, segundo ela, eu sou um sanguinário. O grupo rejeitou. Tenho sangue em minhas mãos? É claro que tenho. Não era pra lutar? Não era pra fazer uma guerra de guerrilhas? Dá para medir quem estava mais certo? Todos estávamos errados, pois fomos todos derrotados. Perdemos a guerra e perdemos juntos, a menos que alguém tenha chegado ao poder na época, através das armas.
E quem não tem sangue nas mãos, que louve a cada dia que restar de suas vidas, não ter de conviver com isso. Mas não se esqueçam também que o sangue que escorre de minhas mãos escorre das mãos de todos aqueles que um dia escolheram o caminho das armas para libertar um povo. E que defenderam a luta armada, mesmo sem ter dado nenhum tiro porque eu e meus companheiros que estivemos na linha de frente não o fizemos por sermos doidivanas aventureiros. Pegamos em armas e fomos para a linha de frente porque havia a grande parte de uma geração que defendia isso, que pregava isso.
Com honra e orgulho
Então, minha linda geração, é hora de saber que os sonhos que sonhamos juntos eram feitos de generosidade, de beleza, de compartilhamento, de dedicação, de criatividade, de desprendimento, de poesia, mas também de sangue. E se compreendemos e lutamos por aqueles que foram torturados, assassinados, mortos em combate (esses também existiram, é sempre bom lembrar), é bom também aceitar, digerir e respeitar os que estiveram na linha de frente e verteram sangue. E pensar que eles têm feridas, eles sofrem, e têm de conviver com seus atos. E que por esses atos somos todos responsáveis, os que pregamos a luta armada. E que faria muito bem a eles de vez em quando serem lembrados como parte do mesmo sonho e serem compreendidos e aceitos por sua geração, pois afinal de contas eles são iguais aos que morreram, apenas não morreram. Será isso um crime? Será um crime não estar nas estatísticas? Pois vale lembrar que não contamos nunca os sobreviventes.
O cabo Anselmo, independentemente se era infiltrado em 1964 ou se foi depois, é um inimigo. Ele entregou cerca de duas centenas de companheiros nossos à repressão. Companheiros que foram torturados, alguns até a morte. Estou cagando (perdoem-me a palavra chula, mas é que às vezes só assim expressamos nossos sentimentos) para a humanidade dele. Quero saber do Paulo de Tarso Celestino, do Luiz Almeida Araújo, da Eleni Guariba, do Alex, do Iuri, da Lola, da Gastone, do Luiz Afonso, do Aldo Sá Brito (poeta), do Marighella, do Toledo, do Lamarca, da Yara, da Sônia, da Ana Nacinovic e de todos os outros, nossos pares. E se não tomarmos uma posição firme, logo-logo ele será anistiado. Será anistiado antes de mim, se algum dia eu for. Mas como as coisas sempre acabam sendo mais difíceis para mim, estou acostumado. Só gostaria que me perdoassem o desabafo.
Carlos Eugênio – Clemente, com muita honra e orgulho
29.1.09
Nota do Comandante Fidel
O décimo primeiro presidente dos Estados Unidos
Na passada terça-feira, 20 de janeiro de 2009, assumiu a chefia do império Barack Obama como o Presidente número onze dos Estados Unidos, desde o triunfo da Revolução Cubana em janeiro de 1959.
Ninguém poderia duvidar da sinceridade de suas palavras quando afirma que converterá seu país em modelo de liberdade, respeito pelos direitos humanos no mundo e pela independência de outros povos. Sem que isto, é claro, ofenda quase ninguém, salvo os misantropos em qualquer canto do planeta. Já afirmou comodamente que o cárcere e as torturas na Base ilegal de Guantánamo cessariam de imediato, o qual começa a plantar dúvidas nos que rendem culto ao terror como instrumento irrenunciável da política exterior de seu país.
O rosto inteligente e nobre do primeiro presidente negro dos Estados Unidos desde sua fundação há dois séculos e um terço como república independente, tinha-se auto transformado sob a inspiração de Abraham Lincoln e Martin Luther King, até se tornar em símbolo vivente do sonho americano.
Não obstante, apesar de todas as provas suportadas, Obama não tem passado pela principal de todas. O quê fará quando o imenso poder que tomou em suas mãos seja absolutamente inútil para ultrapassar as insolúveis contradições antagônicas do sistema?
Reduzi as Reflexões tal como me propusera para o presente ano, no intuito de não interferir nem estorvar os companheiros do Partido e do Estado nas decisões constantes que devem tomar frente a dificuldades objetivas derivadas da crise econômica mundial. Eu estou bem, mas insisto, nenhum deles deve se sentir comprometido por minhas eventuais Reflexões, minha gravidade ou minha morte.
Revejo os discursos e materiais elaborados por mim ao longo de mais de meio século.
Tive o raro privilégio de observar os acontecimentos durante muito tempo. Recebo informação e medito sossegadamente sobre os acontecimentos. Espero não desfrutar de tal privilégio dentro de quatro anos, quando o primeiro período presidencial de Obama tenha concluído.
Fidel Castro Ruz
Na passada terça-feira, 20 de janeiro de 2009, assumiu a chefia do império Barack Obama como o Presidente número onze dos Estados Unidos, desde o triunfo da Revolução Cubana em janeiro de 1959.
Ninguém poderia duvidar da sinceridade de suas palavras quando afirma que converterá seu país em modelo de liberdade, respeito pelos direitos humanos no mundo e pela independência de outros povos. Sem que isto, é claro, ofenda quase ninguém, salvo os misantropos em qualquer canto do planeta. Já afirmou comodamente que o cárcere e as torturas na Base ilegal de Guantánamo cessariam de imediato, o qual começa a plantar dúvidas nos que rendem culto ao terror como instrumento irrenunciável da política exterior de seu país.
O rosto inteligente e nobre do primeiro presidente negro dos Estados Unidos desde sua fundação há dois séculos e um terço como república independente, tinha-se auto transformado sob a inspiração de Abraham Lincoln e Martin Luther King, até se tornar em símbolo vivente do sonho americano.
Não obstante, apesar de todas as provas suportadas, Obama não tem passado pela principal de todas. O quê fará quando o imenso poder que tomou em suas mãos seja absolutamente inútil para ultrapassar as insolúveis contradições antagônicas do sistema?
Reduzi as Reflexões tal como me propusera para o presente ano, no intuito de não interferir nem estorvar os companheiros do Partido e do Estado nas decisões constantes que devem tomar frente a dificuldades objetivas derivadas da crise econômica mundial. Eu estou bem, mas insisto, nenhum deles deve se sentir comprometido por minhas eventuais Reflexões, minha gravidade ou minha morte.
Revejo os discursos e materiais elaborados por mim ao longo de mais de meio século.
Tive o raro privilégio de observar os acontecimentos durante muito tempo. Recebo informação e medito sossegadamente sobre os acontecimentos. Espero não desfrutar de tal privilégio dentro de quatro anos, quando o primeiro período presidencial de Obama tenha concluído.
Fidel Castro Ruz
22.1.09
O candomblé não precisa de martires
A fé judaica consolidou-se sobre o sangue de milhares de judeus que morreram nos últimos cinco mil anos defendendo o direito de professarem sua fé.
O cristianismo surgiu sobre o martírio de Jesus de Nazaré e de todos os judeus que decidiram aderir a seita dos nazarenos.
As Igrejas Cristãs (indiferentemente da confissão) floresceram sobre o sangue de milhares de cristãos que desejavam expressar e viver sua fé de forma plena, ainda que para faze-lo fosse necessária as divisões que vieram a ocorrer no cristianismo moderno.
A sociedade ocidental que hoje se vangloria da tolerância, liberdade e democracia, precisou de muito sangue até alcançar um nível de tolerância que permitisse a convivência entre os diferentes.
Entretanto, o que vemos em solo brasileiro em relação as religiões de matriz africana, trai o ideal de tolerância, liberdade e democracia.
Vemos a cada dia o recrudescimento do fundamentalismo cristão. Vemos o retorno da intolerância religiosa e a demonização do diferente.
O Deus de Abraão, Isaque e Jacó é chamado e definido de diferentes formas por judeus, muçulmanos e cristãos. Se de fato Deus existe, será que Olodumare não é uma outra forma de se chamar e definir a divindade.
Será que o Deus invocado nas preces e cantidas por caboclos e pretos-velhos não merece respeito?
O sangue negro garantiu a liberdade dos negros e negras brasileiros, sejam eles candomblecistas, umbandistas ou cristãos (católicos, protestantes, batistas, pentecostais, neopentecostais, russelistas ,...), ir e vir, votar, estudar, ter um trabalho assalariado, casar, ... Será preciso derramar mais sangue negro para garantir a liberdade religiosa?
Candomblecistas e umbandistas não precisam de mártires, já cultuam seus heróis, ancestrais, essas, orixás, inkices e voduns.
Precisam sim, de respeito e tolerância para fazê-lo em PAZ. Precisam da ruas, encruzilhadas, rios, pedras, cachoeiras, vento, ar, ...
É mister um clamor de todos e todas que não toleram a violência, que não toleram a intolerância, que prezam pela liberdade e pelo livre-arbítrio em favor do DIREITO DOS NEGROS E NEGRAS BRASILEIROS EXPRESSAREM LIVREMENTE SUA FÉ, SEJA ESTA EM ALA, JESUS, BUDA OU EM OLODUMARE.
ASE!!!
"IGI T'OLÓRUN GBÌN KÒ SÍ ENI TI OLE FÀ A TU. ( A ÁRVORE QUE OLÓRUN PLANTA NUINGUÉM PODE ARRANCAR)"!!!
O cristianismo surgiu sobre o martírio de Jesus de Nazaré e de todos os judeus que decidiram aderir a seita dos nazarenos.
As Igrejas Cristãs (indiferentemente da confissão) floresceram sobre o sangue de milhares de cristãos que desejavam expressar e viver sua fé de forma plena, ainda que para faze-lo fosse necessária as divisões que vieram a ocorrer no cristianismo moderno.
A sociedade ocidental que hoje se vangloria da tolerância, liberdade e democracia, precisou de muito sangue até alcançar um nível de tolerância que permitisse a convivência entre os diferentes.
Entretanto, o que vemos em solo brasileiro em relação as religiões de matriz africana, trai o ideal de tolerância, liberdade e democracia.
Vemos a cada dia o recrudescimento do fundamentalismo cristão. Vemos o retorno da intolerância religiosa e a demonização do diferente.
O Deus de Abraão, Isaque e Jacó é chamado e definido de diferentes formas por judeus, muçulmanos e cristãos. Se de fato Deus existe, será que Olodumare não é uma outra forma de se chamar e definir a divindade.
Será que o Deus invocado nas preces e cantidas por caboclos e pretos-velhos não merece respeito?
O sangue negro garantiu a liberdade dos negros e negras brasileiros, sejam eles candomblecistas, umbandistas ou cristãos (católicos, protestantes, batistas, pentecostais, neopentecostais, russelistas ,...), ir e vir, votar, estudar, ter um trabalho assalariado, casar, ... Será preciso derramar mais sangue negro para garantir a liberdade religiosa?
Candomblecistas e umbandistas não precisam de mártires, já cultuam seus heróis, ancestrais, essas, orixás, inkices e voduns.
Precisam sim, de respeito e tolerância para fazê-lo em PAZ. Precisam da ruas, encruzilhadas, rios, pedras, cachoeiras, vento, ar, ...
É mister um clamor de todos e todas que não toleram a violência, que não toleram a intolerância, que prezam pela liberdade e pelo livre-arbítrio em favor do DIREITO DOS NEGROS E NEGRAS BRASILEIROS EXPRESSAREM LIVREMENTE SUA FÉ, SEJA ESTA EM ALA, JESUS, BUDA OU EM OLODUMARE.
ASE!!!
"IGI T'OLÓRUN GBÌN KÒ SÍ ENI TI OLE FÀ A TU. ( A ÁRVORE QUE OLÓRUN PLANTA NUINGUÉM PODE ARRANCAR)"!!!
21.1.09
Sim, nós podemos ...
Sim, nós podemos construir um Rio sem violência, crimes, fome, mendigos, sem-tetos, desempregados, racismo, machismo, ...
Sim, nós podemos construir uma cidade inclusiva para todos e todas que tem alguma necessidade de acessibilidade ...
Sim, nós podemos construir uma cidade que garanta educação pública, gratuita e de qualidade para todas as nossas crianças ...
Sim, nós podemos construir uma cidade onde a pluralidade étnica, pigmentar, religiosa, estética, social, seja motivo de orgulho ...
Sim, nós podemos demolir as barreiras que nos separam e tornam uns mais iguais que outros ...
Sim, nós podemos continuar a sonhar com Zumbi, Dona Zica, Carlos Prestes, dentre outros, com cidades inclusivas e solidárias, onde possamos viver plenamente nossa humanidade.
Sim, nós podemos ser comunistas no século XXI!!!
Sim, nós podemos construir uma cidade inclusiva para todos e todas que tem alguma necessidade de acessibilidade ...
Sim, nós podemos construir uma cidade que garanta educação pública, gratuita e de qualidade para todas as nossas crianças ...
Sim, nós podemos construir uma cidade onde a pluralidade étnica, pigmentar, religiosa, estética, social, seja motivo de orgulho ...
Sim, nós podemos demolir as barreiras que nos separam e tornam uns mais iguais que outros ...
Sim, nós podemos continuar a sonhar com Zumbi, Dona Zica, Carlos Prestes, dentre outros, com cidades inclusivas e solidárias, onde possamos viver plenamente nossa humanidade.
Sim, nós podemos ser comunistas no século XXI!!!
8.1.09
Do Holocausto ao Terrorismo de Estado
O povo judeu sofreu perseguições e diversas tentativas de extermínio durante vinte séculos, promovidas pelos mais diversos povos cristãos, que não conseguiram atentar para a fraternidade das religiões semitas.
A mais cruel das tentativas de extermínio do povo judeu ocorreu durante a Segunda Guerra, promovida pelos nazistas de diferentes nações européias, episódio conhecido como Holocausto.
As diversas nações no pós-guerra, horrorizados com a tentativa nazista de extermínio dos judeus, decidiram pela criação do Estado Judeu nas terras ancestrais da Palestina.
Salvo as boas intenções das diversas nações, foi negligenciado uma solução para os palestinos que habitavam aquelas terras desde a Diáspora Judaica no inicio da Era Cristã.
Na contramão do bom senso, os judeus egressos das mais diversas nações que decidiram emigrar para a Palestina para construirem uma nova Pátria, abstiveram-se do diálogo fraterno com seus irmão palestinos e fizeram da ocupação militar e do genocidio o mecanismo principal de sua intervenção.
Iniciou-se ali uma nova e sangrenta página da história mundial.
Israel ao longo de sua existência como Estado Moderno, sitiou e isolou os palestinos do resto do mundo. Enquanto desponta entre os países mais desenvolvidos do mundo, os palestinos despontam entre os mais miseráveis.
Enquanto exige de todas as nações o reconhecimento de sua existência e exige o combate a toda e qualquer manifestação anti-semita pelo mundo, segue promovendo o genocidio de um povo que habita o seu território.
Não cabe aqui uma analise dos erros e das ações fundamentalistas palestinas, o que cabe aqui é uma reflexão sobre queal seria o papel do Estado de Israel no mundo moderno. Devido a sua história os judeus deveriam ser um baluarte da defesa da igualdade e auti-determinação de todos os povos.
Se Israel não assumir seu papel de construtor de uma nova ordem mundial, pagará um alto preço. Que o Holocausto Judeu sirva sempre de lembrança da capacidade de atrocidades que os seres humanos podem fazer.
Que o Holocausto Judeu lembre Israel que somos todos humanos ...
A mais cruel das tentativas de extermínio do povo judeu ocorreu durante a Segunda Guerra, promovida pelos nazistas de diferentes nações européias, episódio conhecido como Holocausto.
As diversas nações no pós-guerra, horrorizados com a tentativa nazista de extermínio dos judeus, decidiram pela criação do Estado Judeu nas terras ancestrais da Palestina.
Salvo as boas intenções das diversas nações, foi negligenciado uma solução para os palestinos que habitavam aquelas terras desde a Diáspora Judaica no inicio da Era Cristã.
Na contramão do bom senso, os judeus egressos das mais diversas nações que decidiram emigrar para a Palestina para construirem uma nova Pátria, abstiveram-se do diálogo fraterno com seus irmão palestinos e fizeram da ocupação militar e do genocidio o mecanismo principal de sua intervenção.
Iniciou-se ali uma nova e sangrenta página da história mundial.
Israel ao longo de sua existência como Estado Moderno, sitiou e isolou os palestinos do resto do mundo. Enquanto desponta entre os países mais desenvolvidos do mundo, os palestinos despontam entre os mais miseráveis.
Enquanto exige de todas as nações o reconhecimento de sua existência e exige o combate a toda e qualquer manifestação anti-semita pelo mundo, segue promovendo o genocidio de um povo que habita o seu território.
Não cabe aqui uma analise dos erros e das ações fundamentalistas palestinas, o que cabe aqui é uma reflexão sobre queal seria o papel do Estado de Israel no mundo moderno. Devido a sua história os judeus deveriam ser um baluarte da defesa da igualdade e auti-determinação de todos os povos.
Se Israel não assumir seu papel de construtor de uma nova ordem mundial, pagará um alto preço. Que o Holocausto Judeu sirva sempre de lembrança da capacidade de atrocidades que os seres humanos podem fazer.
Que o Holocausto Judeu lembre Israel que somos todos humanos ...
5.11.08
EU TENHO UM SONHO Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
EU TENHO UM SONHO
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.
Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.
Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.
Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.
Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."
Saiba por que a eleição de Barack Obama como presidente dos EUA é histórica
Saiba por que a eleição de Barack Obama como presidente dos EUA é histórica
Segregação racial já foi regulada por lei nos Estados Unidos.
Senador negro foi eleito em 1875, mas direitos iguais vieram muito depois.
Martin Luther King, ativista pelos direitos civis, em Washington, no dia em que pronunciou seu discurso 'Eu tenho um sonho'
Barack Obama foi eleito nesta terça-feira (4) o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. A eleição do primeiro negro presidente dos EUA está sendo considerada história, por conta do passado de racismo do país.
Muito antes de Obama ter sido eleito senador dos EUA, em 2004, e presidente, em 2008, o afro-americano Blanche Kelso Bruce conquistou uma vaga no Senado da nação em 1875, representando o estado do Mississippi.
No entanto, naquela época, a eleição de Obama ao comando do país era provavelmente algo inimaginável. “Suponho que a maioria não pensaria ser possível ter um negro na presidência, considerando que os afro-americanos eram linchados e não tinham acesso à terra ou à educação”, disse ao G1 por telefone Diane Batts Morrow, professora de Estudos Afro-Americanos da Universidade da Geórgia.
Isso porque, até menos de 50 anos atrás, os afro-americanos eram segregados por lei nos Estados Unidos.
A segregação racial nos EUA começou a ser legalizada por iniciativa de alguns estados, pouco após a abolição da escravidão, que ocorreu em 1865, com o fim da Guerra Civil Americana.
Leia também: Eleições nos EUA põem em xeque passado de racismo do país
Com as 13ª e 14ª emendas à Constituição, os negros tiveram a escravidão abolida e ganharam, na teoria, a representatividade igual à de um cidadão branco. No entanto, “a partir dos anos 1880 e 1890, começaram a surgir leis que separavam brancos e negros em tudo”, explicou Morrow. No Sul do EUA, onde a escravidão era defendida, essa separação foi mais forte e os direitos civis dos negros, cada vez mais suprimidos. Cada raça passou a ter bairros, escolas, cinemas e transporte próprios. “E, mesmo antes das leis, essa separação já estava incorporada, por hábito, em muitos lugares”, completou a especialista.
Na mesma época da Abolição, nasceu a Ku Klux Klan, organização que defendia a restauração da supremacia branca no país. Em contrapartida, começam a surgir também os movimentos de direitos civis, que durante o século XX tiveram um papel importante no combate à discriminação racial.
Rosa Parks (com Luther King ao fundo), que se recusou a ceder o seu lugar no ônibus para uma pessoa branca (Foto: United States Information Agency/Creative Commons)
O ônibus de Montgomery
Mas iniciativas individuais de alguns cidadãos também foram decisivas para a igualdade racial. É o caso de Rosa Parks, uma costureira de Montgomery, Alabama, que ganhou projeção em 1955.
Naquele ano, ainda valia a separação de brancos e negros nos assentos dos ônibus do Alabama. Aos brancos estavam reservados os assentos da frente e, aos negros, os de trás. Se os assentos estivessem preenchidos e um branco entrasse no ônibus, o negro da fileira mais dianteira deveria levantar e ceder-lhe o lugar.
É o que deveria ter feito Rosa Parks, que voltava do trabalho num ônibus lotado. Mas ela se recusou a ceder o seu lugar a um branco. “Vou ter que mandar prendê-la”, respondeu o motorista do ônibus. “Então faça isso”, disse a costureira.
Na noite em que Parks foi presa, os movimentos de direito civil começaram a articular um boicote ao sistema de ônibus de Montgomery. O episódio teve tanta repercussão que, no ano seguinte, a corte do Alabama declarou inconstitucional a segregação racial nos meios de transporte.
Martin Luther King
O boicote de Montgomery foi organizado na igreja de um pastor batista chamado Martin Luther King, que chegou a ser preso durante o episódio. Ele admirava a idéia da resistência pacifista de Gandhi e os pensamentos de Henry David Thoreau, que defendia o direito a desobedecer leis injustas e más.
Luther King aplicou o método da desobediência civil para pedir leis igualitárias nos EUA, e por isso ganhou o Nobel da Paz em 1964. Até 1968, quando foi assassinado, ele discursou mais de 250 vezes pela igualdade, incluindo aí seu famoso discurso, feito em Washington, em 1963: “Tenho um sonho que meus quatro filhos viverão, um dia, em um país onde não sejam julgados pela cor de sua pele, e sim por seu caráter”.
Outros nomes, como Malcolm X e os Panteras Negras, ganharam destaque nos anos 60 pela defesa dos direitos negros, ainda que nem sempre pelos métodos da não-violência pregados por King.
Legislação
Só em 1964, quase 90 anos depois da eleição do negro Blanche Kelso Bruce, o presidente Lyndon B. Johnson aprovou a lei de direitos civis que vale até hoje nos EUA.
A lei proibia a discriminação em lugares públicos e autorizava o governo dos EUA a processar qualquer estado que promovesse a segregação racial. No ano seguinte, o National Voting Rights Act passou a proibir os estados de impor qualquer restrição racial aos eleitores.
Desde então, aos poucos, os negros foram ascendendo na política e na sociedade norte-americana. É o caso de Kwame Kilpatrick, prefeito de Detroit, obrigado a renunciar este ano por conta de um escândalo sexual. Na ocasião da morte de Rosa Parks, o ícone de Montgomery, ele disse: “ao sentar-se [no ônibus], ela promoveu um levante. Só estou onde estou por causa dela”.
Talvez Barack Obama também.
Segregação racial já foi regulada por lei nos Estados Unidos.
Senador negro foi eleito em 1875, mas direitos iguais vieram muito depois.
Martin Luther King, ativista pelos direitos civis, em Washington, no dia em que pronunciou seu discurso 'Eu tenho um sonho'
Barack Obama foi eleito nesta terça-feira (4) o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. A eleição do primeiro negro presidente dos EUA está sendo considerada história, por conta do passado de racismo do país.
Muito antes de Obama ter sido eleito senador dos EUA, em 2004, e presidente, em 2008, o afro-americano Blanche Kelso Bruce conquistou uma vaga no Senado da nação em 1875, representando o estado do Mississippi.
No entanto, naquela época, a eleição de Obama ao comando do país era provavelmente algo inimaginável. “Suponho que a maioria não pensaria ser possível ter um negro na presidência, considerando que os afro-americanos eram linchados e não tinham acesso à terra ou à educação”, disse ao G1 por telefone Diane Batts Morrow, professora de Estudos Afro-Americanos da Universidade da Geórgia.
Isso porque, até menos de 50 anos atrás, os afro-americanos eram segregados por lei nos Estados Unidos.
A segregação racial nos EUA começou a ser legalizada por iniciativa de alguns estados, pouco após a abolição da escravidão, que ocorreu em 1865, com o fim da Guerra Civil Americana.
Leia também: Eleições nos EUA põem em xeque passado de racismo do país
Com as 13ª e 14ª emendas à Constituição, os negros tiveram a escravidão abolida e ganharam, na teoria, a representatividade igual à de um cidadão branco. No entanto, “a partir dos anos 1880 e 1890, começaram a surgir leis que separavam brancos e negros em tudo”, explicou Morrow. No Sul do EUA, onde a escravidão era defendida, essa separação foi mais forte e os direitos civis dos negros, cada vez mais suprimidos. Cada raça passou a ter bairros, escolas, cinemas e transporte próprios. “E, mesmo antes das leis, essa separação já estava incorporada, por hábito, em muitos lugares”, completou a especialista.
Na mesma época da Abolição, nasceu a Ku Klux Klan, organização que defendia a restauração da supremacia branca no país. Em contrapartida, começam a surgir também os movimentos de direitos civis, que durante o século XX tiveram um papel importante no combate à discriminação racial.
Rosa Parks (com Luther King ao fundo), que se recusou a ceder o seu lugar no ônibus para uma pessoa branca (Foto: United States Information Agency/Creative Commons)
O ônibus de Montgomery
Mas iniciativas individuais de alguns cidadãos também foram decisivas para a igualdade racial. É o caso de Rosa Parks, uma costureira de Montgomery, Alabama, que ganhou projeção em 1955.
Naquele ano, ainda valia a separação de brancos e negros nos assentos dos ônibus do Alabama. Aos brancos estavam reservados os assentos da frente e, aos negros, os de trás. Se os assentos estivessem preenchidos e um branco entrasse no ônibus, o negro da fileira mais dianteira deveria levantar e ceder-lhe o lugar.
É o que deveria ter feito Rosa Parks, que voltava do trabalho num ônibus lotado. Mas ela se recusou a ceder o seu lugar a um branco. “Vou ter que mandar prendê-la”, respondeu o motorista do ônibus. “Então faça isso”, disse a costureira.
Na noite em que Parks foi presa, os movimentos de direito civil começaram a articular um boicote ao sistema de ônibus de Montgomery. O episódio teve tanta repercussão que, no ano seguinte, a corte do Alabama declarou inconstitucional a segregação racial nos meios de transporte.
Martin Luther King
O boicote de Montgomery foi organizado na igreja de um pastor batista chamado Martin Luther King, que chegou a ser preso durante o episódio. Ele admirava a idéia da resistência pacifista de Gandhi e os pensamentos de Henry David Thoreau, que defendia o direito a desobedecer leis injustas e más.
Luther King aplicou o método da desobediência civil para pedir leis igualitárias nos EUA, e por isso ganhou o Nobel da Paz em 1964. Até 1968, quando foi assassinado, ele discursou mais de 250 vezes pela igualdade, incluindo aí seu famoso discurso, feito em Washington, em 1963: “Tenho um sonho que meus quatro filhos viverão, um dia, em um país onde não sejam julgados pela cor de sua pele, e sim por seu caráter”.
Outros nomes, como Malcolm X e os Panteras Negras, ganharam destaque nos anos 60 pela defesa dos direitos negros, ainda que nem sempre pelos métodos da não-violência pregados por King.
Legislação
Só em 1964, quase 90 anos depois da eleição do negro Blanche Kelso Bruce, o presidente Lyndon B. Johnson aprovou a lei de direitos civis que vale até hoje nos EUA.
A lei proibia a discriminação em lugares públicos e autorizava o governo dos EUA a processar qualquer estado que promovesse a segregação racial. No ano seguinte, o National Voting Rights Act passou a proibir os estados de impor qualquer restrição racial aos eleitores.
Desde então, aos poucos, os negros foram ascendendo na política e na sociedade norte-americana. É o caso de Kwame Kilpatrick, prefeito de Detroit, obrigado a renunciar este ano por conta de um escândalo sexual. Na ocasião da morte de Rosa Parks, o ícone de Montgomery, ele disse: “ao sentar-se [no ônibus], ela promoveu um levante. Só estou onde estou por causa dela”.
Talvez Barack Obama também.
Leia o discurso completo do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, pronunciado diante de mais de 100 mil pessoas no Grant Park de Chicago
Leia o discurso completo do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, pronunciado diante de mais de 100 mil pessoas no Grant Park de Chicago (Illinois) por volta das 23h locais (3h, horário de Brasília):
"Olá, Chicago!
Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.
Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.
É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.
Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos Estados Unidos da América.
A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.
À melhor equipe de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.
Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.
Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a vitória de vocês.
Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.
Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.
E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.
Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.
Podemos.
EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?
Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América".
"Olá, Chicago!
Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.
Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.
É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.
Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos Estados Unidos da América.
A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.
À melhor equipe de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.
Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.
Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a vitória de vocês.
Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.
Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.
E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.
Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.
Podemos.
EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?
Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América".
4.11.08
Obama: um sonho a ser vivenciado.
Obama: um sonho a ser vivenciado.
O dia de hoje ganha importância histórica independentemente do resultado das urnas norte-americanas,
pela primeira vez o sonho de Martin Luther King e tantos outros arautos da igualdade de
toda a espécie humana projetou a possibilidade de se eleger o primeiro presidente
norte-americano pós-racial.
Os arautos da unicidade da espécie humana, primeiro se debruçaram em provar cientificamente a
falência do discurso racial; outros fundamentados nesta premissa se debruçaram em rever o discurso
fundamentalista-religioso que tentava pôr na divindade a culpa por suas crenças.
Marcado pela luta entre racialistas e pós-racialistas o século XX dividiu nações e famílias
, mas principalmente marcou uma forma de elaborar e implementar políticas públicas
pelo mundo, o século XX foi o século do confronto entre as políticas universalistas e afirmativas.
Sem fazer neste espaço uma análise dos resultados efetivos de ambas as políticas públicas,
podemos dizer sem errar que as políticas afirmativas possibilitaram a realização do sonho,
hoje representado pela figura do Obama.
Mas que sonho Obama representa?
Obama representa o sonho de um mundo novo em que a unicidade da espécie humana, a igualdade de gênero,
a tolerância religiosa, a multicoloridade pigmentar, a livre opção sexual, serão valores aceitos e norteadores da práxis
e das relações humanas.
Não sei se o mundo está preparado para realizar este sonho já a partir de 2008, o que sei é que o mundo pela primeira vez
pode sonhar junto. Pela primeira vez todos e todas que sonhamos com um mundo novo pudemos vê-lo tão próximo,
se ele se concretizará, só as urnas dirão, mas valeu a pena sonhar...
O dia de hoje ganha importância histórica independentemente do resultado das urnas norte-americanas,
pela primeira vez o sonho de Martin Luther King e tantos outros arautos da igualdade de
toda a espécie humana projetou a possibilidade de se eleger o primeiro presidente
norte-americano pós-racial.
Os arautos da unicidade da espécie humana, primeiro se debruçaram em provar cientificamente a
falência do discurso racial; outros fundamentados nesta premissa se debruçaram em rever o discurso
fundamentalista-religioso que tentava pôr na divindade a culpa por suas crenças.
Marcado pela luta entre racialistas e pós-racialistas o século XX dividiu nações e famílias
, mas principalmente marcou uma forma de elaborar e implementar políticas públicas
pelo mundo, o século XX foi o século do confronto entre as políticas universalistas e afirmativas.
Sem fazer neste espaço uma análise dos resultados efetivos de ambas as políticas públicas,
podemos dizer sem errar que as políticas afirmativas possibilitaram a realização do sonho,
hoje representado pela figura do Obama.
Mas que sonho Obama representa?
Obama representa o sonho de um mundo novo em que a unicidade da espécie humana, a igualdade de gênero,
a tolerância religiosa, a multicoloridade pigmentar, a livre opção sexual, serão valores aceitos e norteadores da práxis
e das relações humanas.
Não sei se o mundo está preparado para realizar este sonho já a partir de 2008, o que sei é que o mundo pela primeira vez
pode sonhar junto. Pela primeira vez todos e todas que sonhamos com um mundo novo pudemos vê-lo tão próximo,
se ele se concretizará, só as urnas dirão, mas valeu a pena sonhar...
22.10.08
O Tucano Verde e o segundo turno no Rio, porque votar no Eduardo Paes
A cidade do Rio de Janeiro enfim fez meia culpa e rejeitou nas urnas o reacionário governo do prefeito blogueiro, isso por si seria motivo de comemoração.
Entretanto, como a vida não é feita apenas de coisas boas, as Organizações Globo conseguiu no período final do primeiro turno criar a Onda Tucano-verde.
Para tal, a Globo escondeu do eleitor que o Partido Verde e o PSDB foram importantes pilares de sustentação do governo reacionário do prefeito blogueiro, assim como as transmutações ideológicas por que passou o candidato tucano-verde.
Apresentado como um candidato da esquerda-liberal, gente boa, baluarte da moral e dos bons costumes, gerente da mudança, técnico em gestão do estado, apartidário, lider messiânico, ...
Se não bastasse apresentá-lo como baluarte da ética e da mudança ( ainda que para isso foi preciso esconder todos os colaboradores e formuladores de sua campanha tais como Armínio Fraga, Luiz Paulo, Otávio Leite , ...), foi preciso descaracterizar e inviabilizar as duas campanhas da esquerda socialista carioca, para aproximar os eleitores progressistas e de esquerda para o voto no tucano-verde.
Conseguido o feito de levar o tucano-verde para o segundo turno e cônscios de que a esquerda carioca não se iludiria com a farsa montada desde o primeiro turno, o tucanato-verde vem desde então promovendo a despolitização e a despartidarização do segundo turno, usando para isto inclusive o convencimento de lideranças culturais e políticas de outros estados a apoiarem o tucano verde.
Somente o desconhecimento do nefasto governo reacionário do prefeito blogueiro, dos aliados e formuladores da campanha do tucano-verde, do fato de seu partido ter sido base de sustentação do atual governo permite a estas respeitadas lideranças o apoiarem.
Por isso cabe a nós cariocas e fluminenses em geral que conhecemos e sofremos com os desmandos e com a inoperância do atual governo municipal gritarmos em alto e bom som - os cariocas querem mudança.
Uma mudança séria e responsável, representada por um lider que conheça o conjunto da cidade e da sociedade carioca, seus problemas e angústias, e, que esteja disposto ao diálogo franco para que as soluções dos problemas a serem enfrentados sejam construidas coletivamente.
O Rio precisa de um lider que tenha tamanho amor pela cidade, que una todos e todas que também a amem.
O Rio não precisa de lideres messiânicos, o Rio precisa das pessoas sérias que ao longo dos últimos anos construiram a mudança, o Rio precisa da Jandira, do Molon, do Crivela, enfim, o Rio precisa do Eduardo Paes.
Entretanto, como a vida não é feita apenas de coisas boas, as Organizações Globo conseguiu no período final do primeiro turno criar a Onda Tucano-verde.
Para tal, a Globo escondeu do eleitor que o Partido Verde e o PSDB foram importantes pilares de sustentação do governo reacionário do prefeito blogueiro, assim como as transmutações ideológicas por que passou o candidato tucano-verde.
Apresentado como um candidato da esquerda-liberal, gente boa, baluarte da moral e dos bons costumes, gerente da mudança, técnico em gestão do estado, apartidário, lider messiânico, ...
Se não bastasse apresentá-lo como baluarte da ética e da mudança ( ainda que para isso foi preciso esconder todos os colaboradores e formuladores de sua campanha tais como Armínio Fraga, Luiz Paulo, Otávio Leite , ...), foi preciso descaracterizar e inviabilizar as duas campanhas da esquerda socialista carioca, para aproximar os eleitores progressistas e de esquerda para o voto no tucano-verde.
Conseguido o feito de levar o tucano-verde para o segundo turno e cônscios de que a esquerda carioca não se iludiria com a farsa montada desde o primeiro turno, o tucanato-verde vem desde então promovendo a despolitização e a despartidarização do segundo turno, usando para isto inclusive o convencimento de lideranças culturais e políticas de outros estados a apoiarem o tucano verde.
Somente o desconhecimento do nefasto governo reacionário do prefeito blogueiro, dos aliados e formuladores da campanha do tucano-verde, do fato de seu partido ter sido base de sustentação do atual governo permite a estas respeitadas lideranças o apoiarem.
Por isso cabe a nós cariocas e fluminenses em geral que conhecemos e sofremos com os desmandos e com a inoperância do atual governo municipal gritarmos em alto e bom som - os cariocas querem mudança.
Uma mudança séria e responsável, representada por um lider que conheça o conjunto da cidade e da sociedade carioca, seus problemas e angústias, e, que esteja disposto ao diálogo franco para que as soluções dos problemas a serem enfrentados sejam construidas coletivamente.
O Rio precisa de um lider que tenha tamanho amor pela cidade, que una todos e todas que também a amem.
O Rio não precisa de lideres messiânicos, o Rio precisa das pessoas sérias que ao longo dos últimos anos construiram a mudança, o Rio precisa da Jandira, do Molon, do Crivela, enfim, o Rio precisa do Eduardo Paes.
7.12.07
" A questão do Racsmo nas obras de Sartre: Refleões sobre a questão judaica e Orfeu Negro"
“A questão do racismo nas obras de Sartre: Orfeu Negro e Reflexões sobre a Questão Judaica” [1].
1. Apresentação
Nestes anos cursando Filosofia aqui na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, um mundo novo se abriu diante de meus olhos. O universo filosófico dado a sua infinitude confunde e assombra.
O desafio de ousar pesquisar uma temática qualquer é fruto de um período angustiante de abandono de infinitas temáticas tão interessantes quanto a escolhida.
Vencida a primeira fase e escolhida a temática vem o momento de reduzir a pesquisa a um problema dentre uma infinidade de problemas que a temática traz em seu bojo.
A escolha da questão do racismo é a segunda parte de uma escolha feita de pesquisar a questão do homem na contemporaneidade.
O que todos devem estar pensando é que o problema do racismo e de sua superação é uma questão para diversas áreas do conhecimento, mas daí a ser uma questão filosófica?
A resposta a esta primeira problematização é o que espero encontrar no desenrolar da minha pesquisa sobre como a questão do racismo tem influenciado a reflexão filosófica sobre o homem.
“Quanto ao motivo que me impulsionou foi muito simples. Para alguns, espero este motivo poderá ser suficiente por ele mesmo. É a curiosidade – em todo caso, a única espécie de curiosidade que vale a pena ser praticada com um pouco de obstinação: não aquela que procura assimilar o que convém conhecer, mas a que permite separar-se de si mesmo. . . Mas o que é filosofar hoje em dia – quero dizer a atividade filosófica – senão o trabalho critico do pensamento sobre o próprio pensamento?...”
(Foucault, Michel. História da Sexualidade II: O uso dos prazeres. Graal. P13)
Cabe ressaltar que este mini-curso destina-se não a responder ou encontrar soluções para a questão do racismo. Este mini–curso destina-se a problematizar ainda mais a questão do racismo, destina-se a ser um alerta a todos que refletem sobre o homem sem se ponderar sobre estas questões.
1. Apresentação
Nestes anos cursando Filosofia aqui na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, um mundo novo se abriu diante de meus olhos. O universo filosófico dado a sua infinitude confunde e assombra.
O desafio de ousar pesquisar uma temática qualquer é fruto de um período angustiante de abandono de infinitas temáticas tão interessantes quanto a escolhida.
Vencida a primeira fase e escolhida a temática vem o momento de reduzir a pesquisa a um problema dentre uma infinidade de problemas que a temática traz em seu bojo.
A escolha da questão do racismo é a segunda parte de uma escolha feita de pesquisar a questão do homem na contemporaneidade.
O que todos devem estar pensando é que o problema do racismo e de sua superação é uma questão para diversas áreas do conhecimento, mas daí a ser uma questão filosófica?
A resposta a esta primeira problematização é o que espero encontrar no desenrolar da minha pesquisa sobre como a questão do racismo tem influenciado a reflexão filosófica sobre o homem.
“Quanto ao motivo que me impulsionou foi muito simples. Para alguns, espero este motivo poderá ser suficiente por ele mesmo. É a curiosidade – em todo caso, a única espécie de curiosidade que vale a pena ser praticada com um pouco de obstinação: não aquela que procura assimilar o que convém conhecer, mas a que permite separar-se de si mesmo. . . Mas o que é filosofar hoje em dia – quero dizer a atividade filosófica – senão o trabalho critico do pensamento sobre o próprio pensamento?...”
(Foucault, Michel. História da Sexualidade II: O uso dos prazeres. Graal. P13)
Cabe ressaltar que este mini-curso destina-se não a responder ou encontrar soluções para a questão do racismo. Este mini–curso destina-se a problematizar ainda mais a questão do racismo, destina-se a ser um alerta a todos que refletem sobre o homem sem se ponderar sobre estas questões.
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